MercedesTimes

A revista Veja parece ter perdido a mão, se é que podemos dizer assim, quando o assunto é tratar de mortos. Em certa medida isso ilustra bem a tese defendida por alguns sociólogos de que a cultura brasileira não lida bem com a morte, que em nossa tradição judaico-cristã a morte se transmuta em silêncio e dor. E aqui uma contradição paralisante: mesmo sofrendo com a partida de uma pessoa não devemos nos sentir impedidos de celebrar, de colocar em alto relevo fatos importantes relacionados à vida de uma pessoa.

Preguiça mental é o mesmo que falta de pesquisa, empenho sobre o assunto a ser publicado. Parece que Veja descuidou por completo a assertiva dando conta que não se faz um bom obituário sem os fatos da vida da pessoa. Redigir um obituário que se ponha de pé exige ir atrás, fazer entrevistas, conversar com parentes, entrevistar amigos.

Há o precedente da excelência na arte de escrever obituários. Chamo de precedente por ser prática pioneira do New York Times, entrevistar o próprio obituariado, quando há tempo, quando se pega em vida. E essa prática do NYT remonta ao início dos anos 1960 e o objetivo desde então continua o mesmo: esclarecer ou conferir a exatidão de fatos obscuros sobre a vida do personagem. Obituário é, portanto, coisa séria e jamais deveria ocorrer de forma leviana ou inconseqüente como alguém que envia mensagem por Twitter avisando a morte de alguém. Nesse ponto, Veja e a linguagem-twitter convergem quando se trata de Mercedes Sosa – 140 caracteres no máximo, nem mais, nem menos.

Coleção de clássicos

Nos países anglo-saxões os obituários de jornais e revistas são, em geral, reconhecidos como os textos mais bem escritos do jornalismo. Estudiosos de jornalismo já ouviram falar de jornalistas como Robert McG Thomas e Alden Whitman, conhecido como “Mr. Bad News” e imortalizado por Gay Talese no livro Aos Olhos da multidão. McG e Whitman ficaram conhecidos por terem um texto saboroso, que os aproxima muito do jornalismo literário, embora trate sempre da morte e, de alguma forma, renda tributo à tristeza ou ao início de uma saudade sem fim.

Qual o critério adotado para selecionar as pessoas que estarão no obituário? Embora trate da passagem desse para o outro mundo, a seleção de pessoas para este espaço é bem simples: tenha morrido recentemente, a pessoa ter uma história interessante de vida e, se não houver algo interessante a uma primeira vista, tenta-se descobrir algo ainda não conhecido.

Veja em edição nº 2134 (de 14/10/2009) publicou na seção “Datas” dois obituários, se é que assim podemos chamar, ao menos, um deles. O primeiro foi sobre o fotógrafo Irving Penn, famoso por seu trabalho na revista Vogue. Já o segundo, por ser tão curto e oco, mereceria uma pausada reflexão. Não vale o esforço em buscar palavras para falar do obituário de Mercedes Sosa no filtro de Veja. Prefiro transcrevê-lo in totum. Lá vai:

“Mercedes Sosa, a cantora do bumbo argentina. Dia 4, aos 74 anos, de doenças associadas ao subdesenvolvimento latino-americano, como o mal de Chagas, em Buenos Aires.”

Mais burocrático? Impossível. Faltou apenas aquele contumaz acerto de palavras utilizado à larga em termo de declarações junto à autoridade policial: “E mais não disse; nem lhe foi perguntado”.

Para uma revista que tanto bate o bumbo (olha o trocadilho) em sua publicidade institucional, dizendo ser leitura indispensável para os brasileiros, as 26 palavras e os 140 caracteres dedicadas àquela que é considerada a voz da América é a prova contundente do quão dispensável é a leitura de Veja. O leitor incauto ou medianamente informado que tome conhecimento da morte de Mercedes Sosa apenas por essas 26 palavras e esses calculadíssimos 140 caracteres (sem espaços) teria a impressão que a revista fala de alguém homônimo. Talvez uma artista mambembe desses muitos que levam alegria às pequenas cidades e vilarejos do Brasil profundo, trazendo sempre seu bumbo enfeitado de coloridas fitas do Nosso Senhor do Bonfim. Enfim, uma artista popular pouco conhecida da mídia em geral – seja esta pequena, média ou grande – que se apresenta em feiras populares em cidades como Caiçara do Rio dos Ventos (RN), Não me Toque (RS), Orlândia (SP), Campo Mourão (PR).

E, no entanto, Veja escrevia sobre Mercedes Sosa, aquela cantora embriagada de idealismo, encharcada do seu canto libertário e sempre mantendo pássaros soltos na garganta a nos comover com canções de Violeta Parra, de Victor Jarra, de Chico Buarque. Veja escrevia sobre a intérprete de Sueño con Serpientes, Años, Gracias a La Vida.

Mercedes Sosa teve muitos outros palcos. Em dezembro de 1994 cantou na Capela Sistina do Vaticano. Em fevereiro de 2002 ofereceu seu canto a um lotado Carnegie Hall em Nova York. Em maio de 2002 sua voz ecoou de dentro do Coliseu de Roma, ao lado de Ray Charles, momento em que fez um apelo apaixonado pela paz no Oriente Médio. Ela ganhou o Grammy Latino com o álbum Misa Criolla, em 2000, ganhou também o mesmo prêmio em 2003 com o Acústico e fechou o ciclo dos Grammys com o celebrado Corazon Libre, em 2006.

Gravou mais que 70 álbuns sendo que os últimos, Cantora 1 e Cantora 2, trazem uma coletânea de clássicos do folclore latino-americano interpretado por artistas contemporâneos como Shakira, Fito Paez, Julieta Venegas, Caetano Veloso, Joan Manuel Serrat, Joaquin Sabina, Lila Downs e Calle 13. Mas, para Veja, sua memória seria melhor lembrada como “a cantora do bumbo argentina”. E sua singularíssima vida teria que ser para sempre ligada com o mal de Chagas, uma das “doenças associadas ao subdesenvolvimento latino-americano”.

Voz eletrizante

Poucas vezes vi tanta acidez e intenção de ofender em texto tão curto e, ainda pior, em texto informando da morte de alguém. Será que a revista Veja desconhece completamente o Brasil, a ponto de entender que o povo brasileiro nunca ouviu falar de Mercedes Sosa? E se conhece o imaginário brasileiro devia saber que Mercedes fez muitos shows no Brasil, participou do antológico Chico & Caetano, produzido pela TV Globo em meados dos anos 1980, onde deixou registro memorável de Volver a los 17.

E não foi só. Ela gravou discos com Chico Buarque, com Milton Nascimento, Fagner e tantos outros artistas de longo curso em nossa história recente. Retratá-la como “Mercedes Sosa, a cantora do bumbo argentina” é ofensa gratuita com imensa legião de brasileiros que ama a América Latina, que ama música dessa parte da América, também de pessoas que amam ouvir a boa música. E Mercedes Sosa sabia cantar assim como Oscar Niemeyer sabe tirar de sua prancheta palácios e catedrais e Clarice Lispector sabia pegar asas de borboleta sem machucar.

Reconhecida como símbolo latino-americano e principal voz da música argentina, temos a sorte de termos aqui nesse mesmo continente subdesenvolvido e onde prolifera ainda o mal de Chagas de meios de comunicação realmente indispensáveis. “Morre Mercedes Sosa, a Voz de América Latina”, foi este o título escolhido pelo diário espanhol El País para informar seus leitores da saída de cena de Mercedes Sosa. El País – o mais prestigioso e influente jornal publicado na Espanha – foi muito além do partidarismo tacanho que infesta boa parte de nossos veículos midiáticos. Recolho essa abertura do texto dedicado a Mercedes:

“Milhares de seguidores na América Latina e na Espanha (país onde esteve exilada quatro anos durante a ditadura militar argentina) cantaram com ela sua extraordinária interpretação de Alfonsina e o mar, e outros sambas, chacareras, milongas e toadas que popularizaram nos anos 70 e 80 o folclore latino-americano em todo o mundo e a converteram em uma das melhores e mais famosas intérpretes do continente.”

Outro destacado periódico espanhol, El Mundo, publicou com chamada em sua primeira página:

“Apagou-se a voz de uma das cantoras folclóricas mais reconhecidas da Argentina e de toda a América Latina. Mercedes Sosa, apelidada carinhosamente `a Negra´ ou a voz da América, morreu aos 74 anos depois de quase 60 anos no mundo da música”.

O diário mexicano El Universal não apenas publicou extenso obituário como também abriu espaço para que os leitores expressassem seu amor por Sosa. Um desses emotivos testemunhos diz o seguinte: “Não se calará a cantora, Negra querida. Como a Cigarra, seguiremos dando Gracias a la Vida com Ela. E por Ela”. A Folha de S.Paulo (665 palavras/3.397 caracteres) assinalou que “com uma carreira de mais de quatro décadas, Mercedes Sosa foi uma das vozes mais representativas da música popular argentina e da América latina”.

E deu também no New York Times – e no mesmo dia de sua morte (4/10). A bíblia do jornalismo internacional publicou extenso obituário em seu sítio na web. O NYT resenhou a vida artística de Mercedes, chamou a atenção para suas muitas declarações publicadas nos meios jornalísticos e fez referência aos duros anos de seu exílio europeu. O NYT escreveu 868 palavras contendo 4.505 caracteres. Trocando em miúdos, o NYT multiplicou cada palavra publicada por Veja por 33. E não estou me referindo a jornal com sede e influência em Tegucigalpa, La Paz, Caracas ou Havana. Refiro-me ao New York Times, aquele jornal fundado em 18/9/1851 por Henry Jarvis Raymond e George Jones. Jarvis Raymond também auxiliou na fundação da Associated Press em 1856 e, já que nossa imprensa é tão autolouvatória, reforço que o New York Times ganhou seu primeiro Prêmio Pulitzer por reportagens e artigos sobre a Primeira Guerra Mundial, em 1918.

Aos inconformados com o obituário feito por Veja para Mercedes Sosa facilito aqui o acesso ao ótimo texto do jornal nova-iorquino. Adam Bernstein, jornalista do Washington Post, definiu “La Negra” como “uma cantora que emergiu como uma eletrizante voz da consciência permeando toda a América Latina para defender a justiça social em confronto com a repressão estatal”.

Dobro do espaço

Desde a edição nº 2.115 (de 3/6/2009) até à nº 2134 (de 14/10/2009), a revista Veja publicou 44 obituários. São de 19 brasileiros e 25 estrangeiros. Dos estrangeiros, 16 são de nacionalidade norte-americana. Mortos ilustres que receberam mais espaço póstumo na publicação da Editora Abril foram a ex-presidente das Filipinas Corazón Aquino (203 palavras), o jornalista expoente do pensamento conservador norte-americano William Safire (201 palavras) e a atriz também norte-americana Farrah Fawcett (197 palavras). Sobre esta última, o longo texto traz este preciosismo (seria capaz de alterar a ordem natural dos planetas?):

“A atriz, cujo pôster, com a foto que se vê na página ao lado, rivalizou com o de Che Guevara nas paredes do quarto de adolescentes da segunda metade dos anos 70.”

Alguns obituários, com o perdão da palavra que o assunto requer reverência, chegam a ser hilários. É o caso daquele de 45 palavras dedicado à atriz Brenda Joyce, “que interpretou Jane nos filmes de Tarzan da década de 40. Brenda atuou em cinco episódios do Rei das Selvas, nos quais contracenou com Johnny Weissmuller e Lex Barker. Dia 4, aos 92 anos, em consequência de pneumonia, em Santa Mônica”.

Portanto, Jane do Tarzan tem quase o triplo do espaço concedido por Veja a Mercedes Sosa. Exemplo da dispensabilidade de Veja é o obituário publicado em sua edição nº 2.117 (de 17/6/2009) contendo 49 palavras sobre o gabonês Omar Bongo, ditador africano que mais tempo permaneceu no poder. Informa que “de 1967 em diante, o corrupto Bongo enriqueceu e ajudou a manter seu povo na miséria”.

Outros são curiosos e só Deus sabe que bússola orienta (ou desorienta por completo) o responsável pelos obituários de Veja. Um destes é aquele em que a voz da vítima recebeu menos que um 1/3 de espaço nas páginas de Veja que aquele concedido à voz do torturador. Ambos argentinos, ambos contemporâneos. Refiro-me ao obituário da edição 2.129 (9/9/2009), com 81 palavras e 578 caracteres – tratando do ex-coronel do Exército argentino Mohamed Alí Seineldín, um dos maiores golpistas da atual democracia de seu país. Entre outras coisas destaca que o indigitado coronel “em 1988, liderou uma rebelião de militares que se auto-intitulavam caras-pintadas e que queriam evitar o julgamento de militares acusados de torturar e matar esquerdistas durante a ditadura”.

Ainda na categoria dos que chamo “curiosos” temos na edição 2.115 (3/6/2009) obituário de uma criança de apenas 4 anos, que morreu acidentalmente ao brincar com uma esteira de corrida. Recebeu quase o dobro do espaço concedido a Mercedes Sosa. 49 palavras foram dedicadas à pequena Exodus Tyson, filha mais nova do ex-campeão de boxe Mike Tyson.

Alma latino-americana

Não sejamos ingênuos. A extrema parcimônia de Veja em negar espaço ao talento de uma mulher vibrante, encantadora de gerações de latino-americanos com palavras de ordem para resgatar a liberdade de opinião, liberdade de ir e vir e a liberdade de cantar deve-se mais ao pesado fardo ideológico carregado pela revsita. Afinal, sua versão para Gracias a la Vida, de Violeta Parra, tornou-se hino para os esquerdistas de todo o mundo nas décadas de 1970 e 1980, quando ela se viu obrigada a exilar-se e seus discos foram proibidos.

