Capa do Livro Cuba: Cantando em lágrima viva

Nasci no ano em que a Ilha de Cuba – exaustivamente corrigido pelos cubanos como sendo o Arquipélago de Cuba – deixou de ser uma ilha a mais na geopolítica mundial para ser simplesmente A Ilha. De lá para cá, criamos uma certa identidade, misto de curiosidade e contradições.

Minha geração cresceu com essa sensação de que Cuba, qual camaleão entre as nações, assume contornos bem definidos e que variam tanto quanto são variados os observadores. Explico. Para muitos de nós que principiamos a entender o mundo nos anos 60, Cuba já carregava esse clima de ser uma ilha diferente das outras. Ela poderia ser adjetivada tanto como comunista, e portanto subversiva para nossos padrões brasileiros de então, quanto como um satélite avançado do socialismo russo no próprio quintal do capitalismo. Terra estratégica em tempos de Guerra Fria. Era a Ilha Vermelha.

Cresci com esses fantasmas. A Ilha era para os “iniciados em ações revolucionárias.” Como a Cidade Proibida da China, Cuba poderia ser vista como a Ilha Proibida, sem tirar nem pôr. E não faz muito tempo, mas em princípios dos anos 80, os brasileiros que se atrevessem a visitá-Ia deveriam estar conscientes de que uma visita à Departamento de Polícia Federal no retorno, era obrigatório.

O tempo passou. E viu-se que a Ilha não passou. Continuou inspirando sentimentos os mais antagônicos possíveis. Misto de aversão e admiração, fruto de relações – na maioria das vezes platônicas – de amor e ódio. O ponto é que Cuba encontrou lugar no imaginário de meu tempo e fincou raízes profundas nos ideais de toda a minha geração.

E então, quando entrávamos na última década do século, em Berlim, um muro caiu. O que se prenunciava no século passado sobre a falta de consistência dos sistemas então estabelecidos veio a se realizar: o frágil sistema de relações internacionais foi a pique. Mas o que teve o muro de Berlim com a Ilha? Tudo. Ou quase tudo.

A predisposição para ser Ilha pareceu se reafirmar. Como veremos uma ilha diferente das outras. Ela poderia ser adjetivada tanto como comunista, e, portanto subversiva para nossos padrões brasileiros de então, quanto como um satélite avançado do socialismo russo no próprio quintal do capitalismo. Terra estratégica em tempos de Guerra Fria. Era a Ilha Vermelha.

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