Capa do Livro Migrante Cidadão

A cada dia emigra mais gente. Este fenômeno nunca afetou a tantas pessoas e a tantos países na história da humanidade como agora e as suas repercussões são cada vez mais complexas, tanto no plano econômico como no político. O processo que chamamos de globalização tornou ainda mais evidentes as imensas legiões que se deslocam de um a outro continente, de um a outro país. Quanto mais a humanidade parece optar pela interdependência entre as nações, mais podemos observar as conseqüências nas migrações. O conceito de ser a Terra um só país e nós, os seres humanos, seus cidadãos, enunciado ainda no século XIX, vem sendo vivenciado crescentemente, pelo menos na teoria, e, no entanto a falta de um apreço genuíno, de uma compreensão profunda sobre a natureza humana e seu imenso potencial, vem infelicitando cada vez mais outros seres humanos como nós que desejam nada mais que um pouco de felicidade abaixo do sol nosso de cada dia. Sem um sentimento profundo de que pertencemos a uma mesma espécie humana, que somos integrantes de uma mesma família humana e, portanto deveríamos buscar respeitar as diferenças raciais e étnicas, lingüísticas, culturais, como sendo a fonte de nosso enriquecimento enquanto espécie. A beleza está na diferença assim como a diversidade das flores, com seus aromas e formatos, suas cores e características, torna belo e precioso o jardim.

Em uma análise geral, vemos que as motivações dos emigrantes continuam sendo as mesmas: insegurança material e física, intolerância, exclusão econômica e política, repressão, catástrofes e transtornos diversos, conflitos e guerras.

Mas, de uma forma geral, tais circunstâncias não são suficientes para desencadear ou intensificar repentinamente uma corrente migratória. É necessário que existam outras condições, dentre estas, vale a pena destacar a existência das relações econômicas e políticas prolongadas no tempo entre os países atingidos; a presença no Estado de destino de uma comunidade de compatriotas dos novos emigrantes que os possa apoiar, se façam responsáveis pelas gestões necessárias e os ajudem a empreender a viagem e a integrar-se no lugar; o mercado de trabalho com regras flexíveis, abertas aos recém-chegados, que os incorpore de maneira eficaz. Épreciso também que a opinião pública do país de destino reconheça adequadamente as dificuldades que sofrem os emigrantes em seu país de origem e das que tratam de fugir.

Nos últimos vinte anos do século XX, essas condições se tornaram cada vez mais perceptíveis. Em vista disso, as migrações internacionais têm adquirido uma dimensão mundial. Por conseguinte, hoje em dia, torna-se essencial fazer um equilíbrio entre a amplitude e o significado do fenômeno: por um lado, para os países do hemisfério sul, essas migrações são sumamente importantes à medida que dependem cada vez mais delas; por outro lado, os países do hemisfério norte adotam medidas que convergem para um maior controle da imigração e terminam desembocando na exclusão. Uma exclusão que tem certo percentual de preconceito racial e de xenofobia, de menosprezo pelo próximo e que automaticamente coloca os migrantes sob o signo da suspeita: eles vêm retirar nossos empregos, enfraquecer nosso sistema previdenciário, superpovoar nossas cidades, debilitar nosso sistema educacional.

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