Pierre Weil, reitor da Universidade da Paz, psicólogo, escritor

O livro: “CUBA: CANTANDO EM LÁGRIMA VIVA” é um reflexo do profundo humanismo que inspira seu autor e traduz a grande experiência de um comunicador ímpar. O livro nos coloca em contato com o drama de um povo insulado, cujo os esforços meritórios no campo da educação e saúde, contraste com áreas políticas bastante sombrias. Me identifico bastante, com sua preocupação com a problemática conteporânea do tempo de transição do antigo para o novo paradigma. Meus parabéns por este livro corajoso e que prima pelo espírito de equanimidade. PIERRE WEIL REITOR UNIPAZ

Flávio R. Kothe, doutor e livre-docente em letras, escritor, poeta, tradutor de Kafka para o português, dentre outros.

Depois do rescaldo da Queda do Muro como sintoma da falência do socialismo europeu de Estado, depois de passados alguns anos do corte no financiamento direto e indireto de Cuba pela União Soviética, este livro de Washington Araújo, produto de uma viagem de 17 dias em fevereiro de 1996, vem trazer um depoimento sobre o que ele encontrou na ilha. Enfrenta com cautela o desafio de que, quanto mais curta a estadia, mais longo o livro, pois o contato com o socialismo caribenho lhe serve para confrontar preocupações da vida inteira, determinadas desde a sua infância, quando seus pais se viram obrigados, durante a ditadura militar, a sair do Nordeste, até a sua conversão à Fé Bahá’í, conforme conta em livro anterior, Nova Ordem Mundial – Novos Paradigmas, publicado em 1994. O ralato sobre Cuba é, por um lado, um relato jornalístico sobre a experiência lá vivida e, por outro, um teste sobre a concretização da utopia. Passa pela descrição de monumentos e museus, pela recordação de episódios da história colonial, relembrando a grande dificuldade que a população teve para conseguir a independência, mas tem o privilégio de ainda contactar com combatentes e líderes revolucionários. A preocupação religiosa e ética do autor leva-o, porém, a se fazer perguntas sobre o sentido dos heróis nacionais e dos monumentos culturais. Relembrando a história mundial, lamenta que a maior parte dos grandes líderes se caracterize por seus feitos bélicos, pois acredita que a humanidade deve tratar de se entender e unir. Cuba continua sendo o signo da não vitória total do capitalismo e da hegemonia absoluta dos Estados Unidos no mundo. O autor relata, porém, os efeitos devastadores do embargo norte-americano no cotidiano dos habitantes. Lembra o avanço que a revolução representou para a saúde e a educação, para a eliminação da fome e da miséria, para a elevação do nível cultural e da expectativa de vida. Mostra, porém, o outro lado da moeda, o aumento dos problemas desde que a bancarrota da União Soviética determinou o cessar das várias formas de subsídio que beneficiavam a população da ilha. Vem ocorrendo o aumento de doenças transmissíveis, o nível de vida está caindo, tem diminuído o número de calorias consumidas por habitante, quase não há carne para comer, os salários são baixíssimos, etc.: a página 89 é, nesse sentido, a mais importante do depoimento. É de se lastimar que o pouco tempo da estadia e seu caráter basicamente oficial não tenham permitido ao autor perguntar por que o país, após 30 anos de revolução, não podia sequer produzir as bicicletas de que precisava, qual foi o modo de operar com intelectuais que se contrapuseram à monocultura no país? Mais que isso: onde está o problema dentro do modo de produção que não lhe dá condições de ter a produtividade do capitalismo avançado? Algumas respostas começam, no entanto, intuitivamente a aflorar no texto, quando fala da abertura do sistema para o capital internacional, para o turismo de fora e, principalmente, para o surgimento de pequenas empresas, onde as pessoas podem ganhar a mais em um dia do que um médico em um mês. Será que o novo sistema tem condições e vontade de fazer o antigo sobreviver, protegendo o calcanhar de Aquiles do socialismo europeu, que foi a sua falta de produtividade num pé e a precariedade dos serviços no outro? OU se abre aí o espaço para uma contradição, em que a busca de melhores condições de vida há de se forçar o sistema a alterar a sua natureza, sobrepondo interesses econômicos individuais a princípios éticos que se pretendem gerais? O livro de Washington Araújo é o testemunho de um percurso, uma reflexão e um depoimento, onde se podem perceber conquistas concretas da revolução, adivinhar tensões presentes e futuras, ver como a utopia se modifica em contato com a realidade, que ela mesma ajuda a transformar. Concorde-se ou não com as suas posições religiosas e políticas, ele oferece o testemunho enganjado de quem procura cooperar, a seu modo, no processo de aproximação entre os povos eendendimento mundial, num horizonte além de qualquer nacionalismo estreito e xenófobo.

Luiz Gushiken

Li o seu livro esta noite num só fôlego: 2 hrs, e 40 minutos… Creio que isto é o suficiente para mostrar o interesse que o seu trabalho despertou. Há 6 anos estive em Cuba, onde, inclusive, desfrutei de longas conversas com Fidel, mas não consegui maiores contatos com o povo cubano. Sempre soube das características maravilhosas daquele povo, e sempre me ressenti de não poder divulgá-los com a beleza e respeito como você o faz em seu livro. PARABÉNS.

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