belachuvaEstes últimos meses tenho sido chamado a participar de conferências em Vitória, Brasília, Salvador, Belém. Virei aquele samba de uma nota só. Meu tema termina sendo “Mídia e direitos humanos”. É que, assim meio que de repente, deram-se conta que assuntos ligados aos direitos humanos praticamente passam batidos ante a voracidade midiática. Existe sempre espaço para mais um caso de gripe suína e mais espaço ainda para algum novo eliminado em reality show. Não se reclama espaço para polêmicas envolvendo jogadores, políticos, banqueiros e traficantes. Mas falta, sim, muito espaço para a dor da gente comum, de quem tem fome e não sabe como saciá-la, de quem tem vontade de dormir à noite mas não tem abrigo, de quem sai de casa pela madrugada e não tem a mínima idéia de que vai voltar são e salvo. Direitos Humanos virou artigo de luxo. Direitos Humanos virou documento jurídico a ser incensado, louvado, debatido, esmiuçado. E virou tema de conferência aqui e ali tal qual a divulgação dos indicadores financeiros. É mais corriqueiro ver um jornalista entrevistando outro jornalista que um jornalista indo a campo ver como a vida se desenvolve nas periferias. Comum também se traçar o perfil de um bilionário, recém-ingresso na lista da bíblia financeira que atende pelo nome Forbes que um reles pé de página de revista semanal para contar o drama de uma menina violentada pelo pai, pelo tio, pelo padrasto. Até quando Deus meu aguardaremos uma chuva, uma inundação amazônica, de perdão, de puro perdão?


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