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Blog do jornalista Washington Araújo

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Leia aqui os comentários sobre temas do dia a dia. Jornalismo, direitos humanos, opinião. E também literatura. Um espaço para vocalizar anseios de populações vulneráveis: índios, afrodescendentes, mulheres, meninos de rua. Finalmente um blog que trata da diversidade humana e da cidadania mundial...


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Convite Lançamento do Livro


Nunca é cedo para homenagear Drummond

1/01/09

E agora, José?

 

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

 

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?

Houve um tempo em que a minha janela

30/12/08

Último dia de 2008 e o ano vira passado, objeto futuro de pesquisadores. Os temas mais falados, escritos, televisados e blogados nesses finais de 2008 são os atinentes à crise financeira internacional, à posse em 20 de janeiro de 2009 de Barack Obama. Abstraindo-se do mundo e de seus signos e códigos linguísticos, o momento é bom para ler e reler o texto da poeta Cecília Meireles (1901-1964) falando de um tempo que ainda pode ser… nosso.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê- las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Eça… esse sabia das coisas!

29/12/08

“E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal, e que se chamava o Babismo.” Eça de Queirós, citado em “A correspondência de Fradique Mendes”

O texto, por saboroso e instigante, merece ser disponibilizado em maior extensão:

Então, com a familiaridade que se ia entre nós acentuando, perguntei a Fradique o que o detivera assim na Pérsia um ano inteiro e um dia como nos contos de fadas. E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal, e que se chamava o Babismo. Atraído para essa nova seita, por curiosidade crítica, para observar como nasce e se funda uma religião, chegara pouco a pouco a ganhar pelo Babismo um interesse militante–não por admiração da doutrina, mas por veneração dos apóstolos. O Babismo (contou-me ele, seguindo por uma viela mais solitária e favorável as confidências), tivera por iniciador certo Mirza-Mohamed, um desses Messias que cada dia surgem na incessante fermentação religiosa do Oriente, onde a religião é a ocupação suprema e querida da vida. Tendo conhecido os Evangelhos Cristãos por contacto com os missionários; iniciado na pura tradição mosaísta pelos judeus do Hiraz; sabedor profundo do guebrismo, a velha religião nacional da Pérsia — Mirza-Mohamed amalgamara estas doutrinas com uma concepção mais abstrata e pura do Maometismo, e declarara-se Bab. Em persa Bab quer dizer Porta. Ele era, pois, a porta –a única porta através da qual os homens poderiam jamais penetrar na absoluta Verdade. Mais literalmente, Mirza-Mohamed apresentava-se como o grande porteiro, o homem eleito entre todos pelo Senhor para abrir aos crentes a porta da Verdade–e, portanto do Paraíso. Em resumo era um Messias, um Cristo. Como tal atravessou a clássica evolução dos Messias: teve por primeiros discípulos, numa aldeia obscura, pastores e mulheres: sofreu a sua tentação na montanha: cumpriu as penitências expiadoras: pregou parábolas: escandalizou em Meca os doutores: e padeceu a sua paixão, morrendo, não me lembro se degolado, se fuzilado, depois do jejum do Ramadan, em Tabriz. (…)

Assim conversando, penetramos no adro da mesquita de El-Azhar, onde mais fulgurante e estridente tumultuava a festa do Beiram. Mas já não me prendiam as surpresas daquele arraial muçulmano–nem almées dançando entre brilhos de vermelho e de ouro; nem poetas do deserto recitando as façanhas de Antar; nem Dervixes, sob as suas tendas de linho, uivando em cadência os louvores de Alá… Calado, invadido pelo pensamento do Bab, revolvia comigo o confuso desejo de me aventurar nessa campanha espiritual! Se eu partisse para Tebas com Fradique?… Por que não? Tinha a mocidade, tinha o entusiasmo. Mais viril e nobre seria encetar no Oriente uma carreira de evangelista, que banalmente recolher à banal Lisboa, a escrevinhar tiras de papel, sob um bico de gás, na Gazeta de Portugal! E pouco a pouco deste desejo, como duma água que ferve, ia subindo o vapor lento duma visão. Via-me discípulo do Bab– recebendo nessa noite, do ulemá de Bagdá, a iniciação da Verdade. E partia logo a pregar, a espalhar o verbo babista. Aonde iria? A Portugal certamente, levando de preferência a salvação às almas que me eram mais caras. Como S. Paulo, embarcava numa galera: as tormentas assaltavam a minha proa apostólica: a imagem do Bab aparecia-me sobre as águas, e o seu sereno olhar enchia minha alma de fortaleza indomável. Um dia, por fim, avistava terra, e na manhã clara sulcava o claro Tejo, onde há tantos séculos não entra um enviado de Deus. Logo de longe lançava uma injúria às igrejas de Lisboa, construções duma Fé vetusta e menos pura. Desembarcava. E, abandonando as minhas bagagens, num desprendimento já divino de bens ainda terrestres, galgava aquela bendita Rua do Alecrim, e em meio do Loreto, à hora em que os Diretores Gerais sobem devagar da Arcada, abria os braços e bradava: “Eu sou a Porta!”

Como produzir jornalismo para uma sociedade da superabundância de informação?

28/12/08

Agradeço ao Blog do GJOL por levantar, juntamente com este cidadão do mundo, a questão do excesso de informação e da escassez de contexto. 

Nossa sociedade claramente moveu-se da situação de escassez para a situação de super-abundância de informação (information overload), mas o jornalismo continua funcionando pela lógica da escassez. Este é um ponto de partida para uma aula completa, onde a pergunta básica colocada é: “Para onde o jornalismo deve caminhar para ajustar-se à nova realidade de fluxos de informação?” A proposição-chave é no sentido de produção de histórias mais longas (contexto, contexto, contexto…), ao invés de simplesmente mais e mais histórias. A discussão da situação e uma série de propostas estão em uma aula (cerca de 60 minutos) de Matt Thompson, que sintetiza pontos fundamentais de uma pesquisa que está realizando no Reynolds Journalism Institute da University of Missouri. Além do vídeo da aula, onde diversos exemplos são apresentados, estão disponíveis os slides utilizados por Thompson. Tudo isso no Newless.org .

Copie e Cole

27/12/08

 

Se tiver que copiar alguém copie a você mesmo. Mesmo esses dois cidadãos da figura ao lado conservam intacta sua identidade. Copiar e colar estão nos limites da superfície. Pensar e sentir se encontram mais além. E não há limites para os dois movimentos neste além. Copie um dia bom e cole dois dias na memória de amanhã. Um copiar e um colar sempre estarão ao alcance da mão. Mas antes precisam estar bem próximos do coração, dos sentimentos, das percepções para que a vida se faça em completude. Cole apenas o que for bom, escancaradamente bom. Um pôr-do-sol mexicano não se copia. Um amanhecer suiço não se cola. Mas a sensação de bem-estar do observador permanece e finca raízes. Nos dois movimentos havia todo um mundo por desvendar. E a certeza de que se você tiver que copiar alguém, não abra mão de seu direito maior, copie a você mesmo. Feliz ano novo.

Quinto evento marcante de 2008: Planeta em risco

26/12/08

Apenas no ano de 2008, as plataformas de gelo na ilha de Ellesmere, no Ártico canadense, perderam 23% de sua área. Os desprendimentos de blocos de gelo totalizaram 214 quilômetros quadrados de áreas de plataformas, mais do que o triplo da área da ilha de Manhattan, em Nova Iorque. Para pesquisadores as perdas ressaltam a rapidez das mudanças que estão ocorrendo no Ártico. (V. foto acima)

Superaquecimento global e as mudanças climáticas decorrentes são dois temas que venceram as barreiras dos círculos científicos e ganharam largo espaço na mídia nos últimos tempos. 

O IPCC, organismo da ONU, publicou relatório no qual avalia que durante o século passado a temperatura média da superfície da Terra subiu de 0,4°C a 0,8°C. Com a autoridade de sua construção na consensual visão de 600 cientistas de 40 países, o documento aponta para um cenário sombrio: perdas de grandes áreas de gelo na superfície, aumento da temperatura e elevação do nível do mar, enchentes e o desaparecimento de áreas costeiras, furacões mais freqüentes e fortes em algumas áreas, secas e estiagens em outras; devastadoras alterações na flora e na fauna também são prognosticadas. 

Em contraposição, respeitáveis segmentos do mundo científico negam que o aquecimento global seja uma realidade. Ou, ainda, discordam das conseqüências alardeadas, sustentando que a terra é resistente às mudanças climáticas, que as plantas e os animais irão adaptar-se, sendo improvável que algo catastrófico aconteça como conseqüência do aquecimento global. 

Será, então, o aquecimento provocado pelo aumento dos gases do efeito estufa um perigo real e imediato? Quais os seus sinais mais contundentes? Há consenso científico a respeito da sua efetiva ocorrência e dos efeitos que possam produzir na vida em todas as suas formas de existência? Sendo um perigo real e imediato, essa “verdade inconveniente” pode ser enfrentada e a cada um de nós, de forma individualizada, no exercício dos deveres da cidadania, pode ser possível contribuir, eficazmente, no seu combate.

Quarto evento marcante de 2008: Crise financeira mundial

25/12/08

Uma série de instituições financeiras, de bancos de varejo a seguradoras, já registraram perdas bilionárias, foram nacionalizadas ou quebraram no último ano, em decorrência da crise financeira que se originou nos Estados Unidos e se alastrou pela Europa, principalmente. Indiretamente, porém, centenas de outros países são afetados,como o Brasil, por exemplo, onde a falta de crédito preocupa. Na Europa, temendo os efeitos colaterais, outras nações decidiram garantir os depósitos dos correntistas nos bancos, para evitar uma corrida de saques.

