Torturar é negar o humano que existe em cada um de nós.

Torturar é buscar extorquir de dentro da experiência humana isso que atende pelo nome de alma.

Torturar é o verbo daqueles que perderam completamente o sentido da vida e o sabor dos frutos e os aromas das flores primaverís e os regatos onde colocávamos os pés nas tardes de verão e as paisagens da alma que se abrem para o Sagrado.

Torturar é diminuir o semelhante, aumentando a dessemelhança entre o racional e o irracional,
o angélico e o humano, o humano e o animal.

Torturar é exilar a voz da consciência para as paisagens gélidas da Sibéria
ou para o clima tórrido do Saara africano.

Torturar é aumentar o combustível para fogueira da Inquisição, hoje representada majoritariamente pelo uso indevido e usurpador dos que tem poder de polícia.

Torturar é violentar a humanidade que, em forma de semente, luta para nascer no coração dos que amam.

Torturar é suplicar, com um fio de voz, antes passando pelos tribunais das consciências livres,
a absolvição plena e total da vítima de tortura.

Feito esses considerandos fica decretado por todos os cidadãos de boa vontade,
em qualquer lugar, país, estado, cidade, bairro, rua ou casa onde residam, que:

Artigo 1o.

Quem tortura será condenado a negar o humano que existe em cada um de nós

Artigo 2o.

Quem tortura será condenado a extorquir de dentro do espírito humano isso que atende pelo nome de alma

Artigo 3o.

Quem tortura será condenado a esquecer todas lembranças da infância

Artigo 4o.

Quem tortura será condenado a não mais reconhecer a voz da mãe que embala o filho nos braços

Artigo 5o.

Quem tortura será condenado a viver eternamente nas paragens mencionadas
por Dante Alighieri ao descrever em A Divina Comédia o que é o Inferno.

Artigo 6o.

Quem tortura será condenado a esquecer a diferença entre verão e inverno,
primavera e outono, noite e dia, amor e desamor, verdade e mentira, ir e vir, sonhar e ter pesadelos

Artigo 7o.

Quem tortura será condenado a continuar fazendo o trabalho sujo de remover
cadáveres dos campos de Auschwitz, Treblinka e Sobibor.

Artigo 8o.

Quem tortura será condenado a viver como eterno estrangeiro em qualquer terra
por onde ande, em qualquer espaço onde finque os pés.

Artigo 9o.

Quem tortura será condenado a olhar os outros sempre com um dedo lhe
apontando as faltas, designando ante o sol do meio dia a culpa que lhe cabe.

Artigo 10o.

Quem tortura será condenado a perder a sua condição de humano.

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