Repercuto aqui o excelente texto de Adriana Carranca, do Estadão.

por Adriana Carranca, Seção: No Brasil 20:57:02.

Há exatos cinco anos, às 21h24 (horário de Bagdá) de 19 de agosto – 14h24 no horário de Brasília – o correspondente da CNN no Iraque, Michael Okwu, anunciava a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, atingido no mais sangrento atentado à bomba da história da Organização das Nações Unidas que matou outras 22 pessoas. Com quase 30 anos de carreira na ONU, durante a qual atuou no processo de paz em lugares como Líbano, Camboja, Bósnia, Ruanda, Congo, Kosovo e Timor Leste, Vieira de Mello estava no Iraque como o representante do então secretário-geral da organização, Koffi Anan.

A vida de Vieira de Mello serve de inspiração. Ninguém acreditou tanto na capacidade da ONU de cumprir o papel para o qual foi criada, após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945): mediar o conflito entre países antes de instaurada a guerra e, assim, preservar a paz e o equilíbrio entre os povos. Parece utópico demais diante de um mundo mergulhado em guerras como a do Iraque, Afeganistão e, agora, da Geórgia. Mas, acreditar é o primeiro passo a caminho daquilo que se quer conquistar. E a missão de Vieira de Mello era justamente a de reabilitar a crença na organização. De sua parte, ele cumpriu como ninguém o papel da diplomacia, ao preferir o diálogo à ação militar mesmo diante de ditadores e líderes sectários, quando a paz estava em jogo.

“Daqui a 30 anos vamos perguntar: por que não fizemos o que ele disse?”, disse ao repórter do Estado, Antonio Gonçalves Filho, a premiada escritora americana Samantha Power, autora da biografia de Vieira de Mello, O Homem Que Queria Salvar o Mundo (Companhia das Letras, 670 págs., R$ 59). É leitura obrigatória.

A história do brasileiro é contada também em um emocionante documentário, que tive a oportunidade de assistir durante evento dedicado à Vieira de Mello na Universidade de Londres. Sergio Vieira de Mello – A Caminho de Bagdá, dirigido por Simone Duarte, está agora disponível nas locadoras, em DVD.


ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado