A existência de diversos movimentos de integração continental como a Europa Unida, o Nafta e o Mercosul, prenunciam o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial? Esta é a pergunta que me fazem corriqueiramente e que busco responder no livro “Nova Ordem Mundial, Novos Paradigmas”. Por estranho que pareça, a resposta é não. Não prenunciam tais movimentos supranacionais a existência de uma unidade política mais ampla pelo simples fato de que uma “comunidade internacional” não pode se basear em idéias de lucro, tão correntes em nossos conhecidos sistemas capitalistas e nem muito menos em indivíduos, mas antes, em corpos colegiados, em instituições que representem legitimamente diversas parcelas populacionais e segmentos sociais.

Até então, serão meros movimentos de integração econômicas, semelhantes a grandes mercados onde a diferença é que todos os produtos expostos à venda são regulados pelas mesmas leis, decretos e portarias. Uma verdadeira comunidade continental nos dias atuais deveria emular o estilo de como as catedrais eram erguidas na Idade Média: uns levavam trabalho, outros materiais (pedras, tijolos, argamassa), outros traziam seus recursos financeiros e o resultado era usufruído pela soma de todos. Ou seja, uma catedral deixava de ser um amontoado de pedras bem dispostas para ser um refúgio de paz e símbolo de bem-estar para todos que a ela recorressem. Lamentavelmente o que vemos hoje são movimentos de integração fudamentados em interesses econômicos e financeiros ao invés de inspirados na promoção do bem-estar e no progresso dos povos. Outra evidência dessa afirmação é que os tratados econômicos e financeiros receberam tratamento jurídico especial, são mais detalhados e explicitados enquanto que os temas sociais, como exercício da cidadania, a promoção da cultura, o desenvolvimento da pesquisa científica foram relegados para o arcabouço das regras gerais. O que um ser humano – sensato, diga-se – desejaria para o mundo na entrada do terceiro milênio?

Sem dúvida que um mundo mais humano, fraterno e vacinado contra a violência entre povos e nações. Um mundo não polarizado entre ricos ricos e pobres pobres. Um mundo que tenha como bandeira maior o primado dos Direitos Humanos fundamentais. A História nos mostra que desperdiçamos muitos séculos nos preparando para o mundo que temos hoje: com 16 conflitos armados, onde se dispende cerca de US$ 36 mil para manutenção de um soldado no fronte e tão somente cerca de US$ 1 mil com a manutenção de professores de escola básica. Estes números anuais demonstram o dilema em que nos encontramos e nos fornece material para reflexão sobre a profundidade das mudanças que se fazem necessárias, se não, inadiáveis.

Com o ocaso do comunismo no Leste Europeu nos últimos anos foi-nos transmitida a impressão de que o mundo seria outro e não foi exatamente o que aconteceu. A derrocada do modelo soviético que bem poderia se denominado como esgotamento de um “capitalismo de estado” apenas agudizar a verdadeira polarização e deixou uma pergunta ao sistema ou modelo econômico sobrevivente: como resolver o problema do meio-ambiente, a fome do terceiro mundo e a pobreza do primeiro mundo? A dificuldade está em que o Sistema prevalecente (se é que se pode chamar assim!) está em que é um sistema totalmente direcionado para o enriquecimento dos mais ricos e baseia-se, novamente, no “endeusamento do indivíduo” em detrimento do “endeusamento da sociedade” como um todo e ao falharmos em compreender a unidade intrinseca do gênero humano somos impelidos a produzir amontoados de pedras e não catedrais ou centros de pesquisas.

Há que se resgatar o espírito que possa impulsionar, uma vez mais, o progresso da civilização. Tarefa, aliás, nada fácil. Colocar em deabate a emergência de uma Nova Ordem Mundial requer prioritariamente identificar o que é a antítese da ordem que por sua vez, é a simples desordem, o “Kaos”. E, convenhamos, a maior desordem é a injustiça. Não se pode construir uma Ordem em um mundo permeado por injustiças e que se debate com o ressurgimento, aida momentâneo, dos movimentos separatistas, de guerras fraticidas, de xenofobia que descamba para movimentos neonazistas e neofacistas.

Há que se arrumar a casa para se colocar a mobília nova. E esta casa chamada planeta precisa do esforço de todos, cada um no seu ofício a colocar seu tijolo, sua cal, seus recursos, seus ideais – não em benefício de sí mesmos – , mas em benefício da inteira coletividade, pois testemunhamos, e tenho absoluta convicção disso, um momento único de planetização da sociedade humana. Ao salvar um mico-leão ou uma tartaruga marinha, posso não estar salvando todo o meio-ambiente, mas tenho certeza de que para o mico-leão e para a tartaruga marinha salva, tal ação foi muito importante e fez uma grande diferença. É assim como vejo a emergência de uma Nova Ordem Mundial.

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