ESTADOS UNIDOS

  • Bear Stearns - Era um dos maiores banco de investimentos dos Estados Unidos quando foi vendido, no início do ano, ao JPMorgan Chase, em operação coordenada pelo Fed. O Bear chegou perto de ir a falência devido ao seu envolvimento com a crise do crédito imobiliário de alto risco (”subprime”) nos EUA, raiz da crise que afeta a economia mundial.
  • Fannie Mae e Freddie Mac - No início de setembro, o governo americano resgatou as duas maiores financiadoras de hipotecas do país, em um acordo que poderá custar até US$ 200 bilhões aos contribuintes do país. Elas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA.
  • Countrywide Financial - O Bank of America chegou a um acordo para adquirir a financiadora imobiliária por US$ 4 bilhões, em uma operação de troca de ações.
  • Lehman Brothers - O quarto maior banco de investimentos dos EUA pediu concordata em setembro, depois que, sem ajuda federal, não conseguiu fechar a sua venda para nenhuma instituição. Assim, se transformando no primeiro grande banco a entrar em colapso desde o início da crise financeira. Parte dos seus ativos foi vendida ao britânico Barclays.
  • AIG - A seguradora AIG (American International Group) conseguiu uma injeção de US$ 85 bilhões do governo americano para aumentar sua liquidez (crédito em circulação) e evitar a quebra, no mesmo destino do banco de investimentos Lehman Brothers
  • Merrill Lynch - O banco acertou a sua venda para o Bank of America (segundo maior banco dos Estados Unidos), por US$ 50 bilhões, no mesmo dia em que o Lehman Brothers quebrou.
  • Goldman Sachs e Morgan Stanley - Dois dos grandes bancos de investimentos que sobraram nos EUA foram autorizados pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano) a se tornarem bancos comerciais. A mudança no status permite que eles criem bancos que poderão tomar depósitos, amparando os recursos de ambas instituições, e tenham o mesmo acesso que outros bancos comerciais aos planos de empréstimo da emergência do Fed.
  • Washington Mutual - No que foi considerado a maior falência de um banco americano, o Washington Mutual foi fechado pela FDIC (o órgão garantidor de contas bancárias) e a maior parte das suas operações vendida ao JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão. Com sede em Seattle (Oeste), era o sexto banco americano em ativos. A aquisição criou a maior instituição americana de depósitos e poupança, com mais de US$ 900 bilhões em depósitos.
  • Wachovia - O banco, um dos maiores dos EUA, chegou a ser negociado para o Citigroup por cerca de US$ 2,2 bilhões com a assistência da FDIC, mas acabou vendido para o Wells Fargo. Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia.
  • Freedom Bank - O banco regional declarou seu fechamento e se tornou a 17ª companhia bancária a quebrar no país neste ano. De acordo com a FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation, a agência americana de garantia de depósitos bancários), o Freedom Bank tinha US$ 287 milhões em ativos. Os depósitos foram adquiridos pelo Fith Third Bank, de Grand Rapids (Michigan).