Nas incendiarias décadas de 1960 e 1970, Sosa foi expoente maior do “Nuevo Cancionero”, movimento altamente politizado que tratou de levar a música popular de volta a suas raízes. Ainda mais motivos para as escassas 26 palavras e 140 caracteres utilizados por Veja para retratar os 74 bem vividos anos de Mercedes Sosa? Bem, ela também integrou o Partido Comunista e suas posições políticas lhe trouxeram problemas durante a sangrenta ditadura militar argentina (1976-1983), na qual milhares de pessoas morreram com a repressão aos dissidentes de esquerda.

E por que o obituarista de Veja não mencionou uma palavra sobre seu exílio europeu? Essa é fácil. É pra lá de conhecido que os censores do Estado argentino proibiram canções de Sosa, e ela foi para a Europa em 1979, depois de ser detida durante um concerto na cidade de La Plata. Mercedes Sosa se definia com frequência como uma mulher de esquerda, ainda que sempre lembrava ter vocação para a música. Em uma entrevista publicada em 2005 ela afirmou que “na realidade, eu nasci para cantar; minha vida está dedicada a cantar, a buscar canções e a cantá-las”, e também que “se entrasse em política, teria que descuidar do mais importante para mim, que é o folclore”.

O carro-chefe da Editora Abril há muito vem investindo contra algo que seja genuinamente latino-americano. Em sua edição nº 2.028 (de 3/10/2007), publicou longo texto sobre o Che Guevara. A chamada da sombria capa não deixava por menos “Che – Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”. Dezoito meses depois, em sua edição 2.110 (29/4/2009), a propósito de o presidente venezuelano Hugo Chávez haver presenteado o presidente norte-americano Barack Obama com exemplar do As veias abertas da América Latina, o texto da revista disparava:

As Veias Abertas da América Latina é um livro errado desde as primeiras letras, uma coleção de lamúrias e desastres em busca de culpados. Pouco importa que os fatos desmintam sua tese. Para as esquerdas, mais importante é a moral da história. Na de Eduardo Galeano, o lobo, como sempre, come o cordeiro”.

Com esse tipo de texto conseguirá a Veja deixar de ser dispensável?

Nos últimos anos de sua vida, após o fim da safra de ditaduras na América do Sul, Mercedes continuou lutando através de canções e apresentações mundo afora pelo fim da pobreza, valorizando as emoções universais como o amor, a justiça e a liberdade. Para seu sobrinho, o músico Chucho Sosa, tia Mercedes “é o melhor exemplo de honestidade artística, pois sua música reflete sua vida por inteiro”.

Além de tocar bumbo contra as ditaduras ela ganhou muitos prêmios. Sobre estes foi certeira, direta ao ponto:

“Esses prêmios que ganhei não são prêmios só porque eu canto, mas porque penso, penso nos seres humanos, na injustiça. Acho que, se eu não pensasse assim, meu destino teria sido outro”.

A cidade de Buenos Aires suspendeu todas as atividades artísticas no domingo (4/10). Isso incluiu o adiamento da vasta programação prevista para celebrar o fato que o tango, no dia anterior, fora declarado pelas Nações Unidas como parte da “herança cultural do mundo”.

Pelo jeito Mercedes ainda vai bater seu bumbo por longo, longuíssimo tempo. É que o som do bumbo, em seu caso, toca de forma profunda a alma deste continente.

Fonte: http://www.observatorio.ig.com.br/artigos.asp?cod=560JDB003

COMENTÁRIOS

Samuel Lima , Brasília-DF – Jornalista e professor universitário

Enviado em 21/10/2009 às 7:09:33 PM

Caro Washington, de algum lugar do universo infinito, a voz de La Negra e o som imaterial de seu bumbo legüero se ergueram em louvor ao teu texto, à sensibilidade de cada palavra escrita. Ainda ecoa em meu coração, que tive a oportunidade de ver um show seu, no começo dos anos 1980, em Belém do Pará, aquela voz inigualável, uma viola encantada que a acompanha e a sua percussão, pulsando como a alma da América Latina. Beijos no teu coração iluminado, mano velho! Samuca

Artur Dias , Belém-PA – Desenhista

Enviado em 21/10/2009 às 6:43:07 PM

Tomei a liberdade de repassar seu artigo a diversos amigos que ainda não são leitores do OI. Os escribas da Veja devem estar sentindo até agora o golpes no fígado. Obrigado por trazer-nos esta homenagem verdadeira e profunda à grande Mercedes Sosa

Géssica Piculi , Vitória-ES – Estudante

Enviado em 21/10/2009 às 6:30:00 PM

Washington, sou estudante e frequento o “observatório” não faz muito tempo,mas faz tempo suficiente para admirar seus textos. Ouço criticas à Veja desde quando cursava o ensino fundamental e esse último deplorável episódio ratifica minhas conclusões sobre a revista. Mercedes Sosa canta com uma doçura ímpar temas não são tão suaves assim. Parabéns.

Carlos  Fortunato , Brasília-DF – jornalista

Enviado em 21/10/2009 às 5:57:25 PM

Mercedes Sosa era a “voz da maioria silenciosa” enquantio Veja é a voz da ´”minoria mesquinha e estridente”. Seu texto leva a reflexão e foi emocionante ouvir “Alfonsina y el mar” linkado aqui por você. Muito obrigado Washington. Vi que você também começou a escrever na Carta Maior. Saímos todos no lucro.

Raimundo Rabelo , Bauru-SP – radialista

Enviado em 21/10/2009 às 5:16:14 PM

Perfeito. Perfeito. Com o aquele encantador quê da prosa roseana de ser objetivo e comovente ao mesmo tempo. Parabéns.

Paulo Cesar  Rodrigues , Campinas-SP – economista

Enviado em 21/10/2009 às 3:36:19 PM

Até o momento não consegui uma explicação razoavel sobre o que aconteceu com a revista VEJA. Veja realmente já foi uma leitura obrigatória para que queria estar informado. Atualmente o nivel da revista é muito baixo, independente da sua ideologia. Recentemente li uma critica sobre um filme em que o autor usa a expressão esquerdista como se dizia dos comunistas nos anos 60 e 70, no final ele deixou claro que não havia visto o filme

Tiel Lieder  Del Valhe Santos , São Paulo-SP – Jornalista

Enviado em 21/10/2009 às 3:33:01 PM

Excelente artigo, Washington. Desnuda com classe e profundidade a patética tentativa de Veja em diminuir a importância de Mercedes Sosa. Pena para os brasileiros que se (des) informam através do periódico tupiniquim, pois ficaram privados de conhecer um pouco mais da grandeza e talento de “La Negra”. Tomo a liberdade de divulgar o endereço de meu blog, www.tiellieder.blogspot.com , no qual postei uma poesia em homenagem a Mercedes, chamada “Réquiem a La Negra”. Modéstia a parte, é um “obituário” bem melhor que o de Veja… Abraço

Evandro Santos , Belém-PA – jornalista

Enviado em 21/10/2009 às 2:12:54 PM

Parabenizo o artigo, muito bom, esclarecedor, informativo. Gostei principalmente quando o autor diz que Veja é uma revista dispensável para o brasileiro. Washington Araújo foi certeiro em suas colocações! Viva Mercedes Sosa!

Manolo Malpartida , Lima, Perú-IN – Técnico em Marketing

Enviado em 21/10/2009 às 11:32:46 AM

Sólo para dejar un abrazo enorme a Washington Araújo por el bello artículo que escribió sobre doña Mercedes, nuestra Pachamama (madre tierra), porque ella protege y provee. Cantó con decenas de músicos de todos los países, escuchaba a todos y se mezclaba con todos. Entre tantas cosas que enseñó es a no ser prejuiciosos. En Perú el gobierno decretó duelo nacional y una ley para que en todas las instituciones peruanas en el extranjero la bandera peruana esté a media asta. En Francia, donde estuvo también asilada 1 año, el gobierno de Sarkozy decretó luto por doña Mercedes también, y ese magazine infame no le dá por lo menos 5 páginas: é brincadeira!!(como dicen los brasileros).

Lindolfo Antunes Alencar , João Pessoa-PB – funcionário público

Enviado em 21/10/2009 às 10:45:15 AM

Nada mais apropriado que a afirmação do psicólogo francês Gustave le Bon: “são as palavras e as fórmulas, mais do que a razão, que criam a maioria dos nossos julgamentos.” Veja fez isso com a morte de Mercedes Sosa. Deixou ao relento a razão e agasalhou suas fórmulas para intervir na história. Sim. Diminuir o peso da artista com 60 anos de música e reconhecida militância pelos direitos humanos é a forma que os Civita encontraram para FALSEAR a história. Aliás, não deveria causar espanto em se tratando da editora Abril. De qualquer forma graças aos 140 caracteres à “mulher do bumbo” fomos agraciados com esse texto tão revelador e instigante.

Rubia De Raices Negras , Barcelona/ESPAÑA-IN – artista con formación en periodismo

Enviado em 21/10/2009 às 1:01:52 AM

Desde España quiero dejar mi admiracion por esta mujer que llenó mi vida de tantas bellas canciones… Tu voz y tus canciones se grabaron en mi alma siendo yo solo un niño… y estaran ya siempre conmigo. Sin palabras uno se queda al escuchar tal voz de angeles…todo en una sola gran mujer…mercedes tu vos siempre sera recordada… la vida se viste de negro para despedirte. Desde España quiero dejar mi admiracion por esta mujer que llenó mi vida de tantas bellas canciones… Tu voz y tus canciones se grabaron en mi alma siendo yo solo un niño… y estaran ya siempre conmigo. Un verde BRASIL llora por ti, querida hermana. Negra, quizás donde estés le puedas cantar esta hermosa canción a Alfonsina, es la canción más nostágica que he escuchado en mi vida, cuanto dolor puede acumular una persona hasta que dice basta, y de qué manera tan hermosa se puede explicar esta historia. Buen viaje negra. Que más decir acirca de un texto tan bello y fondo como este de d. Araujo. En cielo los angeles estan cantando tus dulces palabras para saludar su nueva habitante. Gracias, muchas gracias, señor Araujo. Hay palabras inprescindibles.Estas suyas lo son.

Douglas Rezende , Prados-MG – Bancário

Enviado em 21/10/2009 às 12:49:53 AM

Excelente texto!!! Uma bela homenagem a essa maravilhosa cantora que merece todas as honras, ao lado de Galeano, Che e muitos outros… Quanto à Veja: já vai tarde!!! (como já disseram abaixo)

Herilda Nascimento , Santos-SP – advogada

Enviado em 21/10/2009 às 12:16:14 AM

Seu texto põe a revista sem roupa. Descrevê-la como a argentina com seu bumbo é ignorancia ao cubo. Deviam ficar ajoelhados no milho 30 dias e escrevendo na tela de seus macbooks: “Mercedes Sosa teve muitos outros palcos. Em dezembro de 1994 cantou na Capela Sistina do Vaticano. Em fevereiro de 2002 ofereceu seu canto a um lotado Carnegie Hall em Nova York. Em maio de 2002 sua voz ecoou de dentro do Coliseu de Roma, ao lado de Ray Charles, momento em que fez um apelo apaixonado pela paz no Oriente Médio.” No mais é correr pro parabéns que seu texto é de um sonoridade emocional digna do canto de Mercedes!

Wellington  Andrade , SALVADOR-BA – médico

Enviado em 21/10/2009 às 12:12:32 AM

Pura poesia: “Mercedes Sosa sabia cantar assim como Oscar Niemeyer sabia tirar de sua prancheta palácios e catedrais e Clarice Lispector sabia pegar asas de borboleta sem machucar.” Fatou uma frase na sequência: “assim como Veja consegue nublar uma vida e atrasar um povo”.

Rafael Fuser , Santiago de Chile-IN – periodista

Enviado em 21/10/2009 às 12:09:07 AM

Pueblo que canta no muere!!!! Sudamerica unida! Que hermoso video el citado arriba – volver a los 17 !!!!, ver juntos a Gal Costa, Caetano Veloso, Milton Nacimento, Chico Boarque y la más grande de todas MERCEDES “LA NEGRA” SOSA !!!! cantar este tema de Violeta Parra…vale oro este video…gracias por mencionarlo en su bello articolo. El magazine brasileño falsea la historia si non conciede valor a la musica ininterrupta de Mercedes, Fueron 60 años alabando la musica y la libertad. ¡Adiós, la negra! toda la latinoamérica te debe mucho la madre de todos.

