Parece que Gotham City foi transporta do ambiente das histórias em quadrinhos para a vida real de uma grande cidade. É assim Chicago. Ela reúne arranha-céus dos mais variados, modernos (ou modernosos), feitos de aço, metal, vidro. É entre o Lago Michigan e o Rio Chicago, que divide a metrópole em três, na região do Loop, que se encontram esses edifícios que teimam em desacostumar nossas retinas ao que seria a visão de uma cidade. Seus imensos edifícios criam uma barreira invisível entre o visitante e a paisagem. Qualquer pretensa esperança de acolhimento logo se dissipa. Mas salva Chicago o bom humor e a simpatia de seus habitantes. Um contraponto forte, se comparado com o comportamento dos habitantes de New York. Em Chicago, pedir informação sobre uma rua ou um bairro a um motorista de ônibus não é considerado uma grande ofensa. E isso é gratificante para quem já está viajando há muitas semanas. Entre o Loop e o Lago Michigan – que por sua extensão, a perder de vista, mais parece o mar – está o Grant Park, com cerca de 1,2 milhão de metros quadrados, um lugar privilegiado para se observar os arranha-céus.
A população é apaixonada pelo blues e pelo time de basquete, o Chicago Bulls. É fácil conferir isso: nas ruas, shopping e restaurantes, o som mais tocado é o blues. Nas lojas, podemos ver que a franquia mais negociada para qualquer tipo de produto, de um simples boné a um chaveiro ou camiseta, é a marca dos Bulls, que reina absoluta. O melhor museu da cidade (e um dos melhores do mundo) é o Art Institute of Chicago.
Com suas ruas amplas e arquitetura arrojada, Chicago é a terceira cidade dos Estados Unidos, ficando atrás apenas de New York e Los Angeles. Pensar em Chicago significa pensar em vento. E em frio, com suas temperaturas de 45 a 50 graus abaixo de zero. Se o vento permitir e estiver mais suportável que para o gelado, um bom programa é caminhar a pé. Nas proximidades do Michigan, pode-se visitar o Templo Bahá’í que fica na pequena cidade de Wilmette. O templo teve sua construção iniciada nas primeiras décadas deste século e é um convite à união das religiões, com seus nove lados e imensas portas ricamente entalhadas com os símbolos das nove religiões mundiais mais difundidas. Os jardins que o circundam são belíssimos e o ambiente é da mais profunda serenidade.
O’Hare, o aeroporto de Chicago, é o mais movimentado do mundo, com 180 mil passageiros por dia. A cidade abriga a maior estação de trens; o segundo prédio mais alto do mundo, o Sears Tower, de 110 andares e 443 metros de altura; o segundo centro financeiro depois de New York e a maior bolsa de cereais. Tem também sete universidades, entre elas a Universidade de Chicago, renomada nas áreas de economia e antropologia. Seu passado conserva ainda as dramáticas imagens das chamas do grande incêndio que a consumiu em 1871 matando 300 pessoas, dela sobrando apenas metade do que era, à época com estimados 300 mil habitantes. Mais de um século e meio depois, Chicago tem quase três milhões de habitantes.
Outra boa recordação que tenho de Chicago é a de uma tarde inteirinha entre as dezenas de estantes recheadas de livros da Barnes & Noble. Cada conjunto de estantes é dedicada a um tema. E essa famosa rede livreira consegue criar subtemas de subtemas, ad infinitum. O ambiente é aconchegante, os sofás espaçosos e confortáveis e o silêncio compõem o espaço ideal para se desfrutar de uma tarde cultural. Uma visita dessas termina pesando duplamente: no bolso e nas mãos. Cerca de 12 livros ali adquiridos me fazem pensar nessa outra Chicago emparedada de livros.

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado