Mudando o conceito, ao menos em parte…

Da série “A gente morre e ainda não viu tudo”. Pois é, nunca vi Xuxa com simpatia. Tudo que é a ela associado carrega aquele clima de marketing exagerado, de hipocrisia televisiva levado às últimas conseqüências. Seja quando insiste em falar ao estilo infantil “tatibitati”, seja pela profusão de lugares-comuns com que responde a qualquer pergunta que lhe é dirigida; seja pelo sorriso sempre armado, mesmo quando está querendo ser dramática, trágica, ainda assim consegue arrematar tudo com um sorrisinho para captar a pretensa emoção sentida. Definitivamente vejo Xuxa e sua imagem como tudo o que privilegia a erotização precoce das crianças e lhes rouba boa parte da inocência original. É claro que Xuxa é o que é graças (ou desgraça) ao que a Rede Globo fez com ela: um produto tipo canivete suíço. Tanto serve para vender sandálias quanto para vender discos da SomLivre de baixa qualidade musical. Serve para alavancar contribuições do programa Criança Esperança e para encher manhãs e tardes de qualquer semana, mês ou ano. Agora é chamada para dar um lustro em sua mitologia: a boa moça vítima de abuso na infância, pedida em casamento por Michael Jackson, eterna viúva de Senna sem nunca haver casado e mãe exemplar da adolescente Sacha. De quebra, um aumento substancial no Ibope do Fantástico, aquele programa com clima de fim de feira há tantos anos mantido por sua contratante. Mas, tenho que torcer o braço: seu desabafo milimetricamente planejado e gravado sobre abuso sofrido quando criança por parte de três adultos amigos da família (pessoas que ela declara nem saber os nomes ou paradeiros) levou a uma enxurrada de denúncias contra pedófilos junto aos órgãos públicos. Ao menos por isso credito a Xuxa esta vitória da cidadania e dos direitos humanos.

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