EUROPA

  • Northern Rock - O banco britânico foi nacionalizado em fevereiro, sendo um dos primeiros atingidos diretamente pela crise os EUA. O parlamento britânico aprovou uma lei de caráter emergencial que deu ao governo poder para assumir a instituição pelos 12 meses seguintes.
  • UBS - O banco suíço, um dos primeiros e dos mais atingidos pelos efeitos da crise, teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de US$ 328,45 milhões e já cortou 6.000 empregos desde o ano passado. Só em abril, o UBS lançou no seu balanço mais US$ 19 bilhões em prejuízos com os empréstimos imobiliários “subprime” (de alto risco) e foi ao mercado buscar o dinheiro para fechar os rombos.
  • BNP Paribas - O banco francês foi o primeiro afetado pela crise, que deflagrou uma onda de incertezas em agosto do ano passado, quando congelou cerca de 2 bilhões de euros (cerca de US$ 2,73 bilhões) em fundos, citando as preocupações sobre o setor de crédito “subprime” nos EUA –até então, o termo que não ocupava tanto espaço no vocabulário do mercado financeiro.
  • Fortis - O grupo bancário e de seguros belgo-holandês foi afetado por papéis da crise “subprime” –as ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Para devolver liquidez (dinheiro disponível para crédito) ao Fortis, os governos de Holanda, Bélgica e Luxemburgo injetaram US$ 16,4 bilhões no banco, recebendo em troca 49% das ações nos braços nacionais da instituição. No começo de outubro, o BNP Paribas chegou a um acordo para obter o controle de suas atividades bancárias.
  • Bradford & Bingley - O Reino Unido nacionalizou a financiadora de hipotecas e créditos imobiliários, que em dificuldades por conta da crise nos EUA, teve parte das operações assumida pelo Santander.
  • HBOS - O banco britânico Lloyds TSB comprou o Halifax Bank of Scotland, maior credor imobiliário cotado no Reino Unido, por 12,2 bilhões de libras (US$ 22,2 bilhões). Com a fusão, os atuais acionistas do Lloyds TSB ficam com aproximadamente 56% do capital do Lloyds TSB, enquanto os atuais acionistas do HBOS, com 44%.
  • Hypo Real Estate - A instituição alemã, também do crédito imobiliário, obteve US$ 69 bilhões do governo e de um consórcio de bancos para se salvar. O acordo contempla que em até um montante total de 14 bilhões de euros, o Estado assuma 40% e os bancos, 60%, dos riscos que seriam derivados se o HRE tivesse que usar os créditos.
  • Glitnir: - Em setembro, o governo da Islândia comprou 75% do terceiro banco local por cerca de US$ 900 milhões.
  • Landsbanki - O governo da Islândia assumiu o controle total sobre o segundo maior banco do país, em uma operação equivalente à nacionalização, para permitir a continuidade das operações comerciais e bancárias. A intervenção ocorre após a Rússia ter concedido à Islândia um crédito de 4 bilhões de euros para ajudar o país a sair da crise financeira que ameaça seu sistema bancário.
  • Kaupthing - O banco, maior instituição de crédito da Islândia, se tornou o terceiro nacionalizado no país em três dias. A medida tem como objetivo evitar o colapso do país, informou a FME (Autoridade Supervisora Financeira Islandesa). A medida foi tomada por iniciativa própria do Kaupthing, cuja direção renunciou em bloco, segundo um comunicado do banco.
  • Dexia - O franco-belga Dexia recebeu uma injeção de US$ 9,2 bilhões da Bélgica, França e Luxemburgo para continuar operando e foi nacionalizado. O Dexia foi fundado em 1996 a partir da junção dos bancos France’s Credit Local e Belgium’s Credit Communal.
  • Unicredit - O banco italiano anunciou que vai cortar 700 empregos do setor financeiro no próximo ano, como parte do plano de redução de custos decidido depois da crise financeira mundial. Neste ano, o banco já cortou 300 postos de trabalho. O Unicredit foi afetado gravemente pela crise e se viu obrigado a anunciar um aumento de capital de mais de 6 bilhões de euros.
  • ING - O grupo bancário holandês recebeu uma injeção de capital estatal de 10 bilhões de euros (R$ 28,4 bilhões) do governo. O grupo se tornou, assim, o primeiro banco do país que vai usar parte dos 20 bilhões de euros (R$ 56,8 bilhões) que o governo holandês, como muitos outros no mundo todo, colocou à disposição das entidades financeiras para enfrentar à situação.
  • KBC - Após resgatar o Fortis e o Dexia, o governo da Bélgica injetou 3,5 bilhões de euros (cerca de US$ 4,34 bilhões) no KBC, único grande banco do país que ainda não tinha recebido ajuda. O KBC, presente em Flandes (norte da Bélgica) e na Europa Central e do Leste, “emitirá 3,5 bilhões de euros em títulos para o Estado belga, a instâncias de iniciativas similares em todo o mundo”, indicou a instituição bancária belga em um comunicado.
  • Banco Português de Negócios - O governo de Portugal decidiu nacionalizar o Banco Português de Negócios (BPN) para salvá-lo da bancarrota. O banco atua no exterior apenas através de uma filial brasileira (Brasil Banco Múltiplo). Nesta crise, seus maiores erros foram cometidos na África, onde o Banco Insular de Cabo Verde foi comprado em 2002. O BPN não informou sobre a aquisição ao regulador português, e foi através desta filial que foram feitas as operações que levaram a entidade a números vermelhos.

Sonhe

24/12/08

Neste dia em que tudo conspira a favor das mais nobres aspirações optei por compartilhar um texto de Clarice Lispector (1921-1977). Vale pela sabedoria e despojamento de seu conteúdo. Poderá servir para cada dia do novo ano. 

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.


Para aqueles que se machucam.

Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.


Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.

A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.”

Clarice Lispector

Irã: A História não costuma… passar a mão na cabeça!

23/12/08

Nas últimas 48 horas, em Teerã, a truculenta polícia do Estado acaba de fechar o escritório daquela que certamente deve ser a mais proeminente mulher iraniana nesta alvorada do século XXI: Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz de 2003.

 Gostaria de não mais me surpreender com notícias como estas pois no Irã liberdade de pensamento e de crença é artigo de alto luxo e nenhuma Maison  Chanel teria para oferecer aos sofridos iranianos que ousaram pensar e crer livremente, tendo como guia sua própria consciência interior, algo tão abstrato e fugidio que sempre estará fora do alcance das forças obscurantistas da repressão.

 Para fechar o escritório de Shirin Ebadi, uma magistrada, a primeira mulher iraniana a se destacar no judiciário daquele pais e uma conhecida defensora dos direitos humanos, nem foi necessário ter em mãos o habitual mandado judicial. É que no Irã os direitos mais comezinhos que dão acesso ao código civilizatório parece ser diariamente pisoteado. Na esteira desses e outros acontecimentos sombrios, onde o sol dos Direitos Humanos parece ser impedido de irradiar sua luz, encontramos toda uma comunidade religiosa à mercê de toda forma de arbitrariedade: são os 300.000 membros da Comunidade Bahá’í daquele pais.

 Após cumprir um real abecedário de violações, que incluíram desde a destruição dos lugares sagrados dos bahá’ís até a prisão e sentenciamento à morte de muitos desses cidadãos, encontramos ainda a intimidação e o seqüestro de bens, o confisco sumario de suas posses, a profanação de seus cemitérios, a suspensão do pagamento dos proventos de seus aposentados e, como o saco de maldades sempre resta algo mais, nos últimos quatro ou cinco anos a pressão física e psicológica tem se voltado com fúria aos estudantes bahá’ís, aos jovens bahá’is que são impedidos de estudar em universidades de todo o pais por cometerem o desatino – sim, no Irã de hoje continua sendo um desatino! – de professar uma crença que abraça todas as religiões, que promove a igualdade de direitos para homens e mulheres, que defende a abolição de toda forma de preconceito de classe, cor e credo, mas também jovens – como seus pais e avôs o fizeram em passadas gerações – que acreditam devotamente na unidade de Deus, na unidade da religião e na unidade da humanidade.

