Estar fora do Brasil é um convite a exercitar a escrita. Foi no Cairo que escrevi os últimos capítulos do Shoghi Effendi, um tributo. Iradj, velho amigo de muitas viagens, conferências, eventos e… turismo, fazia a leitura em voz alta para ver o ritmo do texto. Muito foi cortado, muito foi adicionado. Ao fim de uns quatro dias, podia discernir alguma fumaça branca saindo daquele Hotel. O texto estava maduro. Foi chegar ao Brasil e enviar para a editora. É um livro, até hoje, que me liga ao Cairo, às pirâmides, à esfinge, aos museus com seus muitos sarcófagos e múmias, suas mesquitas, ruas apinhadas e bazares multicoloridos.
Parte substancial do Nova ordem mundial, novos paradigmas foi escrita no eixo Índia-Israel. Nesse longo texto, busco refletir sobre o novo redesenhar das relações internacionais logo após a queda do muro de Berlim. Sem a temporada de Nova Déli, seria impossível tratar de temas como o da condição humana, o abismo entre capital e trabalho substituindo o conflito ideológico norte-sul, capitalismo-socialismo, e também as grandes questões da espiritualidade enquanto experiência histórica da humanidade.
Já o Despertar dos anjos nasceu como idéia e projeto editorial em Frankfurt. Estava na Feira Internacional do Livro e, em conversa com Leonardo Boff, foi-se desenhando essa investida literária que iria me consumir exatos nove meses. As asas desse livro guardam a harmonia e a leveza das ruas amplas, arejadas e bem cuidadas de Frankfurt. Em 17 dias que passamos em Cuba, nasceu o Cantando em lágrima viva. É um texto que respinga ondas quebrando o Malecón de Havana, tem sabor dos sorvetes da Copélia e o clima de fim de festa que impera no Hotel Nacional.
O livro O esquecimento está cheio de memória foi escrito integralmente durante minha primeira viagem ao México, a Oaxaca, a Tehuantepec, a Teotihuacan, San Lorenzo, Cacaotepec, Zapopan e Guadalajara. É um livro escrito ao som dos mariachis e que tem sabor de milho e de outras raízes muito utilizadas na milenar culinária dos astecas e zapotecas, dos maias e oltecas. A bela capa desse livro foi criada por Toledo, o maior pintor mexicano da atualidade, um oaxaqueño que há muito transcendeu as fronteiras da província. É impressionante como nos deixamos apaixonar por uma cidade e como essa paixão luta por ser destacada em alto-relevo nos muitas vezes tortuosos escaninhos da memória. É um livro que existe apenas em castelhano.
Israel também me serviu com cenário ideal para rascunhar todo o esboço do Introdução ao pensamento de Bahá’u’lláh. É uma tentativa, ainda acanhada, de apresentar ao leitor ocidental os aspectos principais, o contexto histórico da Pérsia do século XIX e a visão de mundo trazida pro Bahá’u’lláh (1817-1892). Apenas um livro escrevi no Brasil: Estamos desaparecendo da Terra, sobre o genocídio dos povos indígenas na América. Um projeto editorial que estou levando avante é a publicação da trilogia Amar, Ler, Viajar. Este livro que você tem em mãos é exatamente o seu terceiro volume. O primeiro nasceu inteiro em duas noites em Lisboa, sempre tendo com o pano de fundo belos e trágicos fados que embalam a alma portuguesa. É aquele dedicado ao amor.

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