Na final da copa do mundo de 1998, estava em Chicago. O ambiente era um apertado pub, fumacento como sempre, com dois imensos telões e mesas minúsculas, como era de se esperar, além de pessoas falando muito alto. E o pior: um público jovem, majoritariamente vestido de azul, vermelho e branco. Eu era o único que vestia uma camisa da seleção brasileira. Chamava um bocado de atenção. Cantei o hino nacional brasileiro da primeira à última estrofe. Os vizinhos observavam com admiração, talvez por estão tão na vista que eu era um brasileiro “puro-sangue”; talvez por estarem ouvindo uma música em português, um fundo musical que saltava dos telões. Foi o jogo em que Ronaldinho amarelou. Foi o jogo em que nada deu certo. Foi o jogo em que o Brasil levou três gols. Resisti ao primeiro gol. Desabei no choro a partir do segundo. Um amigo americano que me trouxera de Evanston para aquele pub em Chicago conseguiu duas aspirinas logo após recebermos o segundo gol. Em contraponto a tamanho desânimo e sinais evidente de cansaço, havia toda aquela barulheira da torcida francesa. Quando foi dado o apito final, parecia que todos estavam me encarando. Surpresa: não me perturbaram com palavras-de-ordem. Dois deles vieram me abraçar. Um deles apontou para as quatro estrelas de minha camisa e disse que eu deveria continuar feliz, pois o Brasil já havia conquistado quatro Copas do Mundo, enquanto aquela era apenas a primeira copa do povo francês. Sorri. E entrei no clima. Uma cena patética, mas com sabor de solidariedade. Ainda hoje me emociono ao lembrar aquele dia.

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado