Transcorre sem maiores repercussões o Ano Internacional da Família, designado pelas Nações Unidas para este 1994. Sempre que a ONU designa um ano a um tema, o objetivo não é outro que lançar o desafio da reflexão a algo que seja vvital para o progresso dos povos e da civilização. Foi assim com o Ano Internacional da Juventude (1985), Ano Internacional da Paz (1986), Ano Internacional dos Povos Indígenas (1992) e agora com esta da Familia.

Em alguns casos observamos a grande repercussão que tais temas trazem às agendas das nações, sempre marcadas por megaeventos, transnacionais, multiculturais como as Conferências de Chefes de Estados, sendo a penúltima no Brasil, no ano passado e que será recordada como a ECO-92 ou a que recentemente se encerrou no Cairo, sobre População e Desenvolvimento. Desses eventos o máximo que consegue são documentos aprovados por consenso ou por maioria e que passarão a ser referidos sobre o tema como “a última palavra” da comunidade internacional sobre o assunto. Mas, não sejamos ingênuos em acreditar que uma vez aprovadas as convenções, tratados e cartas internacionais, de imediato teremos uma mudança de comportamento ou de atitude por parte de governos ou de seus povos.

Muitas vezes, após árduas negociações chega-se a algum documento geral, dentro do aparato legal, mas sem a força de compulsão. Assim temos a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Convenção sobre a Prevenção e a Punição dos Crimes de Genocídio, Carta da Terra, a Declaração dos Direitos da Criança. E os direitos humanos continuam sendo violados, o meio-ambiente permanece desprotegido das ações criminosas promovidas pelos donos do capital e pela ignorância dos povos, e as crianças, elas!, continuam sendo as principais vítimas, sejam das guerras e outros confflitos armados, seja do vasto abismo erguido entre o capital e o trabalho, à mercê das consequências da subnutrição contumaz, órfàs de uma sociedade que os chama simplesmente de “menores abandonados”, sem ao menos buscar responder quem os abandonou, e agora também alcunhados como “meninos de rua” como se fosse um conceito razoável e natural que existam meninos vivendo de e nas ruas, e assim entram na História pela porta dos fundos!

Independente dos efeitos mais imediatos de cada Acordo, Tratado ou Convenção Internacional, é necessário destacar sua importância para livrar um pouco a barra da consciência espiritual da humanidade, que convive com o holocausto negro de Ruanda, onde urubus esperam impacientes que uma criança a cada quinze minutos êxale o último suspiro a céu aberto e possa começar seu trabalho.

E convive também com movimentos repressores que em nome da abolição da criminalidade, visando preservar nada mais que seus muitos anéis e bens patrimoniais, busca exterminar os meninos e meninas nas ruas, aumentando as estatísticas de crianças assassinadas a sangue frio a quatro milhares no Brasil, por ano. Vivemos em uma encruzilhada histórica onde encontramos os trágicos resultados das fés substitutas que os sábios mundanos de nossa era criaram e que, como analisa a Casa Universal de Justiça, na desilusão maciça de populações inteiras que foram ensinadas a venerar em seus altares, encontramos tão somente as imensas enfermidades sociais e econômicas que invadem todas as regiões do mundo nos anos finais deste século XX. E continua afirmando que na base de todas essas aflições exteriores estão os danos espirituais, refletidos na apatia que se apossou da massa dos povos de todas as nações e na extinção da esperança nos corações de milhões de destituídos e angustiados.

Assim em 1994, a agenda internacional deve buscar meios para o fortalecimento da FAMÍLIA, esta mais antiga instituição da História, de um tempo em que as coisas não tinham ainda nome e era necessário se designar algo pela indicação do polegar ou pela mímica.

A família além de célula-mater (e não célula-mártir) da sociedade humana, pode também ser vista como um “microcosmo do mundo”. Durante milênios a família patriarcal foi o modelo social aceitável pela grande maioria dos povos. Uma família centralizada no poder paterno e com poucas excessões materno. As famílias baseadas no binômio autoridade/poder encontraram seu ocaso em meados deste século, com o advento de movimentos da contracultura e que encontravam no liberalismo sua meta máxima.

Nas últimas décadas, mais dos anos sessenta para cá, o clima de “liberou geral” a tudo contaminou e minou as bases saudáveis da instituição da família. Mas não foram tão somente este liberalismo o causador do estágio atual em que se encontra a família. As crises econômicas continuam minando essas frágeis bases familiares. As atuais famílias sustentadas pela indulgência e permissividade caminha para a bancarrota, apesar de não encontrarmos qualquer outra instituição que possa substituir plenamente o ambiente e o clima que uma família pode ter na construção de uma nova sociedade humana.

Uma vez mais vemos que os excessos sufocam a civilização: da autoridade paterna ao liberalismo ilimitado, construimos um campo de batalha, uma vida centrada na competitividade e na agressividade dos relacionamentos em contraponto ao saudável exercício da cooperação e da busca de meios pacíficos para a resolução de conflitos.

Este escriba mesmo, apesar de nascido no último ano da década de cinqüenta, é remanescente de um tempo em que (1) “não podíamos altear a voz para os pais”, a hora para retornar à casa, à noite (2) “não podia passar das dez” e que os boletins escolares (3) “deviam ser rubricados pelos pais”. Cito apenas estas três breves reminiscências, por entende-las fundamentais para uma compreensão do presente estágio em que se encontra a instituição da família: ausência de autoridade amparada na justiça, descaso dos pais com o rendimento escolar, hábitos, atitudes e comportamento dos filhos.

Outro aspecto não menos importante é a completa falta de educação dos jovens para o casamento. Vivemos em uma sociedade consumista e narcisista e então é comum a beleza física falar forte quando se trata de casar. Lamentavelmente o padrão de beleza físico continua sendo responsável pela dissolução de muitos casamentos. A crise econômica gera novos casais dependentes de outros para a manutenção dos laços conjugais. São sub-empregados e desempregados que sepultam seus sonhos de constituir famílias por desperdiçarem suas vidas em comum em desavenças geradas pela falta de dinheiro.

A resultante destes imbroglios não é outra que o aquecimento das indústrias de divórcios e o crescimento da legião de filhos de pais descasados, virtualmente divididos entre o pai e a mãe, e levando por conseguinte terríveis seqüelas psicológicas como nos dizia Freud e Adler.

Este pensamento me remete à frase de Tolstói de que “todas as famílias felizes se assemelham; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Acredito que o modelo ideal de família é aquela que seja baseda na unidade, nem no poder paterno do passado, nem no liberalismo inconsequente de hoje.

E uma família direcionada para a unidade é aquela que consegue ter uma visão clara de seu futuro, onde cada um dos seus membros tenha direito à auto-expressão e seja respeitado em seus sentimentos e opiniões e sobretudo é aquela em que os pais ainda são bons modelos de “felicidade” para os filhos.

Estou convencido que o maior presente que os pais podem dar a seus filhos não é outro que eles mesmos serem delizes e demonstrarem isso no seu cotidiano. E de quebra, será a maior ação para o fortalecimento dela, a família.

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado