Madri me faz pensar em aeroporto e museu. O aeroporto certamente é o de Barajas. A solenidade com que aterrissam e com que decolam os aviões parece ser a mesma com que esse povo ibérico, cansado de um mundo velho, resolveu atravessar oceanos em busca de um mundo novo. O viajante que baixa em Barajas é bem diferente do viajante que sai por Barajas. O Museu do Prado tem condições de saciar muitas gerações com fome de plenitude e de comunhão com o Indizível. No Prado, encontramos o Cristo esverdeado de El Greco, que nos faz amar o verde tanto quanto podemos amar as árvores em uma floresta. Naquele verde, há uma luz indescritível, invisível a olho nu. De resto, o Prado dá de dez a zero em lugares como, por exemplo, o Louvre. Amei a bela capital de España como se ama um entardecer que vivi na praça dedicada a Cervantes. Pareceu-me que uma donzela estava prestes a ser salva por um cidadão madrilenho a qualquer instante. Eles carregam tanto o fidalgo Dom Quijote quanto seu assistente Sancho Pança pelas ruas bem traçadas da capital. E com eles, a aventura de ser.

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