 É chegado o momento de todos os que detêm poder e autoridade revisarem as lições deixadas pela História. Estas lições dão conta que o futuro não abriga os que praticam o mal como estilo de vida, não é leniente com quem se compraz em exterminar grupos minoritários e muito menos tem sido tolerante com quem esquece que o que pode distinguir um ser humano de outro nada mais é que a nobreza de um caráter. A História, felizmente, tem deixado um rastro luminoso de justiça, soterrando iniqüidades (e seus vistosos autores) e, de quebra, relegando a notas de rodapé as biografias dos que hoje sacrificam os postulados da dignidade humana sobre o altar de seu poderio ocasional, temporal e efêmero.

Polícia iraniana fecha escritório de Nobel da Paz

22/12/08

Teerã (AFP) — A policia iraniana fechou o escritório do grupo de direitos humanos liderado pela Nobel da paz Shirin Ebadi no domingo, disse a AFP o diretor suplente do Centro dos Defensores dos Direitos Humanos, Narges Mohammadi.

“Eles selaram o escritório e nos estão dizendo para deixar a propiedade sem resistir”, disse Mohammadi. “A Sra. Ebadi também está lá. Não temos outra opcão além de sair”.

Ela disse que dezenas de policiais se reuniram em frente ao escritório do grupo na região noroeste de Teerã e que os oficiais não “mostraram um mandado judicial mas apenas deram o número do mandado”.

Ela disse que os policiais uniformizados invadiram o escritório e fizeram um inventário do seu conteúdo.

O grupo tinha marcado para realizar uma celebracão atrasada que marcasse o 60º aniversário do Dia dos Direitos Humanos no dia 10 de dezembro.

O encerramento marca uma intensificação na repressão dos direitos dos ativistas por parte da república Islâmica, que o grupo de Ebadi acusa de “violar sistemáticamente” os direitos humanos.

Ebadi condenou a repressão no domingo e prometeu que os defensores dos direitos humanos no Irã não estão impressionados.

“Fechar as portas do escritório sem um mandado é ilegal e nós vamos protestar”, ela disse à AFP por telefone.

“Obviamente tal ação não passa uma mensagem positiva para outros ativistas no Irã, mas os meus colegas e eu iremos cumprir com o nosso dever sob qualquer circunstância,” ela disse.

Fundada por quatro advogados proeminentes e liderado pela ganhadora do Nobel em 2003, o grupo é crítico da situação dos direitos humanos no Irã e vem defendendo prisioneiros de consciência, incluindo dissidentes muito importantes e ativistas estudantis.

 Em um relatório anual em maio o grupo de Ebadi reclamou que “liberdade de expressão e de circulacão de informacão vêm declinando mais” desde que o Presidente Mahmoud Ahmadinejad assumiu em agosto de 2005.

 “A falta de uma real e efetiva observância dos direitos humanos aumenta a distância entre as pessoas e o governo e quebra os pilares da paz, estabilidade e desenvolvimento no país,” alertou no momento.

 No Dia dos Direitos Humanos, Ebadi deu uma palestra em Genebra fazendo um chamado a que as organizações não governamentais tenham um papel mais importante no Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos e em outros organismos.

O grupo realiza reuniões frequentes sobre o que consideram que sejam violações dos direitos humanos. Em um encontro recente, renovou seus apelos para que o Irã pare de executar pessoas que são sentenciadas por ofensas cometidas ainda mais quando estas fazem parte de minorias.

Em novembro, Ebadi criticou o novo código penal do Irã, afirmando que este permanece injusto para com as mulheres e que nele foi utilizado uma interpretação “incorreta” do Islã.

Em abril, ela disse que recebeu ameaças de morte penduradas por um alfinete na porta do seu escritório adevertindo-a a “observar sua língua”.

Ahmadinejad subsequentemente ordenou que Ebadi fosse protegida e que as ameaças fossem investigadas.

Em 1974, Ebadi foi considerada a primeira juiza mulher no Irã, mas depois da revolucão Islâmica de 1979, o governo decidiu que as mulheres não são aptas para servirem como juízas.

Ela escolheu ser advogada e dedicar-se aos direitos humanos de mulheres e crianças.

Ebadi e seus colegas também representam a familia da foto-jornalista canadense-iraniana Zahra Kazemi, que morreu enquanto estava em custódia em 2003 depois de ser presa por fotografar uma demonstração nas vizinhanças de uma prisão em Teerã. 

