Governo e sociedade preparam um azeitada agenda de assuntos relacionados com a fome e a miséria no Brasil. No período de 27-30 de julho do corrente se realizará em Brasília (DF) a “I Conferência Nacional de Segurança Alimentar”, com a participação de 24 delegados sendo, 12 representantes do Governo e 12 entidades da sociedade civil, representando a Ação da Cidadania e mais 2.030 delegados de diversas forças sociais unidas em um único propósito: visualizar planos e projetos para minorar o desolador quadro de indigência em que se encontra expressiva parcela da população brasileira.

O cenário em que se relizará esta esperada Conferência não é nenhum pouco animador. Se não, vejamos: – 30% das crianças do Brasil, menores de 5 anos são desnutridas. – De cada 1.000 nascimentos, 60 crianças morrem antes de completar um ano de vida. – Grande contingente da população padece de enfermidades que há décadas foram erradicadas de países desenvolvidos.

Dentre elas, citamos a malária, esquissostomose e o dengue. – Milhares de brasileiros sobrevivem em favelas, cortiços ou simplesmente ao relento. – Milhões de brasileiros vivem em busca de emprego e não encontram trabalho. – Milhões de brasileiros subsistem no meio rural sem direito a uma porção de terra para plantar e produzir seu alimento. O desafio é tão grande quanto o nível de mudanças na estrutura social do País, passando pela vontade política sem a qual nada se tornará efetivo – para alterar essa alarmante situação. A distribuição de rendas é o próprio coração para retomada do crescimento econômico sem efeitos colaterais ou posturas demagógicas e messiânicas tão comuns no Brasil pré-período eleitoral.

E este Brasil que será tema da Conferência é muito diferente daquele que assiste, como em transe hipnótico, os programas de auditório das tardes de domingo ou que acompanha, avidamente o desenrolar das 8 novelas atualmente veiculadas pelas grandes redes nacionais de televisão. O sentimento de solidariedade necessita ser expandido, abrangendo novas forças da sociedade e em um verdadeiro multirão buscar propostas alternativas que não pequem pela viabilidade mas que se traduzam em planos de desenvolvimento efetivos. Em meio a esta explosiva temática e realidade nacional, jaz o resgate da cidadania. E esta cidadania não pode ser outorgada pelo Estado ou pelos setores dominantes da sociedade. Ela deve se sentir e se reconhecer como sujeito portador de direitos. Não poderia deixar de mencionar o desabafo de uma menina de rua a pedir a uma jornalista: “Tia, não dá pra nascer de novo?”

É esta situação, que transcende as estatísticas e suas interpretações e manipulações, que deve ser tratada a olho nu, sem subterfúgios ou figuras de retórica, longe, muito longe dos palanques e promessas vazias que prevêem a transformação desse País em uma grande Canaã, aquela terra do leite e do mel abundantes, preditos por Moisés aos que com ele empreenderam há cinco mil anos o êxodo de Egito à Palestina. O cerne da questão não é outra que o reconhecimento formal de que “a dor da parte é a dor do todo”, isto é, não teremos um tecido social saudável se todos estes fios que se entrelaçam não estiverem igualmente saudáveis. Que esta conferência, por ser a primeira do gênero, possa frutificar em ações eficazes para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro.

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