OS LIVROS SAGRADOS da Humanidade são o elo místico que une a humanidade ao seu Criador, impulsionam a civilização e fundam os preceitos para a vida em sociedade, através do aperfeiçoamento individual. As palavras detêm uma força, magia e inebriante beleza que cativa os ouvintes de corações puros e sinceros, fornecendo a cada ser humano que as ouve um sentido nobre para sua existência. É-nos inconcebível um mundo sem os sopros vivificadores da Divindade. Em todos os tempos, a história registra a presença da Palavra Sagrada permeando mentes e corações e forjando o progresso material e espiritual. Considerando que Deus não pode ser concebido ou objetivamente conhecido – uma vez que esta Realidade Suprema está além de nosso entendimento racional – Ele é, Oculto enquanto Essência e é Manifesto através de seres humanos que Ele escolhe e que, com o manto de profeta revela-nos, pelo Seu Verbo, de época em época, a Sua Vontade. Nos Livros Sagrados, Bhagavad-Gita, Antigo Testamento, Tri-Pitakas, Novo Testamento, Alcorão e Kitáb-i-Aqdas, encontramos o “verbo feito carne” nos templos humanos de Krishna, Abraão, Moisés, Buda, Jesus Cristo, Maomé e Bahá’u’lláh. Em todas estas Escrituras o homem é poderosamente convocado para seu Criador, através do exercício de virtudes como o amor, a bondade, a compaixão, a justiça, a eqüidade e a retidão. É a transcendência, a meta de cada indivíduo saber que, colocando sua vida em conformidade com os preceitos divinamente ordenados, propicia o cumprimento do objetivo de sua criação: conhecer e adorar a Deus.

O Bhagavad-Gita.

Também referido como Sublime Canção, Canção do Senhor ou a Mensagem do Mestre é um dos pilares da literatura sagrada mundial. Neste Livro, Krishna, que viveu na Índia antiga há mais de 5.000 anos, apresenta uma mensagem de amor, fé e esperança. Reverenciado por budistas, hindus e brâmanes, é também, por excelência, o livro autoritativo da religião hindu. Sua filosofia é um episódio da antiga epopéia hindu, chamada Mahâbhârata (Maha = grande, Bhârata = Índia), que compreende 250 mil versículos, descrevendo a grande guerra entre os Kurus e os Pândavas. A batalha tem início quando Brishma, comandante dos Kurus, deu o sinal, tocando a sua corneta ou concha e logo respondido pelos Pandâvas. Arjuna pede então a Krishna no princípio da batalha que deixasse parar o carro no meio do espaço entre os dois exércitos e eis que vê de perto seus parentes e amigos, em ambos os lados, ficando horrorizado por constatar que tratava-se de uma guerra fraticida, dizendo a Krishna que preferia morrer inerme e sem se defender, do que matar seus parentes. A resposta de Krishna é um comovente discurso filosófico, que forma a maior parte do Bhagavad Gita. Escrito na melhor tradição dos livros sagrados, a luta aqui relatada não é outra que a luta travada no espírito humano do Bem contra o Mal. A supremacia do espírito sobre o egoísmo, paixões e prazeres mundanos. Sua leitura nos leva a diversos níveis de compreensão de verdades místicas e esotéricas.

Diz-nos Krishna:

Eu sou a Origem de tudo. O universo inteiro de Mim emana.

Os sábios, que são Minha imagem e semelhança, conhecendo esta verdade, dirigem-se a Mim com adoração.

O Homem real, o Espírito, não pode ser ferido por armas, nem queimado pelo fogo; a água não o molha, o vento não o seca nem move.

Quem conhece a verdade de que o Homem real é eterno, indestrutível, superior ao tempo, à mudança e aos acidentes, não pode cometer a estultice de pensar que pode matar ou ser morto. Sabei que o Ser Absoluto, de que todo o Universo tem o seu princípio, está em tudo, e é indestrutível. Ninguém pode causar a destruição desse Imperecível. Todo o ser e toda coisa são o produto de uma infinitésima porção do Meu poder e da Minha glória. Quem tudo faz em Meu nome; quem Me reconhece como o alvo de todos os seus mais nobres esforços; quem Me adora, livre de apegos e sem odiar a ninguém, esse chegará a Mim. É também uma canção apaixonada do Criador por Sua criação, abrindo-lhe imensas veredas para seu progresso no mundo do espírito. Milhões de seres humanos continuam se deleitando com a profundidade deste Canto e nele, seguem encontrando as energias interiores que podem revitalizar sua vida e aperfeiçoar seu caráter.

O Antigo Testamento.

Antiga Aliança e Pentateuco são outras designações do livro sagrado dos judeus que, complementado com o Novo testamento ou o Evangelho de Cristo, formam a Bíblia Sagrada, o livro mais lido no mundo. Os judeus são os descendentes do pequeno povo de Israel e o Antigo Testamento conta sua história entre 1800 e 500 anos antes de Cristo. Em doze séculos, o Povo da Bíblia recebeu diversos nomes. Primeiro, Hebreus, antes de sua entrada no país de Canaã, aproximadamente em 1235 a.C.; depois o Povo de Israel, quando se estabeleceram em Canaã, até o exílio – por volta de 1235-586 a.C.; e finalmente, os Judeus, em 536 a.C., após o exílio. Os mais antigos vestígios do texto bíblico foram descobertos em 1947, nas proximidades do Mar Morto, rolos de pergaminho de 2.000 anos, conservados em jarras. Na Idade Média, os monges copiavam a Bíblia em pergaminhos. O Antigo Testamento pode ser classificado em cinco grupos distintos: A Lei, Os Livros Históricos, Os Livros Poéticos, Os Profetas e Os Livros Deuteronômicos. Foi redigido em dez séculos, não sendo assim obra de um único autor, mas de uma imensa gama de escritores, na maior parte anônimos. Nesta epopéia religiosa, anterior à invenção da escrita, transmitida oralmente de pai para filho, há milênios, há estilos bastante diversificados: narrativas históricas, como o Livro dos Reis; contos, como Jonas; poemas, como em Cântico dos Cânticos; orações, como os Salmos; ensinamentos, como Provérbios. É interessante observar que a ordem de classificação dos textos bíblicos não correspondem à ordem cronológica em que foram escritos: a primeira página da Bíblia foi escrita no século VI a.C.; as seguintes, quatro séculos antes; enquanto que o conto de Jonas escrito no século IV a.C. precede o livro do profeta Miquéias datado do século VIII a.C. Foi o primeiro livro impresso por Gutenberg, em 1450, dando início ao que chamamos de “galáxia de Gutenberg em expansão”. Em 1980, foram vendidas 10 milhões de Bíblias, em 275 línguas. É um livro que desde sua existência inspira poetas, pin-tores, escultores, escritores e pensadores de diferentes raças, etnias e nações. Erasmo (1469-1536) sintetiza, assim, a importância desse livro através dos tempos: “Eu desejo que a Bíblia seja traduzida em todas as línguas, para que os escoceses, irlandeses, assim como os turcos e os árabes a possam ler e compreender. Eu gostaria que o lavrador a cantasse seguindo seu arado, que o tecelão a cantarolasse enquanto tecesse e que o viajante esquecesse seu cansaço relendo suas histórias.” O Antigo Testamento se inicia com a narrativa da Criação, que é um belo poema dedicado à glória de Deus: No começo, Elohim criou os céus e a terra. A terra era deserta e vazia e o espírito de Elohim planava acima das águas. — Genêsis 1:1-2 Épico, relatando a aventura do homem buscando conhecer e amar seu Criador, encontramos em suas páginas as mais emocionantes elocuções poéticas: Não tenha medo, eu o resgatei, eu o chamei pelo seu nome, você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você e os rios não vão submergí-lo. Quando você andar no meio do fogo, você não se queimará e a chama não o consumirá. Pois eu sou Javé, seu Deus, o santo de Israel, seu salvador. Não tenha medo, pois estou com você. Juntarei o seu povo do oriente e do ocidente. Direi ao norte: dê! e ao centro: não segurem, aproximem meus filhos de longe e minhas filhas da extremidade da terra, todos aqueles que se chamam com o meu nome, todos aqueles que, para a minha glória, eu criei, formei e fiz. — Isaías 43:1-7

A narrativa contempla histórias que formam o inconsciente coletivo da raça humana: Adão e Eva, Caim e Abel, Torre de Babel, Arca de Noé, Abraão, Nascimento de Isaac, Expulsão de Ismael, Sacrifício de Isaac, Luta de Jacó, José do Egito, Sarça Ardente, Saída do Egito, Travessia do Mar, Lei da Aliança, Davi contra Golias, a estrangeira Rute e centenas de outras. O nome de Deus é formado neste Livro por consoantes que não podem ser pronunciadas. É o Tetagrama Sagrado. Elohim, Deus, Javé, Jeová, Adonai são nomes substitutos como o Senhor, Todo-Poderoso, o Pai. Javé, em hebraico, lê-se da direita para a esquerda: HWHY.

O Antigo Testamento conservou apenas as quatro consoantes do nome de Deus. Esse nome que vem do verbo ser, pode ter três significados: (1) Eu sou quem eu sou, (2) Eu sou aquele que é, (3) Eu sou quem eu serei. A lei fundamental é: “Você amará Javé, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu poder.” (— Deuteronômio 6:4) e “Você amará a seu próximo como a si mesmo.” — Levítico 19:18

Tão poderoso é o texto bíblico, que vem inspirando ao longo do tempo o comportamento humano, estabelecendo as bases da legislação da grande maioria dos países do mundo, que encontra nos Dez Mandamentos a base do seu ordenamento jurídico, moral e ético:

  • Você não terá outros deuses além de mim.
  • Você não fará idolos.
  • Você não falará em vão o nome de Javé.
  • Lembre-se do dia de Sabá para o santificar.
  • Honre seu pai e sua mãe.
  • Não mate.
  • Não cometa adultério.
  • Não roube.
  • Você não prestará falso testemunho contra o seu próximo.
  • Você não vai cobiçar a casa do seu próximo; você não vai cobiçar a mulher do próximo, nem seu criado, nem sua criada, nem seu boi, nem seu asno, nada que pertencer ao seu próximo. — Exodo 20:3-17

Diz-nos, ainda, este Livro Sagrado:

A Deus pertencem os pilares do mundo. Sobre eles Ele colocou a terra . . . — Samuel 1:2-8

Que minha língua se cole no céu da boca caso eu não louve Jerusalém com toda a minha alma! — Salmos 137:6

Javé me disse: eu coloquei minhas palavras na sua boca! — Jeremias 1:9-10

Vou dispersá-lo entre as nações — Levítico 26:33

Aquele que dispersou Israel o reunirá de novo. — Jeremias 31:10

Escute, Israel, os preceitos e as sentenças que digo. Vocês vão aprender e vão cuidar de colocá-los em prática. -— Deuteronômio 5:1

E a pontificar sobre o sequioso espírito humano, temos este belo Salmo de Davi: Javé, meu Deus, eu chamo durante o dia, grito de noite na sua presença, que chegue a você a minha oração, ouça o meu clamor. E para você eu grito, Javé, desde o amanhecer a mi–nha oração o procura. Porque Javé rejeita a minha alma, me esconde a sua face?” — Salmo 88

O Tri-Pitakas.

Em sânscrito significa As Três Seções das Escrituras Budistas, compreende o Sutra-Pitaka (Sermões), o Vinaya-Pitaka (Preceitos da Fraternidade Budista) e o Abhidarma-Pitaka (Comentários). Sidarta Gautama, o Buda, nasceu em 556 a.C., filho único do rei Suddhodana e de sua esposa Maha Maya, em Kapilavastu, no sopé do Himalaia, atual Nepal. Ele foi a Grande Luz da Ásia. Também conhecido como o Sakyamuni, ou o “Sábio do Clã Sakya” por seus adeptos budistas, abandonou a vida principesca, vindo a se tornar um mendigo em busca da realidade espiritual. E no ano 521 a.C., à sombra de uma árvore, atinge a iluminação.