Descanse

22/12/08

Então uma amiga me envia email dizendo que precisa muito descansar, que o fim de ano é sempre muito cheio de coisas e que quer ficar quietinha em seu canto. Resolvi lhe responder:

Descanse querida, descanse… mas não descanse em paz que não é bom  para ninguém! Descanse com o som do riso de amigos, com o barulho harmonioso de abraços recebidos, com o leve balanço de uma alegria qualquer no ar, descanse lembrando das muitas amizades que você soube manter e até mesmo recriar ao longo desse ano que se vai, descanse das conversas irritantes, do som das palavras sopradas pela mediocridade, descanse dos atrapalhadores de vida - aquelas pessoas que sobrevivem apenas pela possibilidade de infernizar o Carpe Diem dos demais, descanse um bocado, mas que seja um descanso de velhos hábitos que já não servem mais… apenas não descanse de nossos rostos felizes, de nossos sorrisos nascidos bem lá dentro da alma e fique sim quietinha, quietinha, para nos receber com doce aconchego nas proximidades do coração… a verdade é que você é ótima, descansada ou não, você é a Tania que nos faz felizes e que continua sempre acreditando que tudo é possível desde que haja amor.

*  *  *

A propósito, o que fazer com essas amizades que teimam em eistir mesmo correndo todos os riscos de longas derrapagens? O que fazer quando uma amizade vale mais pelas alegrias passadas que pelos diálogos e gestos do presente? O que fazer quando ficamos recusando a nós mesmos o ritual final de que uma velha amizade findou? São questões em aberto.

As quatro fotos são do aconchegante Hotel Villa Amor, em Sayulita, México

Império do Non-sense

22/12/08

Um muito criativo agricultor, desses que se encaixam no perfil de Macmaníaco, residente no Japão revolveu cultivar frutas, mais especificamente maçãs, não licenciadas com a marca Apple. A técnica consiste em aplicar adesivos com as formas sobre a casca das frutas quando elas ainda são novinhas e mantê-las durante todo processo de maturação. A falta de sol naquela área provoca a descoloração da casca, “tatuando” dessa forma a fruta, sem que seu sabor sofra alteração… pelo menos é o que afirmam os japoneses envolvidos nessa plantação… Bem, as fotos aqui mostradas não são truques de photoshop, são as próprias maravilhas.

É curioso como notícias como essa correm mundo e são sempre buscadas e replicadas por infindáveis internautas à procura de, vamos dizer, novidades. Tenho recebido muita coisa estranha, exótica, diferente mesmo. Mas como essas maçãs? Nunca. Daí que decidi chamar a atenção para elas. Que ninguém é de ferro. E também não me perguntem qual o preço das maças tecnologicamente cultivadas!

Google Zeitgeist 2008 - Quais as palavras mais pesquisadas em 2008?

21/12/08

Foi divulgada a lista anual dos termos mais pesquisados no Google em 2008. É uma lista muito interessante, com o resultado da preferência nas buscas em diversos países ao redor do planeta. As palavras mais procuradas do planeta foram: 1. sarah palin 2. beijing 2008 3. facebook login 4. tuenti 5. heath ledger 6. obama 7. nasza klasa 8. wer kennt wen 9. euro 2008 10. jonas brothers

Alguns comentários: Estranho que encabece a lista Sarah Palin, a candidata a vice presidente dos EUA com John  McCain. Mas quem acompanhou o noticiário daquele país nos últimos 90 dias deve lembrar que muitas declarações da governadora do Alasca foram polêmicas ou preconceituosas e, então, isso é um atrativo a mais para se inteirar melhor sobre a personagem e sua visão de mundo. As Olímpiadas de Pequim (não gosto muito da grafia Beijing) foi o grande evento internacional de 2008. O tema “Um mundo, um sonhoâ”, a criatividade chinesa para acender a pira olímpica, o show de sincronização de milhares de percussionistas, vestidos como samurais no espet’culo de abertura dos jogos entram de cara na história de um ano que futuramente será mais lembrado por sua semelhança com a grande depressão econômica de 1929.

Entre os 10 termos mais pesquisados do Brasil em 2008 estão pelo menos 4 nomes de websites muito conhecidos e populares entre os brasileiros: orkutyoutubemsnglobo. O que demonstra o hábito dos brasileiros de não se aventurar a digitar nomes muito comuns e corriqueiros na Web como Orkut, Youtube, MSN etc. A lista dos 10 mais no Brasil é a seguinte: 

1. orkut 2. jogos 3. download 4. fotos 5. youtube 6. videos 

7. musicas 8. musica 9. msn 10. globo

Há mais brasileiros do que nunca com acesso à  Internet, agora somos cerca de 48 milhões de usuários segundo dados IBOPE/NetRatings. E o ano de 2008 foi agitado por eleições municipais, olímpiadas, crise econômica, eleições norte-americanas e a mega-crise financeira que continua abalando a economia mundial. O Google Zeitgeist mostra os principais interesses dos brasileiros na web, as buscas que mais cresceram, as que perderam popularidade em relação ao ano anterior e o dia a dia de quem acompanha futebol, política, economia e as celebridades.

Em tempo: Zeitgeist = palavra alemã que significa “espírito do tempo”, “espírito da época”.

New York Times lança megaportal de widgets

20/12/08

 O NYTimes.com, edição online do diário americano The New York Times, lançou em caráter experimental o site Times Widgets, por onde usuários podem customizar widgets - pequenas aplicações online que exibem conteúdo de outros sites - baseados nas milhares de feeds RSS do jornal, informou o site britânico dotJournalism. Os widgets, que podem ser embutidos em páginas pessoais, blogs e sites de rede social, são criados a partir de feeds sobre uma editoria específica, como negócios, tecnologia e esporte, ou a partir de tópicos em evidência no Times Topics, seção do NYTimes.com que reúne notícias sobre temas quentes da atualidade. Usuários já podem criar e adicionar os widgets do New York Times a serviços como Blogger, iGoogle e Netvibes, além de sites pessoais e blogs. É esperado que em breve usuários possam embutir as aplicações online. O site Times Widgets, disponível apenas para usuários cadastrados no NYTimes.com, segue o lançamento na semana passada do Times Extra, uma homepage alternativa do diário virtual, baseada em conteúdo agregado.

Leia mais… que a vida mesmo não passa na tv!

20/12/08

Mais de meio século depois da televisão constatamos a poderosa força de atração de corações e mentes que o veículo possui. Se antes a leitura fazia parte de nossa higiene mental diária hoje tudo se faz diante da TV. Com isso passamos pelo mundo como observadores contumazes de notícias no formato vídeo-clip.  Na falta de imagens de ação os artistas da animação gráfica são chamados a supri-la. Atrofiamos, por assim dizer, nosso poder de análise, nosso senso crítico, nosso contato regular com os fundadores de nosso idioma pátrio. Neste ano em que celebrou-se o centenário de morte de Machado de Assis torna-se urgente perguntar como seria a produção literária do bruxo do Cosme Velho se na época já existisse a televisão. Teria sido ele um roteirista de novela, de mini-séries, de filmes? Os personagens já seriam criados tendo em vista o veículo que lhe daria vazão e publicidade? Saberíamos então como seria a Capitu e o jeito muito específico de se ter olhos de cigana, de ressaca, e tudo isso, visto pelo olhar do próprio autor. Mas mesmo que tal idéia possa parecer tentadora, pelo menos a uma primeira vista, o fato que teríamos perdido a conexão maior com o idioma que usamos para balbuciar nossas primeiríssimas palavras. Penso que foi muito bom que o advento da televisão somente vingasse lá pela metade do século XX. Isso permitiu que grandes talentos surgissem e pudessem embalar boa quantidade de gerações nascidas e ainda as não-nascidas.

Terceiro evento marcante de 2008: Obama

19/12/08

Em menos de 50 anos a grande Nação do Norte conseguiu virar de forma contundente uma história de perversidades contra os negros, os afrodescendentes daquele país. A eleição do primeiro negro para o comando do país sinaliza para a atenuação de conflitos raciais  de triste memória. Não podemos esquecer que o racismo é um dos mais terríveis males a assolar a humanidade. Que esteja, pois, com seus dias bem diminuídos.

Publicidade responsável

19/12/08

Se os recursos naturais do planeta são limitados, então, como poderíamos consumir ilimitadamente? É certo que isso ocorra? Estamos à volta com o aquecimento global, com os danos irreversíveis à Natureza. As queimadas na Amazônia e em tantos outros lugares do planeta continuam acontecendo. E não é falta de denúncia. É falta, apenas e tão-somente, de amor ao planeta. Nosso lar comum.

Conferência Nacional de Direitos Humanos aprova moção em favor dos Bahá’ís no Irã

18/12/08

BRASÍLIA, 18 de dezembro — Foi aprovada na 11° Conferência Nacional dos Direitos Humanos, realizada em Brasília entre 15 e 18 de novembro, uma moção em favor dos Bahá’ís no Irã, que repudia a perseguição sistemática que a comunidade bahá’í vem sofrendo por parte do estado iraniano.

 A aprovação desta moção significa o reconhecimento dos movimentos nacionais de direitos humanos de que a política externa brasileira precisa se posicionar frente à violação dos direitos humanos que ocorrem em outros países, como no caso do Irã. Este posicionamento do Brasil passa a ser ainda mais importante no atual contexto de aproximação científico-cultural entre os dois países.

 A moção repudia especialmente a prisão dos sete lideres que coordenavam as atividades da comunidade de 300.000 bahá’ís no país, e dos três jovens de Shiraz, que realizavam atividades voluntárias e humanitárias. Os sete líderes foram presos em maio passado sem uma justificativa legal. Em 1980, todos os nove líderes da comunidade bahá’í do Irã também foram presos e se presume que mortos, já que nunca mais se escutou falar neles. Um ano depois, quando a liderança foi reconstituída, oito dos novos nove membros foram presos e mortos.

 A Conferência contou com a presença de 1.500 pessoas representando o Estado e a sociedade civil. O Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva participou do evento no primeiro dia junto ao Ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e do Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia. A Comunidade Bahá’í do Brasil foi representada por Mary Caetana Aune, que atualmente faz parte da Coordenação do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos.

