Washington Araújo é jornalista e militante dos direitos humanos. Faz comentários diariamente em diversas rádios, dentre estas, as Radios Nacional AM e FM do Rio de Janeiro, Nacional FM de Brasília, onde apresenta o “Questão de Direito” e na Rádio Câmara, apresenta comentários duas vezes ao dia com o tema “Cidadão do Futuro”. Neste o enfoque é a criança e o adolescente. É autor de uma dúzia de livros sobre povos indígenas, afrodescendentes, meninos de rua, condição da mulher e… direitos humanos no dia a dia. Atualmente escreve comentários diariamente a partir do seu blog (http://www.cidadaodomundo.org) que é repassado para diversos sites noticiosos como os portais de Niterói (RJ), Americana (SP), Saquarema (RJ).

Tecido Social – O que o levou a manter um blog?

Washington Araújo – Foi a necessidade de se observar a cena urbana com um outro enfoque, mais intimista e mais humanista. Sempre vejos as notícias serem pautadas pelos grandes empresas de comunicação massiva, geralmente no eixo Rio-São Paulo. Daí estas são repetidas exaustivamente, dando a impressão de uma colonização da informação…

TS – Mas isso não parece o trabalho de um “estranho no ninho da mídia”?

WA – É, de certa maneira é isso mesmo. Mas como dizia Nietszche “as grandes revoluções vêm com pés de pombo”. Há que se mostrar que existe vida inteligente àqueles que se interessam pela elevação da condição humana, da qualidade de vida. Sabemos – e não é de hoje – que nunca foi notícia um cachorro morder um homem mas sim “um homem morder um cachorro”. Ou seja, a mídia vem sempre nivelando por baixo, pelo grotesco, pelo simplório da experiência humana.

TS – Você começou a publicar livros ainda na casa dos 20 anos. Foi uma longa caminhada. Tem sido gratificante?

WA – Sim. Claro. Penso no que me disse em 1997 o Darcy Ribeiro. Estávamos em Frankfurt na Feira Internacional do Livro. Ele me dizia que sua vida havia sido de certa maneira uma inutilidade pois “tudo pelo qual lutei a vida inteira deu sempre errado”. E disse mais: “lutei pelas crianças do Brasil na escola desde a mais tenra idade, eles continuaram nas ruas; lutei pela discriminação racial, em um país com metade da população negra ou parda, eles continuam sendo vítimas do racismo”. Ao final, com um sorriso, arrematou: “Mesmo assim não gostaria de estar dos lados que venceram!” Acho que é por aí. Temos que fazer a nossa parte. Nunca sabemos o efeito que utopia pode sinalizar para esta e as novas gerações.

TS – Encontramos no seu blog comentários desde a morte do Ibrahim Ferrer ao pouso da Challenger passando pelo furacão Katrina. Deve ser dificil tratar de assuntos tção diversos mas sempre com uma boa dose de, digamos, humanidade.

WA – É que a experiência humana e o bombardeio da mídia a que somos submetidos 24 horas ao dia não nos deixa outra escapatória. E também não somos mais inocentes, como disse um filósofo após a explosão de Hiroshima e de Nagasaki há 60 anos. Tudo o que é humano me interessa e interessa aos que trabalham pelo império dos direitos humanos. Uma luta sem trégua. Hoje mesmo coloquei no blog este texto: “Anteontem Kabul, ontem Bagdá, hoje Nova Orleans. O que elas têm em comum? O clima de guerra instaurado. Parece ter sido encurtada a distância entre o Afeganistão, o Iraque e os Estados Unidos. Porque em uma área de conflito, as regras não valem, o cada um por si e Deus por todos é o que comanda. Nos últimos dias o furacão Katrina passou pelo sul dos Estados Unidos e deixou 80% de Nova Orleans debaixo d’água. Qual um dilúvio pós-moderno, este foi amplamente noticiado pela defesa civil americana, os alarmes soaram com muita antecedência. Agora o caos, a insegurança, os saques, as explosões e os tiros marcam a passagem das horas no que restou da cidade. O quadro fica ainda mais agravado com a demora da chegada de ajuda humanitária. Falta água potável e faltam alimentos. Pessoas morrem e ficam insepultas nos abrigos improvisados e no seu grande estádio. A dor humana não tem nacionalidade nem passaporte. Um desabrigado em Kabul ou em Nova Orleans desfruta da mesma condição humana. Falta apenas que Cuba e Venezuela ofereçam ajuda humanitária ao Presidente Bush. Há que se repensar seriamente os danos que temos causado ao meio-ambiente. O Katrina é uma breve resposta da Mãe Natureza. Pensemos nisso e no Protocolo de Kyoto para proteger a camada de Ozônio que ainda não foi assinado por Washington.”

TS – Sabemos que o blog tem menos de um mês de existência. Qual tem sido a resposta?

WA – Excelente. As pessoas sentem falta de um amparo emocional. Elas querem o lado humano da notícia. E sabem que o dedo na ferida é mais embaixo. Nas últimas semanas fui convidado e aceitei ser colunista de dois portais noticiosos na internet, o AmericanaDigital (http://www.americanadigital.com.br) e o Nitideal (http://www.nitideal.com.br). Foi algo espontâneo. Como espontânea é a indignação nossa de cada dia. Mas por vezes penso que estou enxugando gelo. Há muita água por enxugar.

TS – Você é também ombudsman da DHNet, escreve livros, participa de antologias sobre direitos humanos etc e ainda viaja a dar palestras mundo afora. Como consegue tempo?

WA – Quando fazemos alfo em que acreditamos o tempo é um detalhe. Nos últimos seis diasd estive em Salvador e retornei ontem (dia 1/9) de Blumenau onde abri a Semana da Comunicação da Universidade Regional de Blumenau… os jovens, principalmente eles, estão ligados, antenados na aceleração do planeta, desejam saber de outras experiências no jornalismo. Foi uma viagem excelente como é excelente encontrar pessoas que estão envolvidas em fazer a conspiração do bem.

TS – É isso mesmo. Algum recado final?

WA – Espero que os leitores do Tecido Social me visitem no espaço virtual (http://www.cidadaodomundo.org). E me enviem pautas que simntam oportunas comentar. Meu email: washington@cidadadodomundo.org No mais é correr pro abraço. Continuem o ótimo trabalho!

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado