Chegamos em Tel-Aviv ao entardecer dos últimos dias de 1987. Decido ir com Jacob, no dia seguinte, para Jerusalém. Estou informado de que novas escavações estão sendo realizadas pelo governo israelense e que haverá uma audição da Filarmônica de Berlim, sendo essa a primeira apresentação de músicos alemães em Israel desde o fim da II Guerra Mundial. Depois, pensando bem, é reconfortante a idéia de retornar a essa Jerusalém que vem inspirando gerações e gerações ao longo dos tempos. Desde que chegamos, sempre nos dirigimos ao pessoal da recepção em inglês. Trocamos informações sobre tours, horários, preços, tudo relacionado com uma curta estada em Jerusalém. Sara, a simpática gerente, está sempre bem disposta e com boa vontade para nos ajudar na preparação da viagem. Depois saímos para jantar no centro da cidade. Queremos algo bem típico de Israel. Felafel e scwarma são a pedida de 10 entre 10 turistas que querem uma comida típica israelense. Retornamos depois da meia noite. Pegamos as chaves na recepção. Sara nos deseja uma boa-noite. Tudo em inglês, como sempre. Então falo em português para Jacob:
– Jacob, é melhor pedir logo para fechar, senão terminamos esquecendo de pagar a diária ao Hotel…
Qual a minha surpresa ao ouvir por trás do balcão a voz de Sara, em português fluente:
– Esquecer? Sara nunca esqueceu de cobrar a diário! Podem dormir descansados!
Ficamos boquiabertos. Sara fala português! Foi assim que aprendi que em lugares como Israel não existe uma, vamos dizer, linguagem-código. Todos entendem qualquer idioma ou dialeto. Todos vieram de alguma parte do planeta, aprenderam muitos idiomas no caminho de regresso à casa-mãe, à pátria.

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