Capa do Livro Estamos Desaparecendo da Terra

As raízes do problema indígena estão relacionadas prin­cipalmente com seu conceito de propriedade. Para o índio a terra pertence àquela tribo que a ocupa, não constitui um bem individual, mas sim coletivo, enquanto que para seus conquis­tadores dava-se exatamente o contrário: a terra é uma propriedade privada, particular e, não, um bem público!

Onde se encontra esse saber, essas culturas e enge­nhosidades, se foi consumada uma tão completa extinçã odestes povos?

Surge então a questão crucial sobre os processos civilizatórios: quem civiliza quem ou qual o direito de um povo desbravador civilizar outro povo?

Na História da humanidade, desde seus primórdios, o uso da força sempre foi uma forma de subverter os processos civilizatórios, de amoldar os povos à visão particular defendida pelo mais forte.

Como seria a América se a lei do mais forte não tivesse prevalecido e fosse concedido a seus povos nativos a manutenção de suas tradições? Se lhe fosse dada a opor­tunidade de continuar desenvolvendo suas tradições culturais, sua arquitetura, seu artesanato, sua medicina natural, seus ricos idiomas e dialetos? E também seu, tão profundamente seu, sentimento de preservação da natureza?

A verdade é que tudo teria sido diferente. Que critérios utilizar para uma profunda reflexão desta questão maior e que tanto nos diz respeito, uma vez que fomos moldados de uma origem comum, remontando a milhares de anos?

As planícies norte-americanas, onde pastavam cinqüenta milhões de bisões, hoje mais de setenta milhões de automóveis superlotam as rodovias. Rios foram represados, montanhas aplainadas e florestas derrubadas, e o ar poluído pelos excessos da civilização. É mais do que chegado o momento de ouvirmos a versão das outras testemunhas da História, aqueles que nada ou muito pouco têm a comemorar nestes cinco séculos anos do descobrimento da América: os índios. E, assim, começar a pagar parte de nossa dívida sócio-cultural, a começar por atendermos ao lamento do índio Eskiminzin:

“Essa gente de Tucson escreveu para os jornais e contou a sua história. Os apaches não têm ninguém para contar sua história.”

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