PARADIGMA. Muita atenção ao ouvir esta palavra de origem grega: paradeigma. Ela ficará na história dos anos finais deste século. O que vem a ser um paradigma? É um conjunto de conceitos, bem estabelecidos, que reputam verdades como fundamentais, constituindo um padrão ou modelo. A título de ilustração, os defensores do sistema geocê:ntrico firmaram um paradigma no qual a Terra era o centro do universo. Uma mudança de paradigma foi estabelecida pelo astrô:nomo e físico italiano Galileu Galilei (1564-1642), descartando-se o conceito anterior e afirmando-se o sistema heliocê:ntrico: o Sol tem sua primazia no universo.

Um exemplo mais corriqueiro é necessário. Por volta de 1965, a Suiça era o maior fabricante de relógios do mundo, chegando a responder por 85% do mercado mundial de relógios de pulso. Certo dia, um dos empregados de uma de suas grandes relojoarias concebeu a invenção de um relógio que utilizaria o quartzo. Os executivos da fábrica, ouvindo seus técnicos, consideraram a idéia inócua: como imaginar um relógio sem corda, sem as dezenas de microengrenagens?

Não satisfeito com a avaliação de sua idéia, o tal funcionário apresentou-a a uma fábrica de relógios japonesa resultando isso em uma revolução na indústria relojoeira. Hoje, a Suiça, mesmo incorporando o quartzo em seus relógios, ocupa não mais que 10% desse mercado mundial. O Japão e os Estados Unidos detê:m a liderança do mercado.

E este é, apenas, mais um exemplo da importância de um paradigma. A mudança de concepção de um relógio dissociado dos padrões correntes de produção causou uma reviravolta em todo um segmento industrial.

Isto posto, constatamos que uma mudança paradigmática é causadora, em muitos casos, de vertiginosos progressos e lança luz sobre áreas até então inibidoras de pesquisas para adoção de novas metodologias, parâmetros e padrões. Sem a coragem de criar, questionar e refletir sobre o “não refletido”, não existiriam descobertas e invenções. E, portanto, inexistiria progresso científico.

Albert Einstein foi emblemático ao afirmar que “algo só é impossível até que alguém duvide e acabe por provar o contrário”; e, tempos depois, daria sua receita pessoal, uma receita com a marca da genialidade e com palavras simples, porém profundas, disse: “Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silê:ncio e a verdade me é revelada.”

À medida que nos aproximamos do terceiro milê:nio, encontramos condições propícias ao surgimento de novos paradigmas. Estes por sua vez causarão uma guinada profunda no futuro da humanidade. Talvez mais, ou pelo menos tão revolucionário e instigante quanto o enunciado de Einstein para uma Teoria da Relatividade, alterando profundamente o rumo da Física e, por conseguinte, outros campos de pesquisa científica.

As idéias correntes, aceitas sem contestação, conduzem a humanidade ao conformismo e produz uma reação contrária, às vezes brusca: é lago plácido que se agita com o arremesso de uma pedra, as ondas perturbam o status quo. Não é de se admirar que Galileu tenha tido que abjurar suas idéias, heréticas para a época, ante o calor de uma fogueira que selaria seu destino. Alí arderia a chama da ignorância e o combustível do conformismo reduziria a cinzas uma nova visão da ciê:ncia. Mas o que nos interessa, basicamente, são as mudanças estruturais nas relações entre nações, bem como aquelas entre indivíduos. A proclamada Era de Aquário nos remete a temas do humanismo, ao positivismo de Comte, à filosofia de Sartre e também ao misticismo. A busca da felicidade volta a ser a meta hodierna. É um contraponto ao racionalismo e envolve expoentes brilhantes como Fritjop Kapra com seus Tao da Física e Ponto de Mutação, Stephen Hawking com uma nova teoria para a criação do universo. São os físicos iluminados, nestas últimas décadas, pela luz do espírito humano em “busca de meios para se satisfazer.”

O conceito de governo autocrático, com as decisões tomadas de cima para baixo, deve dar espaço aos postulados da ciê:ncia política, que elabora o governo participativo, onde as bases expressam seus anseios, esperanças e necessidades; e se engajam em um processo efetivo de mudanças estruturais, sendo partícipe da construção de seu futuro. Foi-se o tempo em que o destino de uma cidade ou de uma nação deveria ficar concentrado nas mãos de um governante. A História mostra o quanto tal realidade impede o progresso.

O processo decisório que no momento é uma vertente da autocracia e, portanto, viciado em posturas demagógicas e em “salvadores da pátria”, deve ser substituído pelo princípio da consulta coletiva. As partes envolvidas em um problema devem ser ouvidas, os fatos devem ser claramente estabelecidos e a liberdade de voz e voto, na tomada da decisão, devem constituir as bases de um processo decisório sadio e eficaz.

O conceito de liderança individual que sempre se pautou na supremacia da personalidade do líder, visto como uma forma de possuir prestígio pessoal, alimentador de vaidades e meio para a obtenção de recursos materiais, deve ceder lugar a sentimentos mais nobres e elevados, que coloquem o bem coletivo acima do desejo individual. E tem na conjugação de qualidades morais, espirituais e éticas, uma nova senda a ser trilhada, na qual o ato de servir será a aspiração maior. Serviço inegoístico passa a ser a característica exigida das novas lideranças. Cursos de formação de líderes darão especial atenção ao resgate desses valores.

O sentimento de superioridade racial, com sua longa história de sofrimentos, guerras e conflitos étnico-raciais cederão espaço à proposta de unidade racial, onde todos são considerados irmãos, descendentes de Adão, frutos de uma mesma árvore, chamada humanidade. Com o ressurgimento de movimentos racistas na Europa, em especial na Alemanha contra a minoria turca residente no país, os países tendem a investir na prevenção desse mal, chegando a impor sanções econômicas drásticas – tal o ocorrido contra o apartheid na África do Sul.

A idéia do nacionalismo, com sua visão limitada da humanidade, não mais resiste à constatação da crescente interdependê:ncia entre as nações do mundo, ainda mais quando observamos que nenhuma nação é autosuficiente na produção de matérias-primas essenciais (alimentos, por exemplo) e por conseguinte, não conseguirá preços competitivos no mercado internacional. A par disso, o desenvolvimento tecnológico a que chegamos exigirá um verdadeiro pool de países para a otimização da produção mundial. A amplitude de um reconhecimento da unidade do gê:nero humano requer a superação do conceito de soberania nacional. Um dos mais veementes exemplos da necessidade desse novo patamar de relações internacionais é a preocupação mundial com o meio-ambiente e a ecologia do planeta. O planeta é um bem que interessa a todos, independente de sua origem nacional. A humanidade avança, então, para o conceito integral de que “a terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos.” Estamos em uma era de planetização. As lealdades menores cedem espaço a uma lealdade maior, que abarque o mundo em um processo contínuo, com um sistema monetário e alfandegário únicos, além de uma série de benefícios que passarão a ser comuns em qualquer país daquele continente.

O sistema de educação, que ora privilegia a aquisição de conhecimentos técnico-científicos, o uso da razão pura e simples, a constatação dos fenô:menos naturais, deverá ser complementada por uma visão integral e coesiva do ser humano, dando destaque aos frutos do espírito humano em um contexto de livre e independente busca da verdade e de renascimento das qualidades morais e espirituais como honestidade, veracidade, solidariedade: “Uma flor é bela, não importa em que jardim floresça. A luz é boa, não importa em que lâmpada brilhe.” Avançamos para uma compreensão toda abrangente de que “o conhecimento é um ponto, os ignorantes o multiplicaram!”

O papel da Imprensa, marcado pelo corporativismo e pelo poder financeiro como agente manipulador da informação estão com os dias contados. A gestação de um novo paradigma requer a coragem de se publicar a verdade, embora se apresente escamoteada a inteligê:ncia para reconhecê:-la, embora se encontre sob muitos disfarces. Os meios de comunicação darão asas à imaginação humana e vocalizarão seus mais belos anseios por um mundo unido. Chegaremos ao verdadeiro papel da Imprensa: refletir a realidade e sobre a realidade, em completo compromisso com a verdade dos fatos e das opiniões.

A visão da justiça, que temos visto ser distorcida ao longo dos séculos, também parece estar em processo de mutação. Quando os trabalhadores empunham faixas e cartazes reinvindicando menor jornada de trabalho semanal, aumento salarial, creches para seus filhos, ajudas para saúde, alimentação e transporte, dentre outros benefícios sociais, bem sabemos que no fundo o que se deseja é a justiça social. Uma justiça abrangente, de responsabilidade participativa e ensejadora de uma justa distribuição de renda. Sinais positivos, nesse campo, mostram o aperfeiçoamento das instituições representativas de trabalhadores: sindicatos, federações e confederações, associações de moradores. Organizações Não-Governamentais (ONG) também proliferam em todo o mundo. Defendem as mais diversas causas, do urso panda ao mico leão, da mata atlântica às savanas, dos meninos de rua às prostitutas infantís, da medicina alternativa à energia nuclear para fins pacíficos, dos aborígenes australianos aos indígenas da América.

O progresso da homeopatia, em contraponto à medicina alopática, também reviram os fundamentos da medicina moderna. A necessidade de encontrar na Natureza a panacéia para todos os males. O resgate da arte de curar dos antigos, uma cura que não tenha contra-indicações e seus nocivos efeitos colaterais; e, também, da utilização de métodos espiritualistas, como o uso de orações e súplicas. Nessa vertente observamos o progresso acelerado da cura pela água, os florais de Bach e a grande aceitação das plantas e ervas medicinais, ensejando o florescimento das farmácias de manipulação. Uma nova concepção da cura que resgata o poder lúdico, da música e da dança como formas de liberar o potencial humano de seus tormentos e nos remete aos mitos que se entrelaçam na memória coletiva da raça humana.

A idéia de ecumenismo, onde as religiões e os diversos credos devem conviver pacificamente, para uma visão ampla de que a base de todas as religiões é uma só: servir e adorar o mesmo Deus. Nesse caso, a teologia moderna deve considerar a revelação divina como progressiva: a verdade religiosa é relativa, não absoluta. Nessa ótica, o hinduísmo (Krishna), o budismo (Buda), o judaísmo (Moisés), o cristianismo (Jesus), o islã (Maomé), a Fé Bahá’í (Bahá’u’lláh) representam diferentes estágios na evolução da revelação religiosa. Assim, também, vemos o surgimento do Conselho Mundial de Igrejas, do World Wildlife Fund (Fundo Mundial para a Natureza) e das Associações Interreligiosas. São os primeiros passos concretos para um novo paradigma de relações, onde o maior beneficiário será o espírito humano.

Imaginemos, agora, um mundo com todas essas transformações em sua plenitude!

As palavras de Chaplin, em seu libelo anti-belicista – conhecido como o Último Discurso, no filme O Grande Ditador, a nos lembrar que “não somos máquinas, homens é o que somos!” E que é concluído com um comovente apelo no ar: “Ergue os olhos, Hannah!” E Hannah aqui é o símbolo humano que representa cada um de nós.

Apesar de estarmos vivendo as dores do parto desta nova era, ainda não nos apercebemos disso inteiramente. Não obstante, de maneira inexorável, seguimos rumo a um maravilhoso destino, não importando que temores e retrocessos tenhamos que enfrentar, ou mesmo se o desânimo vez por outra recair sobre nós. A verdade é que somos uma geração forjadora de uma Era Áurea, inigualável, única, anseio e meta de passadas gerações.

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