Lendo o livro de Washington Araújo re-senti uma profunda compaixão. Pelo índio somente, não! Pelo mísero civilizado predador também. Compaixão pelo primeiro, por todo o massacre sofrido, por seu martírio imensurável. Compaixão por seus algozes, pela crueldade e miséria espiritual que tão exaltadamente evidenciaram a treva de seus olhos de rapina.
Ao ler o livro de Washington Araújo, re-senti sincero e profundo respeito pelos indígenas, tão lucidamente simples, tão conscientes do “Grande Espírito”, tão inocentes, sensíveis e mesmo poéticos. Seu livro me levou a retomar minha crítica a essa desastrosa, malvada, mentirosa e infeliz ‘cultura branca’, pretensamente cristã, cuja crônica está lavrada em sangue.
Que este seu clamor… que é tão bonito, forte, justo e oportuno, não chegue a se dispersar no deserto que é esta sociedade sem alma. Ainda hoje o massacre prossegue infelizmente. Os índios de hoje são as nações pobres, endividadas, mantidas violentamente e injustamente como escravas. A rapina voraz continua, pois somente alguns poucos países são chamados ‘grandes’, ‘ricos’, ‘credores’, ‘desenvolvidos’… à custa de serem esmagados os países pequenos, pobres, devedores, não desenvolvidos… Caim continua a matar. Abel continua a ser morto. O genocídio prossegue lúgubre, pavoroso, dentro de cada país. Poucos são os poderosos a extorquir, vampirizar, oprimir e anular massas intensas de carentes, mantendo a diabólica injustiça que a corrupção ou mesmo a estrutura social e a dinâmica político-administrativa ‘legitimamente’ facilitam.
Tenho compaixão, sim. Pois os poderosos que massacram são tão infelizes quanto os por ele massacrados. Compadeço dos poderosos, pois os conheço como ignorantes, iludidos, perdidos dentro de sua própria miséria moral, supondo que possuem e gozam, sem saber que, perdidos dentro de fugidios ‘bens’, inviabilizam o gozo do único Bem, que é infinito e eterno. Ignorantes de que, se lhe tem sido possível se aproveitar da ignominiosa impunidade que as leis-dos-homens assegura, não escaparão das duras e inevitáveis sanções de uma Lei Suprema e Eterna, que jamais se vende – a lei de Deus.
Washington, amigo, permita-me um reparo: o título de seu livro poderia ser outro. O que está desaparecendo da Terra não somos nós. Os opressores precisam tomar consciência de que esta crise não é apenas coisa que ainda mais aumente a agonia dos oprimidos. Estamos no “ponto-de-mutação”, isto é, naquele em que acontece a krisis, ou seja, a hora da triagem, da seleção, da colheita de dores pelo mal que fizemos ou de sorrisos pelo bem que espalhamos. A humanidade está no ponto extremo do curso do pêndulo. A perturbação alcançou o nível maior. Agora começa a recuperação da justiça. A verdade começará a se impor à mentira; a retidão à injustiça; a paz à guerra; o amor ao ódio; a não-violência à perversidade. O “ponto-de-mutação”, que agora acontece, não é predição de profeta, é conclusão de cientista, segundo Fritjop Kapra.
Um livro tão generoso, belo, claro e verdadeiro como o seu, caro Washington, é um eficiente contributo nesta hora decisiva. Você é um soldado da batalha suprema, que mudará tudo no rumo da vitória de Deus.

J. Hermógenes, Escritor, Editor da Coleção Libertação Humana – Editora Record, Membro da International Society of Researchers-Índia


Washington Araújo já publicou, inclusive em Portugal e na Espanha, um livro, lúcido e pungente, sobre os 500 anos desta nossa América, na ótica dos povos indígenas: Estamos Desaparecendo da Terra. …. prefiro que o leitor ou a leitora entrem, sem preconceitos, como num banho de água e de sol, nestas páginas do jovem WASHINGTON ARAÚJO. No livro ele se diz suficientemente como para não necessitar apresentação. Faz tempo que Washington escreve. E por ocasião dos idos e vindos 500 anos nos deu um livro lúcido e pungente, desde a ótica – esquecida porém sempre a mais legítima – dos próprios Povos Indígenas, “Estamos Desaparecendo da Terra”.
Agora Washington, que é filho do Rio Grande do Norte, com essa capacidade criadora, típica dos artistas nordestinos, síntese de muitos contrastes, telúrica e mística, bandoleira e rezadeira, feita de raiva política e de ternura humaníssima, pranto e canto, funeralidade realista e esperança sempre maior, nos dá um novo livro, este: Nova Ordem Mundial, Novos Paradigmas. Evidentemente, não a favor dessa nova Ordem, que é a predominante já faz séculos, velha como a morte e o egoísmo capitalista e a prepotência colonialista ou racista ou machista ou fanática. Hoje em dia, com o nome desavergonhado de neoliberalismo, “fim da História”, e o que não dá mais da política econômica, segundo seus necrófagos teóricos… Para esse filósofo nordestino e para todos e todas quantos e quantas cremos ainda na Humanidade fraterna e no Deus da Vida, há outra Nova Ordem Mundial, antiga e nova como a própria vida, exigente e bela como o amor, pluricultural e solidária, libertadora e ecumênica, sempre ainda por fazer, desafio e missão e realização de cada vida humana e de cada povo e de toda e qualquer era histórica. E isso é o que Washington vem gritando com seus escritos e com seu ar pessoal de pensador militante. “Camponês das estrelas” ele também, e camponês de lavouras diárias. Ele escreve e sente e luta, o que não é pouco, em meio a tanta palavra e de tanta imagem ou som que somente dizem ou gritam (e mentem). Já aos 16 anos estava “impressionado pela perspectiva de um mundo unido e pelas possibilidades que uma frase entesourava: “A terra é um só país e os serem humanos seus cidadãos”. Perspectiva ideal – e verdadeira – hoje mais do que nunca, quando os nacionalismos mesquinhos ou as xenofobias assassinas esquartejam, à luz da publicidade, o corpo uno da Humanidade “moderna” ou “pós-moderna”. As últimas palavras de seu livro são esta bela profissão de fé humanista: – “Dezoito anos depois, com uma inamovível crença no destino glorioso da raça humana, sou um cidadão do mundo. Em construção.”
O Epílogo é suficientemente realista e até pragmático para que ninguém rasgue suas vestes em nome do pragmatismo e da realidade. Em construção estamos. Eu, que não sou “um bahá’í”, mas procuro ser cristão, entre anelos e tropeços, tenho essa mesma fé na Humanidade. Porque a tenho em Deus que a criou e à qual enviou seu próprio Filho, “não para julgar (ou condenar)” essa Humanidade – grosseira e má, a pobre, tantas vezes, mas “para salvá-la”. Assim nos tem amado e nos ama. Assim confia em nós. Todo o livro é uma braçada de artigos e crônicas, feita de empatia, de solidariedade e de convocação. Um grande sonho – de Washington, meu e de Deus, caso fosse pouco: “construir (já aqui, nesta mesmíssima terra da humana romaria), uma sociedade justa, fraterna, amante da paz e sem fronteiras…”. “Pela unidade da Humanidade”, proclama o frontispício do livro. No capítulo “O afeto que se enterra” reproduz Washington Araújo seu “Estatuto dos meninos de rua”. Um texto comovedor, final, que deveria constar em todos os corações humanamente inteiros e em todas as antologias de humanismo e política e religião. Entrem no livro. Despojadamente, como num banho de água e de sol; de fraternidade universal. …
Poeta e Político. Irmão Universal.

D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia

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