Hélio Rubens Victorino , são paulo-SP – biólogo

Enviado em 20/10/2009 às 11:42:51 PM

A Veja economiza as palavras e o lexico dos obituários para gastar na homenagem aos paladinos da elite. Quando o ex e o pretenso partirem, o texto será histórico. Não me conformo…como tem gente que lê aquele lixo…

Cássio Gabus , Rio-RJ – artista

Enviado em 20/10/2009 às 9:15:03 PM

Existem pessoas que não cabem em obituários, La Sosa era uma destas. Qualquer espaço a ela oferecido deixaria sempre coisa demais, coisa muito relevante, para dizer. Alguém que encantou o mundo fazendo soar palavras velhas como liberdade e justiça passa melhor se não receber falsos elogios de revista retrógrada como é a Veja. O que valeu mesmo foi ver um mestre em cinema deixar de lado a objetividade a todo o custo e conseguir equilibrar um texto apaixonado e sóbrio, denso e leve. Era assim Mercedes que conheci. Um corpanzil imenso e uma voz delicada e terna. Suas palavras serão ainda muito lembradas pois formam o contraponto perfeito em que se pode mensurar a grandeza de uma artista completa com o projeto esquizofrênico de uma revista que deixou todas as suas glórias no passado. Mercedes Sosa morreu nas 26 palavras de Veja mas ressuscitou nas milhares de palavras que tantos de nós gostaríamos de dizer a ela a cada novo dia. Parabenizar seus textos já é lugar comum pois o senhor salta de crítica ao formato Big Brother para o assassinato de reputações praticado por parte da imprensa nada séria do país e de lá o senhor alça voo em busca de bons cronistas de jornais e agora já ressurge aqui tratando de obituários. Há que se amar o ofício para produzir tão diletos frutos.

Domenico Amaral , Santa Maria-RS – Aposentado

Enviado em 20/10/2009 às 8:53:17 PM

Cumprimento ao articulista pelo texto brilhante que emociona a quem, como eu, admirava a arte de ” La Negra” Mercedes. Não deve causar surpresa o “obituário” feito pela veja ( minúscula mesmo) Até em um momento de comoção internacional a veja não consegue libertar-se do viés ideológico. Como Mercedes Sosa combateu as ditaduras latino-americanas e tornou-se um ícone da esquerda, o editor deve ter encomendado o texto para o Reinaldo Jardim ou ao Augusto Nunes. Como poucas pessoas hoje lêem a veja a memória da Mercedes não foi maculada pelo “obituário” ideologizado e preconcveituoso.

André Ricardo Leimovitz , Sao Paulo-SP – publicitário e jornalista e cozinheiro nato

Enviado em 20/10/2009 às 7:16:31 PM

imperdível, emocionante e saborosa a leitura desse texto. Mercedes precisava de alguém de seu porte intelectual para fazer as honras da casa midiática. Uma coisa é certa: Veja passará em brancas nuvens quando cerras suas vendagens. Nem 146 caracteres receberá como pá de cal. Imprimi seu texto para guardar comigo junto com outros. Vc estará ao lado de textos de Brecht, Maiakovski, Pessoa, Drummond e Auden. Obrigado mestre por mais essa aula semanal de jornalismo, crítica da imprensa e cultura sem pedantismo. Ah, o título soou na ironia exata. Para Veja ecsrever as 26 palavras tinha o mesmo lait-motiv do escrivão de polícia que encerra a audiência com as fatídicas e tão criativas palavras: NADA MAIS FOI DITO NEM LHE FOI PERGUNTADO. Barbáro.

Juan Domenico , Campo Grande-MS – tabelião

Enviado em 20/10/2009 às 6:48:53 PM

pena que sua coluna não seja acessível aos milhares de leitores da errática Veja pois assim teria como se reparar a pisada de bola da Abril ao não dar os créditos devidos à grande diva da América Latina. No mais seu texto é um primor de conhecimento, indignação e cultura do continente. Parabéns Washington e não baixe a guarda que as milícias d agrande imprensa estão aí para destruir nossas mais sólidas memórias e enquanto isso só nos resta ver sangrar nossas veias abertas.

Evandro Carvalho , Belo Horizonte-MG – Jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 6:47:43 PM

Veja é uma revista editada [ ]. Parabéns Washington Araújo pelo belíssimo, emocionante e elucidativo artigo.

Jonas Valadares , Maringá-PR – professor de semiótica

Enviado em 20/10/2009 às 6:45:44 PM

Concordo com Cesar Espindola do Ceará e não concordo com Hugo Santos de São paulo. O cearense está certo quando pede que baixem a bola de Veja pois ela não está com essa bola toda não. Já o Hugo Santos está correto quando alerta para que evitemos generalizações já que o obituário de Veja não é toda a revista. Acontece Hugo que o medíocre obituário (tão escasso em palavras quanto a Veja em credibilidade) está todo ele contaminado de ideologia de direita: tinha que reduzir Merces a tocadora de bumbo argentina? tinha que relacionar sua morte com doença do subdesenvolvimento latino americano? tinha? tinha? É por isso que é bem difícil defender Veja nessa situação (e em muitas outras, aliás o autor cita o Che e o livro do Galeano, mas tem também a capa do Stédile pintado de Diabo e tudo) até porque imagino que a seleção dos “mortos a terem obituário na revista” deve passar por uma seleção, depois o texto deve passar por diversa sinstâncias para aprovação. A instância em que o bicho pegou foi a que FILTRA IDEOLOGIA. Duvido que ninguém na revista goste ou seja sensível à arte da cantora tucumenha (de Tucumán, na Argentina)! É õbvio que teve gente graúda da redação querenmdo manipular a história – a nossa história – e como aquele sujeito que apagou Trotsky da célebre imagem de Lênin discursando no Kremlim o chefete ou o dono de Veja, achou por bem apagar Mercedes da história.Crueldade.

MARGARIDA SEBENELLO , GUARUJÁ-SP – PEDAGOGA

Enviado em 20/10/2009 às 6:41:42 PM

enfim !!!, este artigo benvindo !!! vem me lavar a alma, porque nele eu encontro: 1- um protesto contra a omissão da mídia em geral sobre a morte de mercedes sosa, esta fantástica figura universal, imperdível, i- mortal como guerreira sempre necessária e sempre oportu- na… em sua forma poética de encantar cantando verdades e emoções das quais não se deve fugir… a não ser os que se a- covardam e temendo ver e viver a vida como ela é !!! 2- parabéns ao washington araújo tb. por nos disponibilizar aqui artigos anteriores que fizeram jus à grandeza de m. sosa. e por nos oferecer links para músicas por ela cantadas. destaco aque- la histórica com caetano e, sobretudo, esta solo pido a diós …. que não nos permita sermos indiferentes às injustiças … estas que nos rodeiam aos milhares… só este pedido que ela canta doce e fortemente já é um hino à paz e ao amor, independente de ideologia, nação, raça, religião e classe social… será porisso que se evitou fazer-lhe um obituário decente ?! é o amor e a paz que viraram “pieguice” e precisam sair do foco ? 3- atenção: não foi só a veja… foi toda mídia !!! porque ?????? obrigada ao observatório e ao washington araújo.