 Sete eixos temáticos foram debatidos por grupos de trabalho durante os segundo e terceiro dias da conferência, incluindo entre outros os temas “Universalizar direitos em um contexto de desigualdades”, “Desenvolvimento e Direitos Humanos”, e “Educação e Cultura em Direitos Humanos”, sendo este último facilitado pela representante da Comunidade Bahá’í do Brasil. Os grupos de trabalho votaram o texto base oriundo das discussões definindo assim as diretrizes para o novo programa nacional de direitos humanos.

 Foram distribuídos cerca de 1.000 exemplares do  boletim de assunto externos - edição especial  sobre a perseguição aos bahá’ís no Irã.  

Segundo evento marcante de 2008: Água em Marte

18/12/08

O dia 30 de julho de 2008 foi uma data importante para a astronomia. Em um comunicado à imprensa, a Nasa, agência espacial americana, anunciou que a sonda Phoenix havia tocado uma amostra de água em Marte. “Temos água”, disse o cientista William Boynton, da Universidade de Arizona, ao depositar uma amostra do material em instrumentos especiais que detectaram a existência de vapores de água. (…) Já a própria agência espacial americana divulgou outro levantamento em junho desse ano, desta vez baseado no solo do planeta. As amostras recolhidas mostravam um solo muito mais alcalino que o previsto, mas ainda sim com nutrientes suficientes a ponto de permitir a existência de vida no local.

A descoberta de um ambiente propício a abrigar vidas também foi feita em uma das luas de Saturno em novembro desse ano. A situação, no entanto, é bem mais complexa que a marciana. A uma temperatura de -180º Celsius, Titã é fria demais para abrigar qualquer coisa próxima à vida como conhecemos, segundo cientistas.

Mas novos estudos reportam fracos sinais de um campo eletromagnético natural na grossa nuvem que a cobre. Esse campo é similar à energia irradiada por relâmpagos na Terra. Como acredita-se que foram os relâmpagos que desencadearam as reações químicas que iniciaram a vida em nosso planeta, essas evidências mostram um ambiente propício ao surgimento de vidas.

De planeta a plutóide
Enquanto cogita-se a possibilidade de existência de vida em Marte, Plutão, que havia sido rebaixado da categoria de planeta em 2006, passou a se chamar plutóide esse ano. A definição serve para corpos que orbitam o Sol além de Netuno. Entre os pré-requisitos, eles precisam ter forma esférica e não podem ter varrido outros corpos menores de suas órbitas. A nomenclatura foi dada pelo comitê-executivo da União Astronômica Internacional em junho.

Primeiro evento marcante de 2008 - Olímpiadas na China

16/12/08

Esse ano os chineses fizeram questão de mostrar que a tecnologia chegou para remodelar tudo e todos, começando pela recepção dos atletas e turistas nos aeroportos que foram recebidos por Robôs que entendem cinco línguas diferentes e podem responder a um grande número de perguntas feitas , até a própria tocha Olímpica que não escapou da Tecnologia e ganhou um pequeno tubo de gás propano, capaz de queimar por 45 minutos sem reabastecimento. Pouco é, comparado ao GreenPix, que todos que tiveram o prazer de ver a abertura conferiram uma parede composta pelo maior display de LEDdo mundo. Alimentado por foto-eletricidade, essa parede sustentável cobre a fachada do Complexo de Entretenimento Xicui em Beijing, mostrou e mostrará uma série de vídeos e performances. 

Mais uma vez, assim como na abertura, a Cerimônia de Encerramento contou com muitas luzes, fogos e tecnologia. 2.583 luzes e equipamentos de iluminação que pesavam mais de 300 toneladas foram usadas no evento. Após o céu de Pequim brilhar, a organização repetiu o início dos Jogos e, ao som de tambores, centenas de artistas estiveram no palco. Dois tambores gigantes flutuavam no Estádio Nacional e, pendurados a eles, dois artistas tocavam os instrumentos. Aos poucos os tambores iam sumindo e os atletas, carregando suas respectivas bandeiras, entravam no local em fila. Maurren Maggi portou a bandeira do Brasil e, com um largo sorriso no rosto, mostrava sua medalha de ouro conquistada no salto em distância. Em seguida, todos os atletas que participaram da competição entraram no estádio e fizeram uma grande festa.

A organização dos Jogos não deixou de homenagear os voluntários do evento. O Comitê Olímpico Internacional (COI) deu flores para 12 desses voluntários. Eles foram escolhidos entre os 100 mil que trabalharam nas instalações, mas também representaram 1,6 milhão de outros que ajudaram os organizadores do evento nas áreas de segurança, transporte, informação e serviços de alojamento. Além de Jimmy Page e Leona Lewis, mais música marcou o fim dos Jogos de Pequim. Ninguém menos que Plácido Domingos, que formava os famosos Três Tenores ao lado de Luciano Pavarotti e José Carreras, cantou com a cantora chinesa Song Zuying. Mais fogos e a surpresa estava por vir. O ator chinês Jackie Chan apareceu no centro do palco da cerimônia e, com o microfone nas mãos, não se intimidou e soltou a voz na cidade de Pequim.

Disparado, no coração deste jornalista que se pretende cidadão do mundo, o mais belo registro de multidões acontecido em 2008.

Quando o racismo será página virada da História?

16/12/08