Meu bom Enélio!

enelio

Brasília, 15 de outubro de 2010

 

Meu sempre bom Enélio,

 

Feliz aniversário meu chapa!

 

E de repente vozes amigas começam a se levantar, uma a uma, formando belo coral a reunir as melhores intenções, aquelas que por tempo indeterminado podem sempre ser abrigados na lado esquerdo do peito, e tendo uma mesma matiz, uma mesma cor, a cor rubra e imagética da amizade e tendo um tom onipresente, o Sol Maior e tudo isso buscado e rebuscado nas imagens múltiplas que formamos na mente e que atendem pelo nome ritmado e amistoso, cidadão e telúrico de Enélio Lima Petrovich.

E também não queria ser deixado à margem dessa longa estrada da gratidão ao sábio e benevolente guardião de nossas memórias mais queridas e mais valiosas. Sim, Enélio. Você conseguiu se tornar parte da gente e não qualquer parte da gente. Você aflorou em nossa melhor parte, aquela que é iluminada pelos potentes refletores do intelecto, essa maravilha divina que distingue nossa espécie dentre as demais nos reinos e meandros da Criação. Enélio Petrovich me faz lembrar em cores vívida Émile Zola. Os dois encontraram nas letras sua maior trincheira e na justiça seu ofício natural. O primeiro francês, o segundo potiguar. Ao francês coube no apagar das luzes do século XIX a missão de reconstruir os pilares da justiça na França e seu libelo “J´Accuse!” (Eu acuso!) é uma das mais instigantes peças jamais escritas em defesa da justiça e da liberdade humana. Ao brasileiro tem sido dada a missão de semear cultura no Estado do Rio Grande do Norte, descobrir talentos literários, incentivar vocações humanistas. De Emile Zola guardo a bela ocasião em que li nos arredores de Marselha que ao ter se insurgido contra a imprensa francesa e contra as forças armadas da França, tudo isso para defender um homem inocente vilmente traído pelos franceses, o capitão judeu Alfred Dreyffus, Zola dedicou o melhor dos seus talentos, seu tempo, suas finanças, sua saúde. E é fato que enquanto na fria madrugada parisiense uma luz bruxuleava (sempre quis usar esta palavra!) no andar térreo da casa do notável escritor, isso era sinal de que a consciência da França estava acesa. No caso de Enélio, sabê-lo com saúde ao redor dos seus, pai devotado, tri-avô serelepe, cuidando do IHGRN como quem cuida de renomado Orquidário, é ter a certeza de que o Rio Grande do Norte vai bem, muito bem. É evidência cabal que o guardião de suas memórias encontra-se atento a tudo e a todos e sempre pronto a defender sua história, sua cultura, seus vultos ilustres. E suas melhores lembranças perpassando décadas e séculos.

            Encontrar Enélio, estar consigo em volta de uma mesa, trocar dois minutos ou três horas de pura prosa é uma acontecimento único, porque são momento de prazer, de enlevo, de satisfação pela mente arguta, pelo riso franco, pela inteligência em alto relevo a nos revelar e desvelar fatos de nossa história, da gente e de nossa cidade, de nossa terra, essa terra em que demos nossos primeiros passos. Ir a Natal e não falar com Enélio traz consigo a frustração de ter estado em Paris e não ter visitado L´Opera ou caminhado por entre bistrôs no Trocadero. Enélio não é uma pessoa. É uma cidade, com ruas, praças, avenidas, bulevares, esquinas e frondosas árvores apontando para o sol nascente. Enélio não é uma estrela potiguar porque para os céus de minha terra ele cresce e se deixar deixando começa a abarca o Nordeste e depois o Brasil já com os dois olhos fincados n´África.

            Enélio tem seus mistérios: domina a arte de recolher amigos novos e antigos com a mesma candura e a mesma fidalguia de quem sabe estar sempre em busca do Graal. E tem mistérios que são puras comoções, dunas de sentimentos bem delineados a se cristalizar na geografia de sua alma peregrina, como a nos dizer uma e mil vezes: “Sabedoria, onde estás?” E foi duplamente abençoado por Deus. Uma vez porque aprendeu a conjugar ao longo de sua vida os atributos da lealdade. Outra vez por compreender desde sua tenra meninice que a luz é boa não importa onde brilhe e que a uma rosa tem perfume não importa em que jardim floresça.

            Tenho saudades de Enélio e vontade de dizer o quanto o estimo, admiro e me sinto bafejado por desígnios superiores para receber o dote de sua fraterna e inquebrantável amizade. Existem homens que não passam impunes pela vida. Existem homens que a vida passa por eles sem no entanto modificar sua retilínea trajetória. Enélio faz o trajeto completo, vai e vem, com a mesma celeridade da criança que nele habita: esta criança chamada fé, em Deus e em seus mais diletos contemporâneos.

            Antes que a emoção comece a dar nós de marinheiro em minha garganta gostaria de acrescentar uma coisa mais:

            Enélio querido mestre e amigo, você é dessas pessoas que mesmo que eu não o conhecesse ainda assim sentiria saudade, imensas saudades de você.

            Meu bom Enélio, que dentre tantas virtudes soube cativar a bela Myriam, mas aí, já é outra “very long shot story”.

 

            Um abraço no coração unindo o Tirol à Redinha.

 

           Washington Araújo

One Response so far.

  1. Márcia disse:

    Bom texto, bons temas. Parabens ao blog.


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