Viajando para proferir conferências, lançar livros e fazer pesquisas, o escritor Washington Araújo, radicado em Brasília, tornou-se um cidadão do mundo ao cruzar por 42 países ao longo de 19 anos. Suas impressões de viagem estão reunidas no seu mais novo livro “Viajar é Preciso”, publicado pela editora Letra Viva. A obra será lançada amanhã, às 19h30, na livraria AS Book Shop.

“Eu imagino que todas estas viagens serviram para que eu buscasse dentro de mim, os motivos que inspiram a solidariedade humana. Aprendi que devemos nos ver como membros de uma mesma família”, declara o escritor, que está de férias em Natal.

Washington diz que recusou a olhar os lugares por onde passou como um turista aprendiz. “Sempre preferi viajar buscando entender que sou e o lugar onde estou”, comenta o escriba, que no mês que vem fará o lançamento de outro livro “Liderança do Século XXI”, escrito em parceria com Roberto Crema.

VIAJANDO — O livro “Viajar é Preciso” teve o prefácio de Moacyr Scliar e comentários de Affonso Romano de Sant’Anna. Seu roteiro eqüivale um cruzeiro ao redor do mundo: Chicago, New York, Havana, Tel-Aviv, Lisboa, Paris, Sevilha, Nova Déli, Córdoba, Venez e Florença estão entre as cidades visitadas por Washington. Seus depoimentos, contudo, são pequenos, chegando a conter, às vezes, poucas linhas sobre determinado país. A obra soa mais como um registro particular de alguém que teve contato com diferentes culturas do que como um manual histórico e cultural sobre os lugares.

Suas experiências em trânsito constituem um caso a parte. Próximo a Zurique, por exemplo, Washington Araújo hospedou-se na residência de um casal que tinha uma criança portadora de Síndrome de Donw. O escritor sentiu-se emocionado ao ouvir do casal uma fábula sobre um sábio persa que, ao visitar a Europa para proferir uma conferência em Frankfurt, decidiu passear um pouco na rua com os seus seguidores e, desvencilhando-se dos amigos, atravessou a rua e abraçou-se com uma criança portadora de deficiência.

“Aos prantos, ele intuiu que aquelas crianças eram mensageiras da vontade divina. Elas serviam para que Deus verificasse como anda o mundo. Se as pessoas eram bem tratadas, se era bem recebidas”, comenta Washington.

Na Índia, ele se deparou com o paradoxo do povo viver uma intensa espiritualização e, ao mesmo tempo, não ter acesso ao bens materiais, vivendo imersos na pobreza. “Na frente do hotel, em Nova Déli, vi uma fila quilométrica de pessoas que se amontoavam, umas por cima das outras, para escapar do frio da noite”. Segundo o escritor, de dia, o calor na Índia atinge 50 graus, a noite, a temperatura varia entre 11 e 12 graus.

A perplexidade de Washington diante das dificuldades sociais, não é fruto de um possível ativismo social. Ele tem se posicionado — nos seus artigos, crônicas e livros — a favor dos meninos de rua, mulheres e das minorias de uma forma em geral. Sua atuação como escritor, e como adepto da religião Bahai, o levaram a ser membro da Academia de Letras do Distrito Federal e da União Brasileira de Escritores, além de integrar a Comissão de Direitos Humanos do estado onde mora.

Natural da cidade de Apodi, o escritor passou a sua infância no interior do Paraná. Nos anos 70 retornou ao RN, e estudou em Natal, Macau e Assu. Em 1975 conheceu a Fé Bahá’í, uma religião nascida no Irã, a antiga Pérsia. Hoje, aos 41 anos de idade, casado e com 4 filhos, Washington escreve regularmente para 17 jornais de 12 estados brasileiros, além de ter participado, entre 94 e 96, das Feiras do Livro em Frankfurt, São Paulo, Rio de Janeiro, Havana e Guadalajara. Alguns de seus livros foram publicados na Argentina, Itália, México e Espanha.

Em setembro ele pretende participar da Conferência Mundial contra o Racismo, na Cidade do Cabo, na África. Até lá, pretende ver lançado a edição alemã do seu livro Nova Ordem Mundial, Novos Paradigmas, reunindo ensaios e crônicas publicados na imprensa.

Washington também lançou as seguintes obras: Estamos Desaparecendo da Terra, Shoghi Effendi, Introdução ao Pensamento de Bahá’u’lláh, O Despertar dos Anjos, Cuba: Cantando em Lágrima Viva; Direitos Humanos, Conquistas e Desafios; Quem está escrevendo o futuro? e El Olvido Está Lleno de Memória, inédito em português. Atualmente, o escritor é um dos dirigentes da editora brasilense Letra Viva.

José soares Jr – Repórter

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