Após 45 anos, pregando a sabedoria e a compaixão, entrou no Nirvana ou alcançou a “Grande Morte”. Este foi um dos acontecimentos mais belos e significativos da história da humanidade, enriquecendo a mente humana e transbordando bondade, amor e compaixão através dos séculos e até os dias atuais.

Na China, o Budismo foi introduzido no ano 67 da era cristã, durante o Reinado de Ming, da Dinastia Han. Mas, na realidade, isso ocorreu 84 anos mais tarde, quando as escrituras budistas foram traduzidas na China no ano 151 d.C., pelo Imperador Huan. Durante 1.700 anos as traduções para o chinês se processaram, alcançando a cifra de 1.440 escrituras contidas em 5.586 volumes. Seguiram-se traduções para o coreano, japonês, ceilonês, cambojano, turco, para quase todas as línguas orientais e também para o latim, francês, inglês, alemão, italiano e português, estando hoje acessível em quase todas as línguas do ocidente e do oriente. Certa vez, alguns noviços se aproximaram de Buda e perguntaram-lhe a que preceitos deveriam obedecer. Então ele lhes disse: Aqueles que desejam entrar na senda para ser fiéis discípulos de Buda devem observar quatro preceitos fundamentais:

(1) procurar boas companhias, (2) entender a lei, (3) fortalecer a mente através da reflexão e (4) praticar a virtude. No entanto, quanto à norma de conduta, dou dez mandamentos, que são:

I. Não matar.

II. Não roubar.

III. Não falar mal dos outros.

IV. Não mentir.

V. Não ingerir alimentos antes das horas pré-fixadas e se abster de bebidas alcólicas.

VI. Não assistir a festas e espetáculos.

VII. Abster-se de perfumes, unguentos, adornos e grinaldas.

VIII. Não cobiçar nada de ninguém.

IX. Evitar o conforto de leitos macios.

X. Abster-se de receber esmolas em dinheiro. Os Ensinamentos do Sábio do Mundo são a força motriz de grande parte da humanidade, cativando milhões de seres humanos, sendo a religião que conta com o maior número de adeptos em todo o mundo.

Em seu Livro Sagrado encontramos estas palavras:

O Eu é o mestre do eu. Que outro mestre poderia existir? Tudo existe – é um dos extremos. Nada existe – é o outro extremo. Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos e seguir o Caminho do Meio.

O que somos é consequência do que pensamos.

Qual a raiz do Mal? A cobiça, o ódio e a ilusão. O Mal é feito unicamente pelo eu, nasce do eu, é trazido à existência pelo eu.

Qual é o caminho da salvação? É a retidão; é a meditação; é a sabedoria. Saber de cor todos os Vedas não conduz à Verdade.

O conhecimento útil, a verdadeira ciência, só pode ser adquirido pela prática.

Antes de dar, o coração se alegra; durante o ato de dar, ele se purifica; e, depois de dar, ele se sente satisfeito.

Fazei de vós mesmos uma luz. Confiai em vós mesmos: Não dependais de mais ninguém. Fazei de meus ensinamentos a vossa luz. Confiai neles. Não dependais de nenhum outro ensinamento.

O Novo Testamento.

Também chamado de A Nova Aliança, o convênio feito por Deus com Jesus em favor de todos os homens, tem inspirado o comportamento humano através dos tempos. Um Livro pleno de amor e devoção, subvertendo a moral da época, renovando os alicerces da sociedade em que era apregoado, extrapolou as fronteiras nacionais para criar uma civilização: A civilização cristã. Compreende 27 livros do cristianismo, religião fundada por um judeu, Jesus de Nazaré há 2000 anos e é aceito como Palavra de Deus, para um em cada três homens no mundo.

Os cristãos reconhecem como sagrados os livros da religião judaica que formam o Antigo Testamento. O Novo Testamento foi escrito pelos primeiros cristãos, sobre a vida de Jesus e das primeiras comunidades cristãs. Sua mensagem é quase sempre conhecida como Evangelho que do, grego, significa Mensagem Feliz e para Jesus significava a boa nova de libertação para todos os homens. A ordem tradicional dos Livros do Novo Testamento: os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), os Atos dos Apóstolos, as Cartas de Paulo, as Cartas aos Hebreus, as Cartas de Pedro, as Cartas de João, as Cartas de Judas e o Apocalipse de João. Todos esses livros foram escritos em grego entre os anos 51 e 100 da era cristã.

