Aproxima-se o momento de sufragar o voto nas urnas de outubro próximo e o Brasil retorna ao clima eleitoral que, nos últimos anos parece ser, felizmente, uma constante na vida nacional. Encerrando o longo jejum das urnas, no balanço final, reencontramos o estado democrático de direito e este reencontro tem sido de longe, o maior beneficio extraído das urnas. Em um primeiro momento buscávamos nas urnas os salvadores da Pátria, de todas as cores e matizes ideológicas: os candidatos, em uníssono apresentaram com toda parafernália tecnológica existente, seus projetos para erradicar a miséria e a pobreza, promover o desenvolvimento regional, elevar o salário mínimo a um plantar decente, alavancar o país ao primeiro mundo.

No entanto, a esses candidatos faltou a plataforma essencial: salvarem-se a sí mesmos do bacilo da corrupção e do vírus corporativista, fazendo com que todos representassem interesses claros ou ocultos, conforme cada caso, e enterrando a tênue esperança que somente o estado de direito poderia propiciar. E assim chegaremos a este 3 de outubro tendo como plataforma unânime de todos nada menos que a proposta da honestidade pessoal, do zelo e seriedade pelo bem público, quando tais pressupostos deveriam ser o mínimo exigido para qualquer cidadão digno de ser alcunhado por este nome. Com efeito, ser honesto e ter espírito público não deveria ser característica de postulantes e mandatos populares, mas antes, ornamento de caráter tanto para o cidadão comum quanto para os seus líderes e representantes.

No Brasil de hoje, se confundem os programas partidários tanto quanto os recursos amealhados para as campanhas e também se confundem as chamadas “ideologias”, onde todos parecem optar pelo social, a todo custo. Nessa visão generalizada se nos oferecem meios para uma nova redenção , de um tiro único e certeiro na famigerada inflação até a transposição do rio São Francisco e Jaguaribe a afastar para sempre o espectro desolador da seca nordestina. É quando Conselheiro se encherá de razão e então o sertão vai virar mar e o mar será sertão.

Colocando ao lado os programas partidários, já que são mais assemelhados que diferenciados, resta-nos então, buscar o candidato ideal, aquele que poderá vocalizar nossas mais acalentadas aspirações. E aí, convém uma reflexão imediata sobre o passado do candidato, seus comprometimentos nos últimos anos ou pelo até onde possamos tomar conhecimento. Na minha “receita de candidato”, os aspectos sobressa-lentes seriam: atributos morais a toda prova, espírito de servir, respeito pela coisa pública , capacidade administrativa.

É uma receita difícil, convenhamos. Mas não é impossível se buscarmos ouvir todas as fontes, que são os diversos jornais e telejornais, sempre estando atentos para que o candidato não seja tão endeusado pela mídia eletrônica e escrita que nos faça comprar gato por lebre, como recentemente aconteceu.

O outro extremo é também perigoso: um candidato que é massacrado em excesso por determinados meios de informação pública. Sempre que existem excessos, com certeza a verdade está sendo escamoteada, pois se ninguém é perfeito, não existe um candidato 100% bom ou 100% mau. Da mesma forma, não seria razoável esperar encontrar um candidato que se atenha à receita acima exposta, mas confesso esperar encontrar uma candidato que se alguém que melhor combine todas essas características: honestidade, espírito público, capacidade empreendedora e sobretudo, sinceridade em suas promessas de campanha. Em contraponto aos já mencionados “salvadores da Pátria”, há que se acordar que é sempre mais fácil recuperar toda uma nação e pavimentar de boas intenções todos os gestos e sentimentos, mas sem um pé na realidade, nada feito.

A maior reforma é a que principia no íntimo de cada um de nós e, em maior ou menor escala, nossos líderes são nada mais que um reflexo de nós mesmos, os vamos dizer, liderados. O verdadeiro líder não está em busca de auferir vantagens financeiras e nem muito menos alcançar uma função pública como alimentador de sua vaidade pessoal. O exercício do voto, em todo caso, é imprescindível para a construção de um novo Brasil e este exercício requer esforço de cada um de nós, não nos deixarmos levar pelos que apostam no “tudo ou nada”, é literalmente, a livre e independente busca da verdade, esteja onde estiver. Somos então convocados a liberar nosso faro de Sherlock Holmes, sem no caminho ceder ao desânimo de não encontrarmos o candidato ideal.

Aquele que “melhor combine”, é o caminho da moderação e o sentimento do dever cívico cumprido e no caso, bem cumprido.

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