– Que é a verdade? – disse zombando Pilatos e não esperou pela resposta.” Assim começa Bacon seu Ensaio sobre a Verdade. E Pilatos tinha mesmo razão em não esperar pela resposta: as duas correntes filósoficas dominantes na época – o Epicurismo e a doutrina da Nova Academia – concluíam pela não existência de uma resposta plausível para a questão. Os séculos passaram e encontramos, resistindo ao tempo, a confissão súplice e ardente de Santo Agostinho: “Ó Verdade, Verdade! Quanto intimamente suspiram por ti as medulas de minha alma!”

O que são anjos? É uma pergunta que preenche o espaço entre a terra e o céu e, causando estupefação em uns, ceticismo em outros, permanece, como uma torre construída no Alto e alongando-se em direção à terra… eis que temos uma resposta. Escoando, na ampulheta do tempo as últimas colunas de areia deste segundo milênio, a busca pelo sagrado volta à “ordem do dia”, resgatando a mítica busca do homem por seu Criador, despertando estados íntimos de suas almas, tocando o recôndito de suas consciências espirituais, desafiando suas mentes, subjugando doutrinas e ideologias – estamos diante dos resultados precoces de uma Era que se fartou a sí mesma e que se tivesse que ser definida por uma única palavra, esta palavra seria mecânica. Uma época mecânica. Nem heróica, devocional, filosófica ou moral.

Voar! Eis o mais acalentado sonho do homem em todos os tempos. Ser leve como um pássaro. Ser o Ícaro cujas asas não derretessem ante a proximidade do sol e, após uma longa noite do tempo, um dia o sonho tornou-se realidade: as leis da aerodinâmica foram descobertas e o que era sonho transformou-se em um feixe de necessidades. Em um breve paralelo, o vôo do espírito humano ocorre quando duas condições fundamentais são atendidas: leis espirituais são descobertas e observadas e o desejo ou necessidade espiritual é nutrido.

Essas leis são descobertas e ensinadas ao homem desde um tempo que não tem início pelos fundadores das Grandes Religiões, Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Cristo, Maomé, Bahá’u’lláh. E quanto à necessidade? Já existe. É sintomático constatar que segundo pesquisa da American Health Magazine (Jan/Fev/1987), 30% dos americanos que disseram não acreditar na vida após a morte, afirmam terem estado em contato com os mortos. A revista Newsweek (Nov/1994) também publicou pesquisa de opinião pública sobre o renascimento da espiritualidade na sociedade norte-americana: 13% dos americanos consultados afirmaram ter visto ou sentido a presença de um anjo em suas vidas e nada menos que 33% dos adultos entrevistados disseram ter vivenciado uma experiência mística/religiosa. A Angel Records, que produziu o compact-disc Chants, com cantos gregorianos apresentados pelo Coral dos Monges Beneditinos de São Domingos de Silos já atingiu a marca 2,8 milhões de unidades vendidas. Um best-seller mundial é o recente livro do papa João Paulo II, Cruzando o Limiar da Esperança. É também crescente o número de celebridades, como o tenista André Agassi e o escritor David Mamet que em entrevistas afirmam “ter encontrado Deus” em suas vidas. Hollywood continua a explorar o filão dos filmes que abordam experiências após a morte e estes filmes são sucesso de bilheteria em diversas partes do mundo. Na era cibernética, vemos os programas criando uma realidade virtual e tendo, literalmente, anjos estereotipados, é verdade, como guias.

No Brasil, os livros que frequentam, ano após ano, as listas dos mais vendidos têm conteúdos voltados para (des)sacralização dessas figuras aladas que vez por outra movem-se no Universo ou oferecem roteiros para experiências místicas. É nessa atmosfera rarefeita de uma espiritualidade manifesta (manifestus = manus = tornar palpável) que encontramos o desafio da transcendência e o surgimento de uma busca (ou sede) interior, mesmo que muitas vezes nem os sedentos saibam articular quais suas reais necessidades. Daí o rápido progresso nos últimos anos das filosofias relacionadas com a Astrologia, o I Ching, a New Age, a Seicho-No-Iê, a Teosofia, a Conspiração Aquariana, a Antroposofia, a Igreja Eletrônica, o Raj-Neesh, o Tarô e tantos outros. Tratá-se de uma atualização do pensamento de Cícero que teria afirmado que “não há povo tão primitivo que não admita a existência de deuses, ainda que se engane sobre a natureza” e uma constatação da afirmação de Plutarco de que “podeis encontrar uma cidade sem muralhas, sem edifícios, sem ginásios, sem leis, sem cultura das letras, mas um povo sem oração, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, tal nunca se viu.”

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