alfonsinastorni “Seu belo texto marejou meus olhos. Vi o vídeo por você indicado “Alfonsina y el mar” e procurei saber quem era Alfonsina. Era uma poeta – Alfonsina Storni – filha de pais argentinos, nascida na Suíça, em 29 de maio de 1892, imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina em 1896.

Em 1901, muda-se para Rosario, (Santa Fé), onde tem uma vida com muitas dificuldades financeiras. Trabalhou para o sustento da família como costureira, operária, atriz e professora. Descobre-se portadora de câncer de mama em 1935. Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”.

Consta que suicidou-se andando para dentro do mar — o que foi poeticamente registrado na canção “Alfonsina y el mar”, gravada por Mercedes Sosa; Logo depois… numa noite, se deita ao mar, leit-motiv em toda a sua obra. Seu corpo é resgatado na manhã seguinte, era uma terça-feira, 25 de outubro de 1938. E Mercedes, meu querido Washington Araújo – a cantora de bumbo argentina, segundo a ridícula Veja – cantou a bela canção feita em  honra a Alfonsina pelos poetas Aríel Ramírez e Félix Luna.

Vale a emoção de, após conhecer a história de Alfonsina, acessar o vídeo no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=IAMdTdgSNh4 – Finalmente, sinta-se abraçado por conseguir extrair dos muitos que aqui comentaram nossa mais sincera emoção.”

***

O artigo a que a leitora se refere está publicado em:  http://www.observatorio.ig.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=560JDB003&#c

***

E gostaria de brindar meus 10 ou 12 leitores com alguns dos belos poemas de Alfonsina:

Vou dormir (Alfonsina Storni)

Dentes de flores, touca de sereno,
Mãos de ervas, tu, ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.

Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada à cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho

Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos…
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos

Para que esqueças… obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí…

(Tradução de Héctor Zanetti)

***

Inútil sou (Alfonsina Storni)

Por seguir das coisas o compasso,
às vezes, quis neste século ativo,
pensar, lutar, viver com o que vivo,
ser no mundo algum parafuso a mais.

Mas, atada ao sonho sedutor,
do meu instinto voltei ao escuro poço,
pois, como algum inseto preguiçoso
e voraz, eu nasci para o amor.

Inútil sou, pesada, torpe, lenta,
meu corpo, ao sol estendido, se alimenta
e só vivo bem no verão,

quando a selva cheira e a enroscada
serpente dorme em terra calcinada;
a fruta se abaixa até minha mão.

(Tradução de Héctor Zanetti)

***

Diante do mar (Alfonsina Storni)

Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.

Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
“Piedade, piedade para o que mais ofenda”.

Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.

Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.

Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.

Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria…
Ah, eu sonhava ser como tu és.

Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.

Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!… Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.

E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!

Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança…
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.

(Tradução de José Agostinho Baptista)

One Response so far.

  1. Maria Luisa disse:

    Boa tarde! Estou fazendo uma pequena pesquisa sobre Alfonsina e gostaria muito que verificasse o seu link sobre o artigo citado acima, pois quando fui acessá-lo, já não estava mais disponível. Agradeço a atenção!


ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado