Quando perguntamos a alguém o que significa um líder, a resposta é invariavelmente a mesma: é o chefe, o que dá as ordens, o que comanda e controla, o número um. Em outras palavras, o conceito prevalecente de liderança nos dias atuais é daquele indivíduo que concentra poder sobre outrem. Lamentavelmente, desde Átila, rei dos Hunos, a Hitler, senhor supremo do III Reich Nazista, a história da humanidade tem inscrito em suas páginas as biografias de líderes firmados no conceito do egocentrismo e este conceito é ainda uma constante nos assuntos do mundo contemporâneo.

Com efeito, para o bem ou para o mal, assim como temos os estereótipos de Benito Mussolini, temos também as lideranças de um Charles de Gaulle na França deste século, Nelson Mandella, a conduzir a luta pela igualdade racial na África do Sul ou de um guerrilheiro poeta em Cuba, Che Guevara, o mesmos que diria a frade de domínio público: Há que endurecer-se, mas sem perder a ternura, jamais!”. A mesma História nos apoia quando afirmamos, com pesar, que as formas de lideranças autoritária, paternalista, manipuladora e estilo “sabe tudo e tudo pode”, continuam a incapacitar grupos, nublar ideais, destruir o potencial inerente nas massas e gerando conseqüentemente, ressentimentos e rebeldias incontroláveis através do bloqueio, quase inercial de qualquer iniciativa e esforço positivo e ainda mais, engendrando uma paralisia da iniciativa individual daqueles que estão sob controle ou comando. ao estabelecer a polarização liderança/subordinação, vemos o sentimento de inferioridade minar por completo o sentimento de confiança e lealdade e a derrocada das bases de todo esforço cooperativo.

Tal quadro em que se situa a figura dos líderes são facetas dominantes de nossa sociedade hodierna e… o mundo necessita é urgentemente do contrário: a cooperação sublimando a competitividade exacerbada, a lealdade e pureza de intenções superando o exercício solitário do poder decisório, aquela lealdade maior que nos aponta o serviço altruístico à coletividade estar em descompasso com as lealdades menores, como a quimera de uma soberania nacional em meio a sinais que proclamam ser “homem,, verdadeiramente, aquele que ama e serve à sua espécie, a espécie humana”.

É corriqueiro também o “endeusamento” ao invés da “humanização” da chamada liderança democrática. Corriqueira porque se fundamenta e se anuncia como representativa – eleita pelo grupo ou sociedade para representar suas idéias e interesses, e participativa – promove a participação dos membros do grupo. No entanto, há que se constatar que esse tipo de liderança traz uma pseudo-democarcia, abrindo espaços para o que chamamos de “autoritarismo oculto”, o líder paternalista e manipulador na maioria das vezes, tornando-o superior aos demais e controlando a palavra final, a decisão mínima.

A liderança democrática tal como se nos apresenta não vai além do que dar oportunidade aos membros para votar naqueles que serão líderes do grupo, mesmo que para isso não considere as sugestões do grupo que representa. Esse tipo de líder não tem uma preocupação saudável de buscar o consenso do grupo e muito menos ainda de ajudar o grupo a desenvolver sua potencialidade. É inegável que o líder democrático toma alguns passos na direção correta, porém está muito distante da verdadeira liderança que se exige no atual estágio de desenvolvimento do mundo e na resolução de seus colossais problemas.

Necessitamos de um novo paradigma de liderança. Aquele que promova a transformação individual e social, inteiramente comprometido com valores e princípios morais fundamentos na livre pesquisa da verdade, inspirado por um sentimento de transcendência e guiado em suas capacidades para o serviço inegoístico à coletividade como um todo.

Tal novo paradigma pressupõe a existência de um líder que mais sirva à coletividade em contraponto com aquele que mais a domina. Não está em busca de quaisquer benefícios pessoais ou combustível para alimentar suas vaidades individuais. Servir é verbo a ser conjugado em todos os tempos e condições. Requer autocontrole, algo muito mais desafiador que o controle de outrem.

Exige o necessário aprendizado da restrição ao próprio ego e estimula o cultivo das qualidades de sua natureza superior que, por conseguinte, lhe fornece um sentido de dignidade e honradez. A atitude de um serviço genuíno e legítimo não gera dependência, mas antes, libera as pessoas a que busca representar ou liderar das amarras.

Promove, é inegável, a dignidade das pessoas e busca nada mais que auto-potencializá-las. Longe de almejar o suprimento de necessidade imediatistas lança as bases para a manutenção de um verdadeiro bem-estar material, intelectual e espiritual. Como afirmou Bahá’u’lláh (1817-1892) em meados do século passado “homem, é aquele que se dedica hoje, ao serviço da humanidade inteira”.

Estas reflexões parecem-me prioritárias neste período pré-eleitoral em que cem milhões de cidadãs e cidadãos brasileiros irão às urnas em outubro próximo para sufragar dentre trinta e cinco mil postulantes a cargos efetivos, aqueles que melhor lhes representem na tomada das decisões que afetarão significativamente suas vidas, este bem maior a ser protegido.

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