Cesar Espíndola , Fortaleza-CE – Jornalista diplomado

Enviado em 20/10/2009 às 6:27:29 PM

Caro Hugo, vamos com calma, você dá importância demasiada ao obituário da Veja. Essa seção não é lá “essas coisas” que você pensa não. Mercedes Sosa é muito maior do que a Veja, quanto mais a seção obituário.

sonia maria góes shafa góes shafa , porto feliz-SP – educadora humana voluntária

Enviado em 20/10/2009 às 6:26:01 PM

Querido amigo Tom Araújo, grata apela excelente matéria, pela vibrantee amor por esta criatura, tão grande como o seu amor pelos povos oprimidos do mundo. Sempre me inspirou e continuará inspirando minha alma com seu canto interior, sua alma pura, capaz de nos comover e nos fazer desejar sermos melhores e comprometidos com o bem-estar humano. Quando soube do seu falecimento imediatamente fui escutar “Gracias a La Vida”pois só quem sofreu e amou de maneira tão genuína e universal pode “Dar Graças a Vida” e manter sua alegria interior… e mobilizar outros corações. Para mim, uma das melhores influencias da Ame´rica e da minha própria vida como hoje uma Mulher Bahá i voltada a causa Maior, o serviço a todos os povos humanos. E ela foi capaz de repassar esta dimensão e patamar de desenvolvimento interior como mulher de uma nova época.Estava faltando esta homenagem.Um abraço Sõnia

Cesar Espíndola , Fortaleza-CE – Jornalista diplomado

Enviado em 20/10/2009 às 6:23:15 PM

Parabéns pelo excelente texto, faz justiça à memória da maior intérprete latinoamericana. Quanto a Veja, é como disse o Laurindo lalo leal: “é a maior revista norte-americana escrita em português”.

Hugo  Santos , São Paulo-SP – –

Enviado em 20/10/2009 às 6:14:47 PM

Sou leitor da Veja e ouvinte eventual das músicas de Sosa, mas não compactuo plenamente com sua ideologia, nem com a do autor. Sou também leitor assíduo deste OI e leio muitas críticas destemperadas contra a Veja, tão destemperadas quanto o obituário citado. Mas este autor foi diferente; preciso e matematicamente conciso na crítica. Só discordo em generalizar com o restante da revista, pois quem escreve o obituário não escreve as demais matérias, e pautar-se por só isso é limitado. Entretanto esta seção não pode ter a liberdade de opinar ou ironizar dos colunistas, apenas sintetizar em poucas palavras os aspectos marcantes da vida do relevante falecido, afinal, se ela fora uma simples tocadora de bumbo, não merecia figurar no obituário da Veja. Parabéns Washington Araújo.

Rosario Sotomayor , Rosario/ARGENTINA-IN – periodista

Enviado em 20/10/2009 às 5:53:20 PM

enquanto oirmos gracias a la vida que nos ha dado tanto y pasan los dias pero no pasan o que Yo siento… como ahogar ese sentimiento… volver a ser de repente tan fragil como un niño… hasta siempre Mercedes. Congratulaciones al periodista por su bellas palabras de desagravio a la memoria de la Negra.

Renan Andrade Araujo , Fpolis-SC – jornalista e professos UFSC

Enviado em 20/10/2009 às 5:50:12 PM

Jane de Tarzan é muito mais relevante aos míopes olhos de Veja que Mercedes Sosa para a história latinoamericana. Um espanto o azedume da revista para qualquer ícone de ideias libertárias. Na verdade Mercedes foi tragada na mesma onda de lama levantada pela Abril contra Che, Galeano, Leonardo Boff, Noam Chomsky, Niemeyer. A revista não perdoa desalinhamento com sua visão estreitíssima de mundo. É tudo no estilo direita, volver! Parabéns pelo belo e saborso texto em que pese se tratar do mais instigante obituário que já li.

Cleide Faligary , Recife-PE – crítica literária

Enviado em 20/10/2009 às 5:46:18 PM

Pincei de texto do Luiz Antonio Magalhães em 13/3/2007 “(…) Na verdade, as duas notinhas são auto-explicativas e demonstram que quando todo mundo acha que não dá para o semanário da Editora Abril piorar, o pessoal da Veja se supera e revela que não há limites para o rebaixamento do jornalismo à propaganda ideológica de quinta categoria.” Destacar com três vezes mais palavras a vida e morte de Mercedes Sosa o tal fotógrafo da Vogue de 92 anos, demonstra à larga quão dispensável é a leitura de Veja nos dias que correm. Eles deviam se penitenciar e publicar mesmo com atraso esse seu texto. É o mínimo que poderiam fazer para reparar o estrago e o desmemoriamento gritante de uma revista quarentona.

Henrique Coutinho , Brasilia-DF – chefe de gabinete

Enviado em 20/10/2009 às 5:04:57 PM

O título mais interessante que já para texto tratando de como não fazer obituário impresso. Foi de lascar o petardo de Veja contra a memória de 300 milhões de latinoamericanos, sempre amantes da boa música e das boas causas. O obituarista de Veja merecia ser demitido por justa causa ou lesa direito de memória da humanidade. Há muito a rveista perdeu seu rumo e seu prumo e espero sinceramente que seja criada uma CPI para investigar toda a equipe de diretores da revista. Deve haver algum departamento apenas para venda de notícias plantadas pois nunca vi tamanho festival de cinismo, mau caratismo, hipocrisia e deliberado desejo de ofender opiniões, crenças, sentimentos, brasilidade, latinidade e tantas coisas boas que desejamos cultivar. Meu caro mestre Washington seu texto mexeu comigo porque é sincero e honesto, além de culto e justo. Na medida.

Rita Maria Cerqueira , Rio-RJ – jornalista e pesquisadora de comunicação social

Enviado em 20/10/2009 às 4:59:23 PM

Finalmente um obituário decente digno de entrar em antologia do Gay Talese.

Luiz Antonio Castilho , Brasilia-DF – Doutor em relações internacionais

Enviado em 20/10/2009 às 4:53:18 PM

excelente é pouco, seu artigo lava mesmo a alma da gente e nos consola saber que vivemos no mesmo tempo que Mercedes Sosa. Parabéns. Um texto bem lapidado, correto, honesto como foi lapidada a voz de Sosa, correta sua forma de ver o mundo e honesta sua luta pelas liberdade de todos os seres humanos.

fernando romero , são paulo-SP – administrador

Enviado em 20/10/2009 às 4:40:00 PM

Um obituário a altura da própria revista: nojento! Essa revista não dura muito tempo!

Fred Vasco , Campinas-SP – professor pós graduação unicamp

Enviado em 20/10/2009 às 4:39:41 PM

Morre a fina flor do cancionero latinoamericano e Veja — que se arvora em querer ser indispensável (suprema arrogância) — dá-lhe as costas, a ridiculariza, troca o coração pelo bumbo e ainda lhe pespega vítima do mal de Chagas (como se a Cigarra fosse vítima do subdesenvolvimento balela balela). Mercedes Sosa deveria ter lutado mais e com maior vigor ainda contra o totalitarismo de empresas nebulosas como esta Abril que publica VEJA. Seu texto professor é necessário, urgente, denso e reparador. Se essa revista desaparecesse do cenário midiático brasileiro ninguém sentiria sua falta enquanto que Mercedes ainda vai ser muito ouvida pois ela morre e nasce o mito. Gardel não morreu há trocentos años? E no entanto está vivíssimo. O mesmo já começou com o fenômeno Sosa. POSSO REPLICAR SEU TEXTO EM MINHA REVISTA E SITE?????

Rodrigo Azevedo , Sao Caetano do Sul-SP – jornalista militante/ editor de cultura

Enviado em 20/10/2009 às 4:33:33 PM

A dúvida que tinha quanto às mal dissimuladas intenções de Veja você mesmo as colocou no artigo: === Por que o obituarista de Veja não mencionou uma palavra sobre seu exílio europeu? Essa é fácil. É pra lá de conhecido que os censores do Estado argentino proibiram canções de Sosa, e ela foi para a Europa em 1979, depois de ser detida durante um concerto na cidade de La Plata. Mercedes Sosa se definia com frequência como uma mulher de esquerda, ainda que sempre lembrava ter vocação para a música. === Pobre país que tem revista tão mal-assombrada e dissociada de sua realidade quanto esta bossal obra dos irmãos Civita. Abaixo Veja! Viva Mercedes! Parabéns Araujo! (Escrevi depopis de ir lá no YouTube conferir Volver a los 17… daí a emoção!)

Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP – taxidermista

Enviado em 20/10/2009 às 4:30:52 PM

Há muito tempo a Veja percebeu que o público que ela melhor atinge é o da extrema direita, mas talvez não tenha a idéia exata do quanto à direita ela pode e deve ir para agradar os seus leitores. Mercedes Sosa era tudo o que o Washington falou e mais alguma coisa, mas não tinha a beleza e o charme burguês cultuado por ela e pela Revista Caras, além do que a “Negra” era – e vai continuar sendo por muito tempo – um ícone da esquerda. O artigo é precioso e vale como desagravo, mas francamente tenho dúvidas se não é pura perda de tempo comentar os absurdos propositais e calculados que essa revista comete, até porque, como dizia um político paulista de triste memória: “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim…”

Sergio Villas Boas , SÃO PAULO-SP – advogado e jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 4:22:14 PM

Me admira que o senhor ainda leia Veja, essa publicação recalcada e que só sabe escrever sobre o Brasil que não dá certo. Sua coluna faz uma homenagem tocante à grande artista e dama do canto livre da America Latina. Merece moldura. Conhecia pouco sobre Mercedes Sosa e através dos vídeos indicados em seu texto não consgui conter as lágrimas. Mas um pouco e ser assinante de Veja será o mesmo que ser reacionário, ultradireita, mídia pusilanime, gente que conspira golpes e não deixa rastros. Repassei aos meus filhos a coluna. Meus sinceros parabéns e agradecimento por nos presentear com obituário de alto quilate. La Negra merecia.

Ramon Atynol , BUENOS AIRES-IN – jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 4:14:40 PM

Concordo con todas las latituds y longituds con el commentario del periodista José de Souza Castro (Enviado em 20/10/2009 às 12:57:07) Parabéns, Washington Araújo. Foi a melhor crítica que já li sobre um texto de 26 palavras e 140 caracteres (sem espaço). Cada uma das 2.691 palavras e cada um dos 13.644 caracteres (sem espaço) escritos por esse mestre em comunicação diz muito do caráter do autor, da cantora e da revista.

roberto das graças  alves , pedro leopoldo-MG – advogado

Enviado em 20/10/2009 às 3:46:42 PM

belo texto. a revista Veja se tornou absolutamente dispensável. previsível sua inexorável decadência. não subsistirá no novo mundo da internet.

Max Suel , SP-SP – Engº

Enviado em 20/10/2009 às 2:52:57 PM

VEJA errou. Na edição desta semana, na seção de cartas de leitores, estão publicadas duas cartas criticando abertamente a VEJA pela notícia da morte da grande cantora argentina.

Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS – Diagramador

Enviado em 20/10/2009 às 2:52:06 PM

Em contrapartida ao belo artigo de Washington Araújo, que comenta a síntese deliberada da revista Veja, vejam esta outra pequena pérola que ROGÉRIO MENDELSKI (radialista, cobra criada no viveiro da RBS, hoje comungando seu jornalismo de negócios na Rádio Guaíba, de Porto Alegre) produziu a respeito de Mercedes Sosa: http://www.radioguaiba.com.br/imprimir.Aspx?Noticia=43918 Mendelski é do tipo falso-crítico, falso-comprometido com a ética, dessa turma do Mainardi e afins, devidamente patrocinado para bancar o formador de opinião, por isso não se surpreendam com a estupidez que ele escreveu. Mendelski deu voz “crítica” à RBS durante quase 30 anos, agora a velha Guaíba (ex-Caldas Júnior, hoje da Record), decidiu apostar na penetração que o jornalista-mercador tem junto às elites e aos ouvintes biônicos do Rio Grande do Sul.

Carlos Ayres , Águas Claras-DF – jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 1:01:25 PM

Quero compartilhar esse belíssino artigo mas nao sei como fazer para enviar a mais de 25 destinatários sem que os nomes apareçam abertos a todos os destinatários???

José de Souza  Castro , Belo Horizonte-MG – Jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 12:57:07 PM

Parabéns, Washington Araújo. Foi a melhor crítica que já li sobre um texto de 26 palavras e 140 caracteres (sem espaço). Cada uma das 2.691 palavras e cada um dos 13.644 caracteres (sem espaço) escritos por esse mestre em comunicação diz muito do caráter do autor, da cantora e da revista.

sergio ribeiro , são paulo-SP – bancário

Enviado em 20/10/2009 às 12:54:32 PM

Infelizmente não dá mais para se referir à revista Veja sem usar termos que pareçam ofensivos. Como dizem por aí, chamá-los de burros não é ofensa, mas constatação. Qualquer um que já tenha conhecido a história de Mercedes Sosa sabia de tudo isso que Washington contou, com o brilho habitual de seus textos. Jogar tudo isso fora só por causa de suas afinidades ideológicas não tem outro nome a não ser aquele que usei acima. Sou de esquerda e tenho familiares simpáticos à volta da ditadura, que me oponho ferrenhamente. Nem por isso deixo de admirá-los por tantos atos de generosidade e caridade. Seria muito mesquinho não reconhecê-los.

Celeste Marcondes  Marcondes , São Paulo-SP – aposentada

Enviado em 20/10/2009 às 12:41:35 PM

Gracias a la vida por esse texto. Lavei a alma. Ao ler o obituário de Veja , na sala de espera do Incor , chorei com vontade de gritar, de nojo com a historia do bumbo. Uma semana depois do golpe do Chile, já em Buenos Aires, participei com um milhão de argentinos das passeatas , ao som de bumbos, e protestos contra Pinochet. E lembro da Dorrit cobrindo o golpe pra Veja . Uma matéria boa dentro das possibilidades da ditadura. Gracias , muitas gracias pelo seu texto. Vou deixar pronto um para Veja usar no meu obituário …rsrs

Filipe  Fernandes , New Bedford-IN – Oceanógrafo

Enviado em 20/10/2009 às 12:29:45 PM

Isso só reforça um bordão que venho espalhando à algum tempo: “Veja, quem lê merece!” De qualquer forma seu texto é interessante não só pela crítica, mas também por uma forma moderna fazer obituários/homenagens. Me refiro aos link ào youtube. Foi uma experiência multimédia interessante, e lacrimejante, ler e ouvir.