Os escritos originais não foram encontrados, existindo, no entanto, cerca de 5.000 cópias antigas. O evangelho de Marcos foi concluído por volta de 65-70 d.C., os de Mateus e Lucas, 75-80 d.C. O fragmento de manuscrito mais antigo é anterior ao ano 150 e foi encontrado no Egito.

Os manuscritos que contêm o Novo Testamento completo datam do século IV. São eles: o Codex Vaticanus, conservado na Biblioteca do Vaticano e o Codex Sinaiticus, descoberto no mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai e conservado no Museu Britânico de Londres.

Durante a Idade Média, até a descoberta da imprensa, a Bíblia era recopiada nos mosteiros. Em 1456 Gutenberg imprimiu seu primeiro exemplar. As primeiras traduções apareceram no século II: em latim, siríaco (Séc. II), copta (Séc. III), gótico, georgiano, etíope (Séc. IV), em armênio (Séc. V), árabe, chinês, anglo-saxão (Séc. VIII), alemão, eslavônio, franco (Séc. IX).

No Novo Testamento encontramos os relatos da vida de Jesus: nascimento, Jesus e João Batista, a ressureição de Lázaro, a Última Ceia, o Jardim de Getsêmane, a subida do Calvário, a Ressureição dos mortos – bem como relatos dos primeiros cristãos e seu heroísmo na proclamação desta Mensagem: Pentecostes, os primeiros conflitos com as autoridades, o evangelho de Samaria, a conversão de um etíope, a fundação da Igreja de Antioquia, o concílio de Jerusalém, o assassinato de Tiago, Estevão – o primeiro mártir cristão, a fuga de Pedro, dentre outros. Atualmente, o Novo Testamento está traduzido em 459 línguas e mais de 15 milhões de exemplares são vendidos ou distribuídos todo ano. É, de longe, o livro mais lido e adquirido no mundo.

Alguns dos ensinamentos deste Livro:

Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá fome, quem confia em mim jamais terá sede. — João, 6:35

O maior amor é o de dar a vida por seus amigos. — João, 15:13

Aquele que me segue não caminha nas trevas, ao contrário, ele terá a luz da vida. — João 8:12

Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem ele ama. — Lucas 2:14

Mas eu lhes digo, a vocês que me ouvem: amem seus inimigos, façam o bem àqueles que os detestam. Àquele que esbofeteia sua face, apresente-lhe também a outra. — Lucas, 6:27

Quando ele se aproximava da porta da cidade, eis que levavam um morto. Era um filho único e a mãe era viúva. . . . Jesus tocou o caixão e os carregadores pararam. Ele disse: “Jovem, eu lhe digo, levante-se.” O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. — Lucas, 7:12-16

Por volta da nona hora, Jesus clamou bem alto: “Eli, Eli, lamma sabactáni”, isto é, “meu Deus, meu Deus, porque você me abandonou?” Logo a seguir, um deles correu a pegar uma esponja, encheu-a de vinagre e a colocou na ponta de um caniço para dar-lhe de beber. E Jesus ainda deu um grito bem alto, e entregou o espírito. E eis que a cortina do santuário dividiu-se em duas, de alto a baixo, a terra tremeu, as rochas se fenderam. — Mateus, 27:46-53

Pois Deus amou o mundo, a ponto de dar-lhe seu único filho, para que, seja quem for que confie nele, não pereça, mas tenha a vida eterna.” — João 3:16

E eu vi um novo céu e uma nova terra, pois o primei-ro céu e a primeira terra se foram, e o mar não mais existe. E eu vi a nova Jerusalém descer do céu, pronta como uma esposa . . . E eu ouvi uma voz dizer, do trono: “Eis o abrigo de Deus com os homens. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos. Nem luto, nem grito, nem dor existirão mais, pois o primeiro universo se foi.” — Apocalipse, 21:1-4

O Alcorão.