Jussara Camacho , Porto Alegre(RS)-RS – assessora de imprensa

Enviado em 20/10/2009 às 12:12:28 PM

Gargalhando ainda com o título – muito bem pensado. Conteúdo nota 10. Apenas um Sosa grafado por erro de digitação como Soza. Fecho de mestre: “Pelo jeito Mercedes ainda vai bater seu bumbo por longo, longuíssimo tempo. É que o som do bumbo, em seu caso, toca de forma profunda a alma deste continente.” Sua sacada de remeter o obituário de Veja a mensagem twitter foi genial: a revista foi tendenciosa, sectária, metida a besta, arrogante e prepotente. A maior homenagem a Mercedes Sosa seria um cancelamento de assinaturas em massa. Não posso fazer isso porque já fiz quando saiu aquela famigera capa detonando o Che. Fica aqui a sugestão.

Nota do OI: Obrigado pelo alerta. O cochilo da revisão foi corrigido.

Graça Botelho , Recife-PE – socióloga

Enviado em 20/10/2009 às 12:08:33 PM

Amei o texto pelo lirismo e paixão com que a memória de Sosa é defendida. Aqui temos ela de corpo inteiro. Enviei seu texto para muitas pessoas. Na verdade qualquer divulgação do texto é uma homenagem a essa extraordinária mulher “que tinha um bumbo e que morreu com o mal de Chagas, doença blá blá bla”. Revista pernóstica essa VEJA. Mais dispensável… impossivel.

Ana Maria Toletino , Juiz de Fora-MG – jornalista/pesquisa acadêmica

Enviado em 20/10/2009 às 12:04:42 PM

Posso colocar o texto inteiro em meu blog de comunicação? É que achei estar diante daqueles textos nas palavras do Brecht: imprescindível. Parabéns sr. Araújo. Também sou fã de Mercedes Sosa desde aquele programa citado pelo senjhor em que ela cantou com Milton, Caetano, Gal e Chico Buarque. Foi inesquecível ver seu olhar de cumplicidade para Chico que não conseguia ter voz suficiente para manter as notas altas de Volver a los 17. Naquele momento passei a admirá-la pois todos sabemos que Chico é gênio nas composições mas como cantor é apenas mediano. Nesse caso a situação beirava o constrangimento pois os demais “vopcalistas” eram Milton, Gal, Caetano e La Negra. Foi muito bom o sr ter colocado os links para vermos os vídeos. Quanto a Veja no dia que ela deixar de circular merecerá apenas 3palavras de obituário: JÁ VAI TARDE.

Rejane Malta , SP-SP – Prof. universitária

Enviado em 20/10/2009 às 11:57:43 AM

Deu um banho. Apaixonado e sóbrio seu texto nos recupera a cantora que Veja fez questão de pisotear. Se fosse uma revista minimamente ligada “aos assuntos de nossa América Latina” ou aos “temas lusco-fusco brasileiros” Mercedes e seu bumbo deveria ter sido CAPA da revista.; Se fizesse isso não faria favor algum a qualquer esquerdista empedernido mas se tornaria leitura séria, comprometida com anseios e emoções de nosso povo. Li seu texto guardando a emoção. Apresenta fatos e muitos da vida de Mercedes e prova que ela era realmente INDISPENSÁVEL (Mercedes e não a revista, destaque-se bem) ao ponto de receber alentado texto no obituário do incensado (até demais por essas bandas) New York Times. Como esperar que a rveista Veja desse algum, espaço a alguém que em 60 anos de vida artística teve o desaforo de dizer: “”Esses prêmios que ganhei não são prêmios só porque eu canto, mas porque penso, penso nos seres humanos, na injustiça. Acho que, se eu não pensasse assim, meu destino teria sido outro”?

Reinaldo Vinas , Águas Claras-DF – escritor e jornalista desencantado

Enviado em 20/10/2009 às 11:33:38 AM

Caro Washington obrigado por texto tão oportuno. De 26 palavras e 140 caracteres, um twitter desferido pelos sábios da Abril contra as raízes da América Latina, o senhor conseguiu ecsrever uma peça que fica em pé por si só. De longe a melhor crítica já feita ao tipo de subjornalismo praticado por Veja. Vai para pasta de textos favoritos. Uma aula.

José Oliveira Vidal , Curitiba-PR – professor da ufpr

Enviado em 20/10/2009 às 11:30:18 AM

Dispenso Veja há mais de 6 anos e foi a economia melhor que fiz. Uma revistinha arrogante, aparelhado pelos demotucanos, contra o desarmamento, a favor do Daniel Dantas, contra o Che, a favor do FHC/Serra, contra Eduardo Galeano, a favor das idiotices impressas dos retrógrados como Mainardi e Reinaldo Azevedo… quer mais? Seu necrológio de 26 palavras sobre a voz da Anérica, aquela América profunda e latina foi um desrespeito amazônico para com todos nós. Dispensemos Veja e nossa cultura será melhor, a´lém de melhor nossa percepção da realidade nacional e internacional.

Carlos  Ayres , Brasília-DF – jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 11:25:53 AM

Mercedes Sosa, la Negra, merecia nada menos que um texto desse quilate. Veja como sempre reacionária e metida a indispensável. A revista há muito vem sendo dispensada aos borbotões e o número de leitores ao que me conta diminuiu em 13% nos últimos 2 anos. Maravilhoso artigo. Dessa vez saiu tudo no capricho, com foto que saiu no New York Times, links para músicas e tudo o mais. Parabéns

Francenildo  Aguiar Junior , fortaleza-CE – publicitário/jornalista

Enviado em 20/10/2009 às 11:15:59 AM

Excelenteeeee artigooooo! Pegar a insossa seção de obituários da famigerada Veja e dissecá-la ante os olhos de nós assíduos leitores do OI é um presentaço. Obrigado pela clareza, pela crítica bem feita, pela reparação à memória de nossa melhor intérprete da liberdade m terras tropicais, ao sul do Equador. VOU COMEÇAR A ENVIAR ESSE TEXTO já que não é todo dia que encontramos estofo intelectual na crítica rotinenira da imprensa auriverde.

One Response so far.

  1. Qual o problema de Veja falar apenas vinte‐e‐seis palavras sobre Mercedes Sosa? O foco deles não é arte engajada, e não são de esquerda. Temos mais o que fazer.


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