O Alcorão é um dos livros mais influentes da história. Para 800 mil muçulmanos, espalhados em pelo menos 40 países do mundo ou um sexto da humanidade, ele é a Palavra textual de Deus. É um belo poema, uma oração e um código de leis que se sobressai por sua pureza de estilo, sabedoria e verdade, constituindo por essas características uma força indutora de comportamento religioso, social e político da humanidade. Maomé, que nasceu em Meca, na Arábia, em 570 d.C. e faleceu aos 62 anos em Medina, foi o Porta-Voz de Deus à humanidade e seu livro, o Alcorão.

Sobre ele, afirmou que “se um livro pudesse por as montanhas em marcha ou fazer a terra rachar ou os mortos falarem, esse livro seria o Alcorão.” (13:13) E sua função religiosa está bem delineada: “Fizemos descer sobre ti o livro, com a verdade, para a instrução de todos os homens. Quem seguir a senda da retidão, fá-lo-á em seu benefício e quem se desencaminhar fá-lo-á em seu prejuízo. Não és responsável por eles.” — 39:41

As imagens e expressões que lhe caracterizam refletem o meio e a época em que o Alcorão foi revelado: um meio de desertos e oásis, de comércio rudimentar e de atividades agrícolas-pastorís. Maomé, o Profeta, transmite a mensagem em uma linguagem que eles entendam. Prescrevendo ao homem uma vida de submissão à vontade divina, esta mensagem rapidamente espalhou-se pelo mundo: da Índia à Espanha e, durante a época áurea da civilização islâmica, muitas nações diferentes foram unidas em uma grande fraternidade.

O Alcorão compreende 114 capítulos (Suras) revelados por Maomé, dos quais 86 em Meca e 28 em Medina; e compreende nada menos que 6236 versículos. Cada capítulo é uma preleção, na qual os ouvintes são exortados a seguir determinadas normas morais ou a aplicar determinadas leis; ou mesmo a crer em determinadas verdades, extraindo conclusões dos fatos históricos que lhes são narrados. Em síntese, o conteúdo do Alcorão representa um dogma, o da religião islâmica; uma lei, a lei corânica, que compreende os códigos penal, civil, constitucional e militar; normas para o comportamento individual e social; e narrativas históricas.

Dessas narrativas, muitas são referidas pelos textos bíblicos, como a criação de Adão e Eva e sua expulsão do Paraíso, a história de José e seus onze irmãos, a perseguição do Faraó aos judeus e seu êxodo para a Terra Prometida, a história de Salomão e da rainha de Sabá, o nascimento de Jesus Cristo e diversos outros, com grandes semelhanças em relação às versões da Bíblia. Circunscrevê-lo, no entanto, apenas ao mundo muçulmano seria um erro, por sua amplitude e poderosa convocação para que o homem se enobreça com a comunhão da Palavra revelada. O Alcorão apresenta Jesus Cristo como um profeta que anunciou a vinda de Maomé: “Sim, o Messias, Jesus, filho de Maria, é o Profeta de Deus, sua Palavra, que ele lançou em Maria, um Espírito emanado dele.” — 4:171

Diz-nos Maomé:

Se todas as árvores da terra fossem cálamos, e o mar, e mais sete mares fossem tinta, não esgotariam as palavras de Deus, o Poderoso, o Sábio. — 31:27

De vós deve surgir uma nação que pregue o bem, e recomende a probidade, e proíba o ilícito. Esse é o caminho da vitória. — 3:104

Ó meu povo, sede justos na medida e no peso e em nada lesai os outros, e não corrompais a terra. — 11:85 Deus não muda o destino de um povo até que o povo mude o que tem na alma. — 13:11

Sabei que a vida terrena nada é senão um divertimento e um jogo, e adornos e fútil vanglória, e rivalidade entre vós à procura de mais riquezas e filhos. Assemelha-se a vegetação que se segue a uma chuva. — 57:20

O Kitáb-i-Aqdas.

Diferentemente dos Livros Sagrados já abordados, Bahá’u’lláh (1817-1892), o Profeta fundador da Fé Bahá’í, o escreveu de seu próprio punho, junto com outra centena de obras, como o Kitáb-i-Iqán, As Palavras Ocultas e Os Sete Vales e designou o seu livro de leis como O Sacratíssimo Livro, O Kitáb-i-Aqdas, que pode ser considerado como a mais brilhante emanação de sua mente.

Filho de um ministro da Corte do Xá da Pérsia, tendo nascido em 12 de novembro 1817, na cidade de Teerã (Irã), Bahá’u’lláh, a exemplo dos Mensageiros de Deus que O procederam, teve a experiência mística de sua designação como Revelador da Palavra Divina em outubro de 1852, enquanto aprisionado na fétida masmorra de Teerã, chamada Siyáh-Chál (Cova Negra).

Daquele lugar sombrio ele escreveu:

“Fomos confinados por quatro meses em um lugar repugnante como nenhum outro. . . A masmorra estava imersa em espessa escuridão, e Nossos companheiros de prisão somavam aproximadamente cento e cinquenta almas: ladrões, assassinos e salteadores. Embora superlotada, não tinha nenhuma outra saída a não ser a passagem pela qual entrára-mos. Nenhuma pena pode retratar aquele lugar, nem língua alguma descrever seu odor fétido. A maioria daqueles homens não tinham roupas, nem sequer uma esteira para deitar. Só Deus sabe o que Nos sobreveio nesse mais nauseabundo e lúgubre dos lugares!”

Sendo seus seguidores condenados aos mais violentos atos de crueldade e perversidade, tais como serem explodidos em bocas de canhões, retalhados até à morte com machados e espadas ou forçados a marchar para a morte com velas acesas inseridas em feridas abertas em seus corpos, tentaram obriga-los a renegarem sua Fé em troca da sobrevivência: este era o cenário em que a Revelação Divina, uma vez mais, habitava um templo humano.

O primeiro sinal de sua missão como profeta foi alí recebido, em um momento em que sua morte parecia ser iminente. Ele descreve então aquele momento místico, o qual transformaria uma vez mais o rumo do destino humano, nestas palavras: Uma noite, em sonho, essas exaltadas palavras foram ouvidas de todos os lados: “Verdadeiramente, Nós Te faremos vitorioso por Ti mesmo e por Tua pena. Não lamentes pelo que Te tem sobrevindo, nem temas, pois estás em segurança. Em breve, Deus fará que se ergam os tesouros da Terra – homens que hão de ajudar-Te por Ti e por Teu Nome, por meio do qual Deus ressuscitou o coração dos que O reconheceram.”

O Kitáb-i-Aqdas foi revelado em 1873, enquanto Bahá’u’lláh fora transferido para a casa de ‘Udi Khammár, na cidade-prisão de ‘Akká, Palestina. É um Livro que contém as jóias inestimáveis de sua Revelação, inculca princípios para o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial, prescreve a existência de instituições administrativas dessa mais recente Fé Mundial e se sobressai como um Livro único e incomparável entre as Sagradas Escrituras do passado. Shoghi Effendi (1897-1957) sobre a importância deste precioso Livro escreveu que “diferentemente do Velho Testamento e dos Livros Sagrados que o precederam, nos quais não existem preceitos efetivamente emitidos pelo próprio Profeta; diferente dos Evangelhos, nos quais os poucos ditos atribuídos a Jesus Cristo não fornecem um roteiro certo quanto à administração futura dos assuntos de Sua Fé; diversamente mesmo do Alcorão – o qual, embora explícito nas leis e preceitos formulados pelo Apóstolo de Deus, silencia sobre o assunto importantíssimo da sucessão – o Kitáb-i-Aqdas, revelado do começo ao fim pelo próprio Autor da Revelação, não só preserva para a posteridade as leis e preceitos básicos sobre os quais deverá assentar a estrutura de sua Ordem Mundial, mas também estabelece, além da função de interpretação que é conferida a seu sucessor, as instituições imprescindíveis à preservação e integridade e da unidade de Sua Fé.” O Kitáb-i-Aqdas é descrito por São João no Apocalipse como “o novo céu” e a “nova terra”, como “o tabernáculo de Deus”, a “Cidade Santa”, a “Noiva” e como “a Nova Jerusalém descendo de Deus.” Neste Livro, destinado a ser a Carta Magna da futura civilização mundial, Bahá’u’lláh anuncia a Lei Suprema, proclama-se o Rei dos Reis, declara este Livro como “a Balança Infalível” estabelecida entre os homens. O Kitáb-i-Aqdas trata da sucessão, designando ‘Abdu’l-Bahá como sucessor de Bahá’u’lláh e intérprete de seus ensinamentos, antecipa a instituição da Guardiania e da Casa Universal de Justiça, estabelece as leis espirituais, morais e éticas, especifica as proibições, faz repreensões e advertências a governantes, a indivíduos e à coletividade.

Sobre o Livro, Bahá’u’lláh escreveu:

Não penseis que vos tenhamos revelado um mero código de leis. Não, mais exatamente, deslacramos o Vinho seleto, com os dedos da grandeza e poder. Disto, dá testemunho aquilo que a Pena da Revelação revelou. Meditai nisto, ó homens de discernimento! Este Livro é um céu que adornamos com as estrelas de Nossos mandamentos e proibições. Dizei, ó homens! Tomai-o com a mão da resignação . . .

Por Minha vida! Foi enviado de uma maneira que pasma as mentes dos homens. Na verdade, é o Meu mais momentoso testemunho a todos os povos, e a prova do Todo-Misericordioso para todos que estão no céu e na terra. Por Minha vida, se soubésseis o que desejamos para vós ao revelar Nossas sagradas leis, ofereceríeis vossas almas por esta sagrada, poderosa e sublime Causa.

Sempre que Minhas leis aparecem como o sol no céu de Minhas palavras, devem ser obedecidas fielmente por todos, ainda que Meu decreto seja de tal natureza que faça romper-se o céu de cada religião. Ele age do modo que seja do Seu agrado: escolhe, e ninguém pode questionar Sua escolha. Qualquer coisa que Ele o Bem-Amado, ordene, isto é, em verdade, amado.

O Kitáb-i-Aqdas tem uma linguagem direta ao espírito humano, firme como um rochedo, inebriante como uma fragrante rosa, belo e enternecedor como um pôr-do-sol, amplo como um oceano. Concede vida aos mortos espiritualmente, sacia a sede dos peregrinos em busca da Presença de Deus, o Bem-Amado.

É, a um tempo, uma dádiva para nossa civilização, despontando como a fonte da autoridade moral para uma Nova Ordem em um momento em que a família humana encontra-se gravemente enferma e infeliz por ter se afastado de Deus por tão longo tempo.

Neste Livro, está escrito:

Não vos lamenteis em vossas horas de provação, nem nelas regozijeis; procurai o Caminho do Meio que é vos lembrardes de Mim em vossas aflições, e reflexão sobre o que vos possa advir no futuro. Assim vos informa Aquele que é o Onisciente.

Casai-vos, ó povos, para que apareça de vós quem faça menção de mim. . . .

Sois apenas vassalos, ó reis da Terra! Apareceu Aquele que é o Rei dos Reis, adornado em Sua mais maravilhosa glória, e vos convoca a Si Próprio, o Amparo no Perigo, O que Subsiste por Si.

A verdadeira liberdade consiste na submissão do homem a Meus Mandamentos, embora isto pouco vos seja sabido. Fossem os homens observar o que Nós lhes mandamos do Céu da Revelação, eles atingiriam, com toda a certeza, a liberdade perfeita.

Associai-vos a todas as religiões com amizade e concórdia, para que possam inalar de vós a doce fragrância de Deus.

O equilíbrio do mundo foi alterado através da influência vibrante desta nova e mais grandiosa Ordem Mundial. A vida regulada do gênero humano foi revolucionada por meio deste Sistema único, maravilhoso – cujo igual jamais foi testemunhado por olhos mortais.

O Kitáb-i-Aqdas é o mais recente livro sagrado da humanidade, revelado em árabe em meados do século passado. Ficou acessível ao Ocidente no ano de 1993 através da tradução para o inglês, a partir da qual rapidamente procedeu-se à tradução para inumeráveis outros idiomas, inclusive para a língua portuguesa.

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